Re: violência sexual

From: Claudio Sitya (csitya@zaz.com.br)
Thu, 23 Sep 1999 19:24:55 -0300


A perícia médico legal somente é executada pela solicitação de uma autoridade policial. Portanto, para o perito avaliar é obrigatório existir uma indicação júridica ou policial, ou seja se a autoridade policial ou judiciaria nao for comunicada o perito nao será solicitado a proceder o exame. Ao meu ver a decisao de comunicar a autoridade deve ser da família, no caso da mãe. A questão de ser crime a omissão da comunicação? Não vejo nehum crime, em primeiro por não se tratar de uma certeza. No código de ética médica existem situações em que podemos, e não me recordo se está escrito "devemos", revelar o segredo médico: caso de casamentos com doenças incuráveis, no caso de crime em que haja prejuízo à alguém...acho que são estas, não tenho o código em minha casa.

--
Claudio Sitya

-----Mensagem Original----- De: José Jacyr Leal Júnior <caf@jacyrleal.com.br> Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net> Enviada em: Quinta-feira, 23 de Setembro de 1999 12:54 Assunto: Re: violência sexual

> Caro Claudio > > Devem as autoridades serem informadas apenas numa suspeita ? Por mais que > seja GO minha especialidade, não me vejo em condições de avaliar um caso > desses, além de apenas anotar os fatos anatômicos. Creio que solicitar a > avaliação de um perito, seja o melhor caminho, já que se houver crime, > podemos deixar escapar nuançias imprescindíveis, para posteriormente > condenar ou inocentar alguém. > > Em outras palavras: Devemos encaminhar prontamente o caso às autoridades, ou > numa conversa franca com a mãe, buscarmos uma orientação pericial e > psicológica para só ai o caso ser denunciado ? > > Em não denunciando prontamente, encorremos em algum crime ? > > José Jacyr Leal Júnior > Centro de Avaliação Fetal Batel SC Ltda. > Curitiba - Paraná - Brasil > caf@jacyrleal.com.br > http://www.jacyrleal.com.br > > -----Mensagem original----- > De: Claudio Sitya <csitya@zaz.com.br> > Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net> > Data: Quarta-feira, 22 de Setembro de 1999 20:50 > Assunto: Re: violência sexual > > >Caro Dr Dorval > > > >Além de ginecologista e obstetra eu sou perito médico legista na minha > >cidade e gostaria de emitir a minha opnião sobre o caso. > >A violência sexual pode acontecer no caso de estupro ( conjunção carnal> >relação sexual penis vagina ),de ato libidinoso ou atentado violento ao > >pudor ( relação sexual diversa da conjunção carnal ). > >O primeiro quesito que o legista tem que responder a autoridade policial ou > >judiciaria é: a paciente é virgem? > >A paciente não é considerada legalmente virgem nas seguintes situações: > >Ruptura completa do hímen ( ruptura que atinge a parede vaginal ), > gravidez, > >presença de esperma no canal vaginal ou presença de doença venérea no canal > >ou órgãos genitais internos. > >O segundo quesito é: há sinais de conjunção carnal recente? O que só é > >comprovado pela presença de espermatozóides, lesões recentes do hímen ou > >lacerações vaginais. > >No caso em questão existe nitidamente uma ruptura himenal, que pode ser > >completa ou não. Para definir deve-se examinar o himen tracionando os > >pequenos lábios vaginais e observando se a ruptura atinge a parede vaginal > >ou não. > >Existe com uma certa freqüência a presença de entalhes himenais congênitos, > >que em geral são pequenos e legalmente à macroscopia nós não afirmamos se > >são entalhes ou rupturas incompletas. Talves seja o caso? > >Bom, após estes detalhes técnicos aopinião sobre o que fazer: > >Acho que se após o exame físico houver a impressão de que não se trata de > >entalhe congênito e que houve mesmo uma ruptura, mesmo que incompleta, a > mãe > >deve ser comunicada com a maior clareza, questionando-a sobre a ocorrência > >de alguma queda com trauma perineal. Se não houver histórico, ou se a lesão > >for mais extensa, acho muito provável que venha ocorrendo algum tipo de > >abuso sexual ou estupro, e neste caso a mãe deve ser informada e > encorajada > >à tomar as medidas judiciais cabíveis, pois se não for assim o fato irá > >repetir-se por muitas vezes. > >Outra medida importante, devido ao fato de ser uma pessoa muito próxima, é > >que o caso seja avaliado por outro colega. > > > >Desculpe pela extensão da mensagem > > > >Um abraço > > > >Claudio Sitya > > > >-----Mensagem Original----- > >De: Dorval de Andrade Tessari <dorval@nutecnet.com.br> > >Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net> > >Enviada em: Quarta-feira, 22 de Setembro de 1999 16:24 > >Assunto: violência sexual > > > >> Aos colegas do grupo! > >> > >> Examinei uma menina de 9 anos de idade e pelo exame vulvar percebi uma > >> ruptura profunda do hímem sem sinais recente de traumatismo. Como a > menina > >é > >> conhecida de uma familia muito proxima a mim , estou em dúvida quanto a > >> algumas questões: > >> 1. Pode ser violência sexual? > >> 2. Quais são os casos de ruptura de himem sem penetração vaginal? > >> 3. Há dois anos atras, quando ela veio ao consultório negou-se a ser > >> examinada , isso poderia ser algum indício de violência sexual? > >> 4 Qaul a melhor conduta a ser tomada? > >> Obrigado pela atenção. > >> > >> Dorval de Andrade Tessari > >> Medico ginecologista e Obstetra > >> e-mail : dorvaltessari@bigfoot.com > >> > > >


busca recomendada...
Google
OBGYN.net somente forums endozone.org Web
Entre as palavras-chaves para a busca:
Mensagens por tela: Mostrar apenas as mensagens que incluam todas as palavras-chave:

Voltar para  OBSTET-L World Wide Web page


Administrador da lista: flavio.monteiro.desouza@obgyn.net
Solicitações à lista: obstet-l-request@obgyn.net
Última atualização: Mon May 19 16:38:17 2008