Re: Protocolo para HIV

From: Flavio Monteiro de Souza (flavioms@uninet.com.br)
Sun, 10 Oct 1999 22:10:08 -0300


Aí segue o protocolo para uso da zidovudina (AZT) na gravidez. Além disso, discute-se se a cesariana eletiva, alem de medidas durante o parto.

Este protocolo completo pode ser encontrado na Internet, mas nao tenho o endereco aqui (e' em uma pagina da UFRJ, mas tambem no programa de AIDS/DST do ministerio da saude - http://www.aids.gov.br/ ). Este resumo pode ser relido em http://www.lampada.uerj.br/obst/tecazt.html

Um abraco, Flavio Monteiro Prof Assistente - Obstetricia - UERJ flavioms@uerj.br

PROFILAXIA DA TRANSMISSÃO VERTICAL DA AIDS

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Índice
  Introdução
  Indicação do uso do AZT na gravidez
  Regime do AZT
  Critérios laboratoriais para o uso do AZT na gravidez
  Monitorização laboratorial
  Indicações de profilaxia primária em gestante HIV positiva

---------------------------------------------------------------------------- ---- ---------------------------------------------------------------------------- Introdução ----------------------------------------------------------------------------

Este é um resumo do esquema de profilaxia da transmissão da SIDA/AIDS ao feto e recém-nascido.

Pela dramática redução da taxa de transmissão vertical do HIV com o uso do AZT na gravidez, somos francamente partidários à utilização universal do teste de HIV no pré-natal como rotina, assim como fazemos a sorologia para sífilis rotineira. Atualmente, é injustificavel não disponibilizar a todas as gestantes a possibilidade de profilaxia da AIDS aos seus filhos, assim que se descubra que são HIV positivas. A prevalência de sorologia positiva para HIV no Rio de Janeiro em gestantes está atualmente, entre 1 e 3%, se aproximando à freqüência de sífilis em nosso Serviço (3,8%). Por outro lado, isso permite que se tomem medidas adicionais de segurança para a equipe de saúde, incluindo a profilaxia pós-exposição por acidente com sangue e fluidos corporais de pacientes sabidamente HIV positivas.

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---------------------------------------------------------------------------- Indicação do uso do AZT na gravidez

Foi feito um estudo randomizado multicêntrico (protocolo ACTG 076), sob forma de ensaio clinico duplo cego, entre 1991 e 1994, comparando o uso de AZT na gravidez, parto e período neonatal. No grupo placebo, a taxa de transmissão vertical (da mãe para o feto) foi de 25,5% e no grupo em que utilizou-se o AZT a transmissão foi de 8,3%, 3 vezes inferior, portanto. O esquema usado neste estudo e' o aconselhado atualmente para a profilaxia da SIDA neonatal, e consiste no seguinte:

Tabela 1 - Situações clínicas e recomendações para o uso do AZT em gestantes HIV positivas Situação Recomendação

Grávidas infectadas com a contagem do numero de CD4>200/mm3, entre a 14a. e a 34a. semana de gestação e que não possuem indicação para uso de AZT ou historia de uso de AZT prévio (>6 meses) Iniciar o protocolo 076 completo, abordando os riscos e benefícios.

Grávidas infectadas com idade gestacional >34 semanas, que não possuem historia do uso prévio de AZT (>6 meses) e que não possuem indicação de AZT para sua própria saúde Iniciar o protocolo 076 completo, abordando riscos e benefícios e informando que a terapia com AZT pode ser menos eficaz devido ao inicio tardio

Grávidas infectadas com a contagem do numero de CD4<200/mm3 que se encontram entre a 14a e a 34a. semanas de gestação e que não fizeram uso prévio de AZT (>6 meses) Indicar o uso de AZT no pré-natal para sua própria saúde. Utiliza-lo também durante o trabalho de parto e para o recém-nascido como parte do protocolo 076, sempre com abordagem dos riscos e benefícios para a paciente

Gravidas infectadas que fizeram uso prévio de AZT (>6 meses) ou outro anti-retroviral Os dados são insuficientes para avaliar a potencial eficácia do protocolo 076 para esta população de mulheres. Os casos deverão ser avaliados individualmente com base nos riscos e benefícios para a paciente. A indicação de outros anti-retrovirais ainda não foi liberada para gravidas nos EUA

Grávidas infectadas que não receberam AZT no pré-natal e que estão em trabalho de parto Indicado AZT como componente do protocolo 076, discutindo-se os riscos e benefícios que parte do protocolo pode trazer

Recém-nascidos de mães infectadas que não receberam AZT intraparto Se a situação clinica permitir e se a terapia puder ser iniciada dentro de 24 horas do nascimento, oferecer AZT durante 6 semanas ao recém-nascido. Se a terapia não puder ser iniciada dentro de 24 horas e se a mãe tiver recebido AZT durante o parto, os dados não são suficientes para se indicar o uso do AZT no recém-nascido. No entanto, muitos pediatras optam em usar o AZT mesmo que haja transcorrido até 72 horas do nascimento.

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---------------------------------------------------------------------------- Regime do AZT

Anteparto: 100 mg VO 5x ao dia a partir da 14a semana de gestação. Apresentação: 100 mg/caps.

Intraparto: 2 mg/kg IV em 1 hora seguido por 1 mg/kg/h ate' o nascimento, devendo ser iniciado logo no inicio do trabalho de parto. Em cesariana eletiva, iniciar 4 horas antes. Apresentação: 10 mg/ml, frascos de 20 ml (200 mg).

Pós-parto: Recém-nascido 2 mg/kg VO de 6 em 6 horas por 6 semanas, devendo ser iniciado 8 a 12h após o nascimento, no máximo 24h após o nascimento. Apresentação: 10 mg/ml (solução oral) frascos de 200 ml.

Obs. No caso de não haver disponibilidade do AZT venoso, a orientação e' administrar 400 mg VO no inicio do trabalho de parto e 200 mg VO a cada 4 horas, enquanto durar o trabalho de parto.

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---------------------------------------------------------------------------- Critérios laboratoriais para o uso do AZT na gravidez (utilizados no protocolo 076)

Hemoglobina >8,0g/dl, plaquetas >100000 cel/mm3, neutrófilos >100 cel/mm3, ALT (TGP) <2,5x o valor superior de normalidade e creatinina sérica <1,4 mg/dl. Nota: deverão ser realizados mensalmente hemograma com contagem de plaquetas e transaminases.

Ausência de alterações ultra-sonográficas (anomalias fetais, oligodramnia e hidropsia fetal).

Caso a paciente manifeste o desejo do uso do AZT e a USG mostre alterações, poderá' ser usado desde que com consentimento por escrito.

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---------------------------------------------------------------------------- Monitorização laboratorial

Acompanhamento materno mensal com hemograma, contagem de plaquetas, AST (TGO) e ALT (TGP).

CRITÉRIOS LABORATORIAIS PARA INTERRUPÇÃO DO AZT NA GRAVIDEZ Hemoglobina <8,0g/dl, neutrófilos <750 cel/mm3, AST(TGO) ou ALT(TGP) >5x o valor superior de normalidade. Nota: Após avaliação dos riscos e benefícios, poderá ser discutida a não interrupção e sim redução do AZT.

CRITÉRIOS PARA SUSPENSÃO DO AZT NO RECÉM NASCIDO (utilizado no protocolo 076) Hemoglobina <8,0g/dl, contagem de plaquetas <50000 cel/mm3, neutrófilos <750 cel/mm3, ALT(TGP) >5x o valor limite de normalidade ou para-efeito toxico grave.

MONITORIZAÇÃO LABORATORIAL DO RN Hemograma no momento da introdução do AZT, com 2 semanas e 6 semanas de vida.

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---------------------------------------------------------------------------- Indicações de profilaxia primária em gestante HIV positiva Pneumonia por Pneumocystis carinii

Contagem do numero de CD4 <200/mm3, percentual <15%, febre persistente por mais de 15 dias sem causa esclarecida, candidiase oral ou manifestação de imunodeficiência.

Sulfametoxazol/trimetoprim (SMZ/TMP) 400mg+80mg, 2 comps. 3x por semana. Em caso de intolerância, Dapsona 100 mg em dias alternados ou Pentamidina 300mg nebulização mensal com Respigard II. Diluir em 6 ml de soro fisiológico e nebulizar com oxigênio úmido a 6l/min. Pacientes com historia de broncoespasmo, fazer antes nebulização com beta adrenérgico.

Toxoplasmose

Somente se apresentar sorologia para toxoplasmose IgG positiva e contagem de CD4 <150/mm3.

A associação SMZ/TMP usada para prevenir pneumocistose, também previne toxoplasmose. Se a paciente for alérgica a SMZ/TMP e estiver usando pentamidina ou dapsona, começar espiramicina 3g/dia 8/8h VO. Em paciente com IgG e IgM negativas para toxoplasmose, orientar para que evite contato com fezes de gato, evitar ingestão de carnes mal cozidas e alimentos crus e repetir a sorologia para toxoplasmose a cada 3 meses.

Tuberculose

PPD>5 mm, sem indicio clinico de atividade de tuberculose. Isoniazida 400 mg associada a piridoxina 50 mg/dia (vitamina B6) - somente após o primeiro trimestre. Raio X de tórax deve ser evitado, porem, após o primeiro trimestre, poderá' ser feito com proteção para o abdome.

Hepatite B

Para pacientes com anti-HBc ou HBsAG negativos, vacinar com 3 doses de 1ml IM (intervalo 0, 1 mês e 6 meses)

Infecção pneumocócica

A grávida infectada pelo HIV tem maior chance de apresentar pneumonia por pneumococo.

Vacina anti-pneumococo em dose única, 0,5ml IM para pacientes não imunizadas previamente. A resposta será melhor naquelas com CD4 >350cel/mm3.

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---------------------------------------------------------------------------- Fonte: Manual para o acompanhamento clinico da gestante infectada pelo HIV. Anderson, Lambert & Nogueira. Programa de Assistência Integral à Gestante HIV Positiva, UFRJ-HSE-FIOCRUZ/HEC-HNI, Rio de Janeiro, 1996.

-----Mensagem original----- De: Gabriel <gabrielf@bhnet.com.br> Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net> Data: Segunda-feira, 4 de Outubro de 1999 22:51 Assunto: Protocolo para HIV

>Prezados colegas da lista. >Irei iniciar o Pré-Natal de uma paciente HIV positiva e gostaria de saber se >alguém possui um protocolo de acompanhamento destas pacientes. >Grato pelo Auxílio. > >Gabriel Ferreira Neto >CRMMG 22485. >Santa Casa de Caeté. Minas Gerais. >


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Última atualização: Mon May 19 16:38:32 2008