Re: sobre subespecialidadess
From: Claudio Sitya (csitya@zaz.com.br)
Tue, 21 Sep 1999 10:31:54 -0300
Caro Dr. João Batista
Concordo plenamente com as suas colocações. A nossa sociedade de ginecologia
( Sogirgs ), pelo menos em tese pretende difundir esta idéia, sendo este o
tema do editorial do presidente na última edição do jornal.
Infelizmente este fato tem que ser acrescido de duas considerações: as
sub-especialidades visaram a supervalorização de alguns profissionais, e a
tentativa de afastamento da maioria dos ginecolgistas de "suposto"
procedimentos muito complicados para serem realizados por qualquer um...A
maior prova disto é a video-cirurgia ( laparoscopica e histeroscopica ), no
inicio era feita por 2 ou 3, e hoje, pelo menos na nossa cidade, é feita por
no mínimo a metade de nós, tornando-se quase essencial. Além disto a criação
de sub-especialidades levou ao surgimento de sub-sociedades, e eu acho que é
isto que irá solucionar o problema. Pois, com o aumento do número de
associações houve um certo esvasiamento de algumas sociedades, e seus
diretores estão promovendo o retorno de todos os ginecologistas às
sociedades primárias ( se é este mesmo o termo ? ).
Apoio a tua manifestação
Abraços
--
Claudio Sitya
-----Mensagem Original-----
De: João Batista Marinho de Castro Lima <jbmclima@uol.com.br>
Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net>
Enviada em: Terça-feira, 21 de Setembro de 1999 10:07
Assunto: sobre subespecialidadess
> Sérgio,
>
> Já que você tocou no assunto, gostaria de parabenizá-lo por sua colocação
e
> fazer alguns comentários. É um verdadeiro absurdo a
> proliferação das subespecialidades, com sociedades, títulos e tudo o mais.
> Impressionante é que tal processo é totalmente desvinculado do movimento
que
> tem ocorrido no mundo todo, de valorizar os profissionais generalistas que
> devem estar preparados para solucionar a maioria problemas que afligem a
> maioria dos e das pacientes. O Colégio Americano de Ginecologistas e
> Obstetras está incentivando os seus associados a se tornarem os médicos
> primários da mulher, ampliando os conhecimentos para além da ginecologia e
> obstetrícia. Inclusive promove cursos de reciclagem sobre atenção primária
à
> mulher, além de uma campanha para que as pacientes escolham os seus
> ginecologistas como os seus médicos de referência para a entrada no
sistema
> de atenção à saúde. Aliás, a maioria das mulheres americanas preferem que
os
> ginecologistas desempenhem tal papel. Será que nós deveremos ficar parados
> no tempo, sem perceber as mudanças que estão ocorrendo por todo lado? Está
> na hora da FEBRASGO fazer alguma coisa neste sentido e não ficar
> incentivando as subespecialidades.
>
> Pelo andar da carruagem, em pouco tempo o ginecologista/obstetra
generalista
> não estará fazendo mais nada. Se estiver diante de uma paciente com
> incontinência urinária deverá encaminhá-la para um urogineclogista; se
> alguma com um mísero nódulo de mama, para um mastologista; se alguma com
> infertilidade, para um especialista em reprodução humana; e pasmem, se
> alguma estiver com corrimento vaginal deverá ser encaminhada para um
> especialista em DSTs. Se estiver diante de um exame sorológico para
> toxoplasmose com IgG positivo, deverá encaminhar a paciente para um
> especialista em medicina fetal, pois não sabe como interpretar o resultado
> do exame. É o cúmulo da desqualificação para alguém que já é especialista.
>
> João Batista M. C. Lima
> jbmclima@uol.com.br
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Última atualização: Mon May 19 16:38:17 2008