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Re: Alternativas à histerectomiaFrom: Flavio Monteiro de Souza (flavioms@uninet.com.br)Sun, 26 Sep 1999 12:48:17 -0300
Caro Paulo Barroso: A sua folhinha esta' muito boa. Acredito ser pertinente tambem citar alguns tratamentos clinicos como alternativa `a histerectomia, como o uso de progesterona na segunda fase do ciclo menstrual para reducao da hiperplasia endometrial associada ao mioma, com consequente reducao do fluxo menstrual. Frequentemente podemos postergar ou mesmo evitar a histerectomia com o controle do ciclo, ja' que muitas mulheres tem histerectomia indicada por sangramento que pode ser controlado com a progesterona. Alem disso, e' tratamento muito barato. E, embora nao seja definitivo, a reducao do volume do mioma com agonistas do GnRH ou gestrinona pode ser util em pacientes proximas `a menopausa, evitando a cirurgia. Um abraco, Flavio. _____________________________________ Flavio Monteiro de Souza _____________________________________ Prof. Assistente - Obstetrícia - UERJ flavioms@uerj.br flavioms@uninet.com.br -----Mensagem Original----- De: Paulo Barrozo, MD Para: Multiple recipients of list OBSTET-L Enviada em: Quinta-feira, 23 de Setembro de 1999 15:04 Assunto: Alternativas à histerectomia Colegas da lista: Fomos convidados para fazer uma apresentação em Brasília para um grupo de Deputados Federais denominado Frente Parlamentar Pela Mulher, sobre a incidência de histerectomia no Brasil e propostas para diminuí-la. Nos pediram também, que sintetizássemos a apresentação em 2 páginas impressas, para que fosse enviada à consideração do Ministro da Saúde. Envio abaixo o rascunho deste resumo, para que os colegas opinem e façam sugestões, pois a nossa lista com certeza, tem uma composição que representa a média do pensamento ginecológico brasileiro. Saudações. Proposta de Estudo de Alternativas à Histerectomia no Brasil 1-Introdução: Atualmente estimamos que no Brasil são realizadas 200.000 retiradas de útero/ano, sendo 50% financiadas pelo SUS e 50% por convênios e particulares. Destas, 2/3 teriam tratamentos alternativos e 1/3 ainda seriam inevitáveis. Estes tratamentos alternativos tem o potencial de levar a uma grande redução de custos, tanto financeiros como sociais. Apesar de já existirem diversos tratamentos que evitam a retirada do útero e suas conseqüências, estes estão disponíveis quase que exclusivamente na rede privada. Mesmo nesta, com uma abrangência muito menor do a que seria desejável. Indicações mais comuns da retirada do útero: Miomas (a mais comum), sangramento uterino anormal de causa benigna, endometriose e adenomiose, câncer do colo e corpo uterino. 2-Conseqüências da cirurgia de retirada do útero: Perda da capacidade reprodutiva, pois o maior número de cirurgias é feita em mulheres férteis. Transtornos de ordem psíquica e sexual. Afastamento das atividades de trabalho por 4 a 8 semanas. Aumento da incidência de patologias cardiovasculares e osteoporose, quando acompanhada da retirada dos ovários, o que é freqüente. Todas as complicações imediatas e tardias, tanto cirúrgicas como anestésicas, inerentes a uma cirurgia de grande porte. 3-Alternativas à histerectomia: Embolização do mioma uterino: procedimento realizado em regime de one-day-hospital, permitindo o retorno às atividades laborativas entre 2 a 5 dias, com índice de óbitos igual a zero e de complicações muito baixo, segundo a literatura médica disponível nos EUA e Europa.(2) Substitui a histerectomia na maior parte das indicações por miomas uterinos, preservando a fertilidade. Custos um pouco mais altos no momento, podendo ser muito reduzidos com ganhos de escala. Miomectomia via abdominal ou via histeroscópica: Substitui a histerectomia em quase todas as outras indicações de miomas não atendidas pela embolização. Não levam à esterilização da mulher. Dependendo da técnica empregada, retorno ao trabalho variando de 2 a 5 dias a até 4 a 8 semanas. Complicações variam de muito menores, a iguais às da histerectomia, também em função das técnicas empregadas. Sem as conseqüências psicológicas e sexuais da histerectomia.(3) Custos iguais ou inferiores aos da histerectomia, podendo ser reduzidos com ganhos de escala. Cirurgia de redução ou ablação de endométrio: Substitui a histerectomia no tratamento do sangramento uterino anormal de causa benigna. Realizada através de vídeo histeroscopia ou outros equipamentos específicos. Retorno ao trabalho em 2 a 3 dias. Complicações de muito menor gravidade e freqüência que a histerectomia(4). Custos já inferiores aos da histerectomia, podendo ser ainda mais reduzidos.(5) Campanhas educativas: Baixo custo e sem efeitos colaterais. No cantão de Ticino na Suíça, foi feita uma campanha, por 10 meses, de esclarecimento da população sobre a histerectomia. Nos 12 meses subsequentes foi obtida uma redução de 25% nessa cirurgia, sem nenhuma outra medida adicional.(6) Existem ainda outros tratamentos que poderão ser avaliados. No entanto os aqui citados, se amplamente disponíveis, poderiam levar a uma redução de metade a 2/3(1) no total de histerectomias realizadas no país, com elevação da qualidade de vida das mulheres e redução de custos financeiros e sociais. 4-Propostas: Geração e coleta de dados sobre indicações, tipos de cirurgia, complicações, absenteísmo e custos relacionados com a histerectomia. Avaliação de eficácia, custos e demais indicadores, relativos aos procedimentos alternativos. Criação de um programa visando a implantar as mudanças necessárias à redução do número de histerectomias no Brasil, disponibilizando as alternativas supracitadas, na rede pública. Para concretização destas propostas, sugerimos a criação de um grupo consultivo composto por técnicos do Ministério da Saúde, representantes de ONGs ligadas à saúde da mulher/direitos reprodutivos e sociedades médicas ginecológicas. Bibliografia 1. Goldfarb HA, Greif J. The No Hysterectomy Option: Your Body - Your Choice; Rev. And Updated; (New York: John Wiley & Sons, 1997): XIV. 2. Worthington-Kirsch R, Popky G, Hutchins F; Uterine arterial embolization for the management of leiomyomas: quality-of-life assessment and clinical response. Radiology 1998;208:625-629. 3. Goldfarb HA, Greif J. The No Hysterectomy Option: Your Body - Your Choice; Rev. And Updated; (New York: John Wiley & Sons, 1997): 39-63. 4. Barrozo, PRM; Santos MAP; Amorim, AJ; Pedrosa F; O Papel da Cirurgia Vídeo-endoscópica no Sangramento Uterino Anormal de Causa Benigna. FEMINA, vol. 23, número 5, 305-307, Junho 1995. 5. Barrozo, PRM; Santos MAP; Amorim, AJ; Análise de Custos da Redução Endometrial Histeroscópica x Histerectomia Total Abdominal Tradicional. J Bras Ginec; vol. 105, número 7, Julho 1995. 6. Domenighetti G, Lurachi P, Casabianca A, et al. Effects of information campaign by the mass media on hysterectomy rates. Lancet 1988;2:1470-1473).
-- ====================================================== Dr. Paulo R. M. Barrozo, M.D., TEGO, TCBC Centro de Tratamento de Miomas-Clínica Santa Helena Cabo Frio - Rio de Janeiro - Brasil Fax:+55 24 6473737 Tel:+55 24 6471200 Ext 207 barrozo@mioma.com.br barrozo@usa.net http://www.mioma.com.br ======================================================
Administrador da lista: flavio.monteiro.desouza@obgyn.net Solicitações à lista: obstet-l-request@obgyn.net Última atualização: Mon May 19 16:38:18 2008 |
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