Re: Money always money

From: Thadeu (thadeu@fortalnet.com.br)
Tue, 31 Aug 1999 23:35:32 -0300


Que barra, hein, companheiro? A que ponto chegamos e aonde iremos chegar, só quem (sobre)viver verá! A falta da formação humanística dos médicos, inexistente nos currículos das nossas faculdades de medicina, com certeza, é e irá continuar sendo fator fundamental nesse mau-caratismo que, infelizmente, grassa no interior da nossa categoria, de Norte a Sul do País. O grande Médico - de branco - o finado suicida Pedro Nava precisa ser, urgentemente, resgatado e servir como farol nessa escuridão moral que nos cerca. Abaixo está transcrito um pequeno trecho de um dos seus livros. Foi extraído do 5º volume (Galo-das-Trevas), das suas memórias:

"...Entretanto, se pensássemos na dureza de nossa formação, na nossa vida exposta a todos os contágios, a todas as contingências, na nossa existência mais dada que desfrutada - talvez o COLEGUISMO pudesse ser repouso, angra e garantia - uma posição moral e não a palavra oca que rola vazia por aí. Devíamos ter pena uns dos outros em vez de nos devorar. Mas consola a idéia de que existem os colegas puros de coração e sentimento - os verdadeiros Médicos, homens de branco e de alma branca, glória de uma profissão. Encontrei uns raros dessa qualidade, procurei sua companhia e amizade como honra e proveito para mim. Aqueles de quem estou dizendo mal são a infeliz maioria dos apenas formados em Medicina - mas cuja alma não se elevou acima da sua categoria de homens marrons - nódoa permanente da ARTE."

Francisco Thadeu Lima Chaves CRM (CE) - 3017

>----- Original Message -----
From: José Jacyr Leal Júnior To: Multiple recipients of list OBSTET-L Sent: Tuesday, August 31, 1999 10:28 PM Subject: Money always money

Prezados colegas

Perdoem-me o tamanho da carta mas necessito por favor, do auxílio e da opinião dos amigos sobre o que segue:

Convidei uma colega nossa para vir a minha cidade, Curitiba para em um dia, sábado, palestrar em sua área de especialidade, e na manhã de domingo teríamos uma parte prática, com pacientes em meu serviço. Solicitei no momento do convite da possibilidade de que as inscrições fossem mais baixas do que ela costuma cobrar, pois não tenho finalidade de lucro e sim trazer uma melhor medicina a meus pares (concorrentes). Acertamos um valor de 1/3 da inscrição que atualmente cobra, mas que segundo ela, "para valer a pena sair de sua cidade, queria uma garantia de quinze inscrições". Apesar de que eu não cobro para falar em lugar nenhum, não critico quem acha que esse é o caminho, mesmo para fazer auto-markting. O risco era todo meu = Menos de quinze inscrições, o prejuízo seria meu. " - O que fosse a mais seria da organização do evento", palavras da médica. Iniciada toda a organização e desenvolvimento para que fosse uma festa para todos, não economizei em trabalho e nos custos de local, equipamentos, enfim tudo o que é necessário a um bom evento. Algum tempo após tudo combinado, recebo um fax de seu marido não médico, que intitula-se seu auxiliar-organizador, com uma lista de exigências com 18 itens, intitulando-se Organizador do Curso e impondo valores diferentes do combinado e me permitindo cobrar R$50,00 a mais em cada inscrição para me auxiliar nos custos. Fiz contato telefônico com esse senhor e o comuniquei que não foi isso o combinado com sua esposa (não fiz contrato pois apenas convidei uma médica para falar). Como a lista de exigências constava até mandar mala direta para o Norte e Nordeste, sendo eu de Curitiba, imaginei que fosse engano... Sua resposta foi evasiva dizendo que falaria com sua esposa. Passou a ligar diversas vezes a minha secretária comentando sempre erros em minha organização, fingindo-se alguém interessado no evento etc... Resolvi ignorá-lo em respeito a doutora. Tudo pronto, fiquei sabendo por ela que chegaria a Curitiba na noite de sexta feira, com seu adorável marido não convidado na bagagem. Viriam por sua própria conta e se hospedariam num hotel que ela mesma escolheu. Para minha grata surpresa, houveram 43 inscrições para um tema tão específico. Aderiram ao chamado a grande maioria dos serviços congêneres de Curitiba, alguns do interior do Paraná e até de Santa Catarina. Marcada a hora do encontro, fui receber o casal pessoalmente no hotel e os conduzi ao Encontro. Tudo transcorreu da forma mais perfeita possível e muitos elogios a toda organização. Sr. marido chegou e permaneceu reclamando da mala direta, do certificado, que ele teria feito diferente, etc. etc. etc. Resolvi continuar calado em respeito a doutora e por ser por pouco tempo, apesar que às vezes batia nas suas costas e falava - "puxa que bom que você veio". Pedi a minha esposa que passasse no hotel enquanto não alí retornavam, para pagar toda suas contas, deixar flores, uma lembrança e um bilhete de agradecimento. Fim de festa, diversos elogios dos participantes e pedidos de outros encontros semelhantes, chamei o sr. marido para dar-lhe o cheque do combinado antes que retornassem ao aeroporto. Eu estava cansado mas satisfeito por tudo e claro, por não ter tido prejuizo e conseguindo cobrir a quase totalidade dos custos sem contar o meu trabalho. Vendo o valor das quinze incrições no cheque, a criatura iniciou a vociferação esbravejando que o curso era deles e portanto, deles seriam todas as inscrições. Alegavam os dois que quinze inscrições seriam o mínimo para virem a Curitiba e que o restante a mais, que seria dos organizadores do curso, seriam não as demais inscrições eventualmente obtidas, mas sim o que eu cobrasse a mais em cima do preço combinado por cada inscrito e portanto levariam todo o valor do evento, e que como eu não cobrei a mais sobre o valor das incrições, o problema era meu. Bem amigos isso aconteceu dentro do meu serviço. Pedi a doutora que falaria apenas com ela pois ainda éramos médicos e ele não. Deixei claro que ele não poderia continuar alí. Pediu para que o revistasse etc - baixaria total. Após falar a doutora a sós da minha tristeza em ver a medicina nesse estado de coisas, e se ela pensava que eu teria todo o trabalho que tive e custo, de um evento de auto-promoção dela e de seu serviço, eu seria no mínimo louco. Coloquei que se foi um mal entendido, porque esse mal entendido foi da minha parte e não deles já que falei com seu marido na ocasião do fax listado de exigências, quando poderíamos ter resolvido tudo e não esperar até o final. Não acreditando no que estava acontecendo, pedi a ela um ou dois dias para pensar no assunto, até baixar adrenalina e a tristeza, quando então a contataria para resolvermos como adultos sérios. Sr. marido não aceitou mas colocou rápidamente o cheque no bolso e saiu. No mesmo dia já em sua cidade iniciaram o que deve ser uma tentativa de intimidação com ameaças via e-mail, telegrama urgente e carta registrada, com o título "recebimento do restante" e nome completo do seu advogado. Não aceitou o cheque mas o levou e descontou rápidamente.

Não estou pedindo suporte a minha opinião colegas, mas a doutora insite que - "essa é a realidade em nosso País e conduta corrente em vários serviços e eventos, e inclusive nos serviços mais dinheiristas, ela ainda leva 50% ". Devemos nos calar diante desse tipo de "oferta de conhecimentos" ? Eram os Deuses astronautas ? Estou louco ? Se a medicina está realmente assim em nosso país colegas, eu desisto.

Desculpem mas estou envergonhado.

José Jacyr Leal Júnior Centro de Avaliação Fetal Batel SC Ltda. Curitiba - Paraná - Brasil caf@jacyrleal.com.br http://www.jacyrleal.com.br


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