Re: Morte fetal em gravidez gemelar de 32 semanas

From: Claudio Sitya (csitya@zaz.com.br)
Fri, 1 Oct 1999 20:10:06 -0300


Caro Fernando

Pelo que eu entendi havia o diagnóstico decentralização ao doppler antes do óbito de um dos gemelares? O que há descrito da baixa utilidade do doppler na gestação gemelar na verdade é pelo uso do doppler exclusivamente das artérias umbilicais como preditor da síndrome de transfusão feto-fetal. Agora o doppler em um sentido mais amplo, como em sua utilização para avaliação da vitalidade fetal, tem o mesmo valor do que em gestações únicas. Existe uma enorme confusão em relação ao uso do doppler em geral, e maior delas é associar a avaliação da artéria umbilical com a centralização. O doppler da artéria umbilical avalia a placenta e não o feto. Uma gestação com diástole zero ou reversa significa aumento da resistência placentária em geral devido a ocorrencia de trombose, embolizaçòes, infartos ou deficiencia em sua formação com má vascularização das vilosidades. Por isto a gestação será sssociada a piores resultados perinatais. A centralização da circulação fetal é diagnosticada pela avaliação principalmente das artérias cerebral média, aorta descendente e artérias renais. Portanto, mesmo na gestação gemelar o doppler deve ser valorizado!!!! Ao meu ver um feto com centralização e prematuro deve ser acompanhado pela avaliação do doppler venoso ( umbilical, cava inferior e ducto venoso ), ocasião em podemos realizar em conjunto o perfil biofísico fetal. A realização da monitorização ante-parto pode ainda ser valorizada em situaçòes extremas em que o nosso objetivo seja exclusivamente evitarmos o óbito fetal intra-útero. Isto por que, os trabalhos mais antigos de MAP e PBF são amplamente convincentes em que , nas gestações de alto risco, o PBF e MAP normais nos dão muita segurança de que não ocorrerá o óbito fetal. Então, estes exames ditos ultra-passados por muitos especialistas, têm enorme utilidade até hoje. O assunto é muito extenso e espero receber comentários dos nossos colegas para aumentramos o esclarecimento deste tão importante assunto: vitalidade fetal.

Abraços

--
Claudio Sitya
Santa Maria -RS

-----Mensagem Original----- De: Fernando Luiz Cesário <fcesario@estaminas.com.br> Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net> Enviada em: Sexta-feira, 1 de Outubro de 1999 10:40 Assunto: Morte fetal em gravidez gemelar de 32 semanas

> Gostaria de receber críticas e ajudas acerca do seguinte caso clínico: paciente com gravidez de alto > risco, primigesta tardia (39 anos), TABAGISTA, extremamente negligente (não segue a maioria das > orientações, especialmente no que se refere a nutrição e repouso), com gravidez obtida de inseminação > artificial, gemelar, na 32ª semana, a que já vinha havendo comprometimento de um dos gêmeos, que > apresentava sinais de insuficiência placentária severa - insuficiente ganho ponderal entre o 6º e o 7º mês > de gestação e centralização há cerca de 2 semanas ao doppler. Iniciei com repouso absoluto em decúbito > lateral esquerdo, dieta hiperglicídica e hiperproteica, AAS (75 mg/dia) e cálcio (1 g/dia), que não sei se > foram seguidas, apesar da minha insistência na necessidade delas. No entanto, o último USG revelou morte > de um dos gêmeos. Optei por uma conduta espectante, pelo menos nas próximas semanas, quando tentaria > acelerar o amadurecimento fetal com corticóide, fazendo o acompanhamento com a dosagem de fibrinogênio, > plaquetas e leucograma, deixando para intervir pelo menos na 35ª semana, ou quando for imperativo - > coagulopatia, infecção ou trabalho de parto prematuro. > Por favor, queiram criticar as minhas orientações e enviarem-me sugestões. > Muitíssimo grato. > Dr. Fernando Cesário > Cataguases - MG >


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