Re: Fechar peritôneo. Pra que?
From: João Batista Marinho de Castro Lima (jbmclima@uol.com.br)
Mon, 28 Jun 1999 22:27:43 -0300
Este trabalho, por ser relato de caso, perde em evidência científica para os
estudos randomizados controlados. Obviamente o seu valor reside no alerta
quanto a necessidade de hemostasia rigorosa no ato operatório e por ser uma
complicação geralmente rara, deveríamos ficar mais atentos. Acho também que
como o principal benefício do não fechamento do peritôneo é a redução do
tempo operatório, fica a critério de cada um economizar ou não este tempo.
João Batista
jbmclima@uol.com.br
-----Mensagem original-----
De: Rafael Frederico Bruns <r.bruns@sul.com.br>
Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net>
Data: Segunda-feira, 21 de Junho de 1999 22:36
Assunto: Re: Fechar peritôneo. Pra que?
>Na seção de correspondências do Jornal Britânico de GO (Clark AS;
Nonclosure
>of peritoneum at surgery [letter] (Br J Obstet Gynaecol, 1997 Sep)) o autor
>descreve os seguintes casos:
>
>1) Primigesta, 40 anos, submetida a cesárea SEM fechamento de peritôneo. No
>pós-operatório notou-se um aumento na freqüência cardíaca e uma queda na
>pressão arterial. Hemoglobina de 7,3 g/dl, uma queda de 4 g/dl comparando
>com o exame pré-natal. O screening para defeitos de coagulação foi normal.
>Devido a evidência de sangramento intra-abdominal, a paciente foi submetida
>a laparotomia, 2500 ml de sangue foram aspirados da cavidade peritoneal
>junto com certa quantidade de coágulos. Nenhuma evidência de sangramento do
>útero foi encontrada, o sangramento foi identificado em uma pequena artéria
>no reto abdominal, sendo ligada. O abdôme foi fechado, desta vez
fechando-se
>o peritôneo. Não houveram outras intercorrências no pós-operatório.
>
>2) Três anos antes deste caso, uma outra paciente em condições semelhantes
>foi submetida a cesárea COM fechamento de peritôneo. No pós-operatório
>imediato, observou-se uma aceleração na freqüência cardíaca com queda da PA
>e uma massa abdominal dolorosa. Durante laparotomia observou-se um hematoma
>abaixo do reto abdominal. O hematoma foi drenado, o vaso ligado e o abdôme
>fechado. A perda sangüínea foi de 400 ml e não houve hemoperitôneo.
>
>O autor sugere que, o fato de não se ter fechado o peritôneo na primeira
>paciente permitiu um sangramento contínuo assintomático para dentro da
>cavidade peritoneal, resultando em uma perda sangüínea maior. No segundo
>caso o sangramento ficou confinado e foi doloroso, o que permitiu uma
>detecção/tratamento mais precoce, com menor perda sangüínea.
>
>Além disso, cita que no trabalho desenvolvido por Iron e col. (Nonclosure
of
>visceral and parietal peritoneum at caesarean section: a randomized trial.
>Br J Obstet Gynaecol 1996; 103:690-694) reporta-se um caso de
hemoperitôneo,
>onde possivelmente a origem seria a mesma.
>
>Conclui o autor: "It is resonable to advocate expeditious surgery but not
by
>cutting corners at the expense of safety. I would suggest that not closing
>the parietal peritoneum may have been a significant factor in the
>haemoperitoneum that ocurred. We should reconsider nonclosure of the
>peritoneum."
>
>A maioria das pesquisas indica que o não fechamento do peritôneo
>economizaria em torno de 6 minutos da cesárea.
>
>Achei este artigo ocasionalmente enquanto lia a revista na biblioteca da
>faculdade. Achei interessante por ser o primeiro artigo que eu vi colocando
>um ponto negativo no não fechamento do peritôneo. Já li artigos que diziam
>que a dor no pós-operatório era menor, outros dizendo que não havia mudança
>significante nem na dor, nem na morbidade febril.
>
>Espero ter contibuído para a questão.
>
>Um abraço,
>Rafael Frederico Bruns
>Acadêmico PUC-PR
>Webmaster Medlinks - http://www.medlinks.com.br
>
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