Re:Date: Mon, 3 May 1999 19:40:36 -0300

From: João Batista Marinho de Castro Lima (jbmclima@uol.com.br)
Mon, 3 May 1999 19:23:25 -0300


Caro Antônio,

Concordo com as suas ponderações. O nosso objetivo é o nascimento de crianças saudáveis, com mães também saudáveis e felizes. Não se pode deixar de executar um procedimento apenas porque o Ministério da Saúde definiu um limite. Com você mesmo disse, os vícios pélvicos estão relacionados à desnutrição e raquitismo. Mas não é justamente nas classe mais favorecidas, onde não há este problema, que os índices de cesarianas são mais elevados? Concordo que a cesariana é uma cirurgia segura quando bem indicada. Os partos normais bem conduzidos, sem intervenções desnecessárias, são mais seguros ainda, independentemente da técnica da cesariana.

Você acha que todas as mulheres deveriam ter filhos por cesariana? Será este o futuro da obstetrícia como já foi insinuado aqui? Quais as conseqüências para a humanidade, não apenas em termos de complicações físicas, biológicas e anatômicas, se conseguirmos igualar o risco? Mas pensemos em termos antropológicos, sociais, psicológicos. E as conseqüências para as gerações futuras? Já pensamos nisto?

João Batista jbmclima@uol.com.br -----Mensagem original----- De: Antonio Coelho. <acoelho@bluenet.com.br> Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net> Data: Segunda-feira, 3 de Maio de 1999 00:28

>>To: jacoelho@elogica.com.br
>>From: acoelho@bluenet.com.br (Antonio Coelho.)
>>Colegas da lista estou enviando este texto também para a revista veja .
>> Sr Redator.
>>
>> É impressionante como a liberdade de expressão é benfazeja quando o
veículo, age respeitando os criterios éticos, devidamente responsaveis e descontaminados de informações irreais e sobretudo honestas sobre a critica que se faz. Em contraste, é extremamente injusto, mesquinho e por que nào dizer covarde, quando pessoas sentindo-se assenhoreadas pela condição de ter à sua disposiçào , meios para divulgar o que quer e bem entende sobre o que lhe "vem à teia"e tentar formar opinião ao bel-prazer sobre assuntos sérios, tão bem discutidos responsavel e cientificamente por uma classe diga-se de passagem, sacerdotal, trabalhadora, tão diretamente ligada às agruras do nosso povo, formada na sua maioria por pessoas dotadas de referenciais morais em suas comunidades ( a classe médica), com o objetivo quem sabe de se fazer simpático a governantes, ou "ganhar pontos" perante a sociedade como se estivesse com isso prestando serviços ás custas da maculação de uma classe. >> O artigo recentemente publicado na revista VEJA - SAUDE SEM CORTES,
pelo jornalista Eduardo junqueira, quando faz referencias ao declínio do índice de cesariana no Brasil após determinação do ministerio da saude que limitou em 40% do total de partos, as cesarianas que seriam pagas pelos cofres publicos, carece de algumas observações: O índice caiu a 28% aquém portanto do que se esperava. Com certeza, alguns profissionais inescrupulosos deixaram a prática da cesariana pré marcada com o objetivo da laqueadura tubaria transparto e evitou-se que viessem à luz , crianças prematuras, com desconforto respiratório e reduziu com certeza o índice relativo de néo-mortalidade inerente à essa prática. Também deixaram evoluir para parto por via baixa, aquelas pacientes em condições plenas para esta via e deixaram a comodidade dos seus prazeres (finais de semana) em segundo plano, que é o que se espera de qualquer profissional respeitoso aos seus preceitos éticos. Em um ano, a escola m! >édica ou qualquer instituto de pesquisa e ensino universitario em nosso
país, não sofreu modificações que refletissem na melhoria . Acho até que regrediu ,dado pelas reduções de verbas publicas para esses setores. O índice de cesariana pode ser reduzido ainda mais, se quiserem desprezar o aumento do índice de nati e néo-mortalidade em parto por via baixa, após essa imposiçào absurda do ministerio da saude : Limitar índice de procedimento médico. Não tenho estatísticas mas, vez por outra sou surpreendido com extrema tristeza por pacientes que foram por mim acompanhadas no ambulatorio do SUS onde faço acompanhamento pré-natal ( não assisto parto pelo SUS , por direito que me é permitido) e ao indagar na revisão puerperal: >>Como foi seu parto? tudo bem? Está feliz ? Não doutor, "meu filho morreu".
Disseram-me que agora é proibido fazer cesárea. Algumas destas pobres criaturas além do sofrimento inglório , ainda apresentam complicações do parto via baixa que são inúmeras e não vale a pena enumera-las agora. >> Desde que me entendo de gente, toda referencia que se faz a
qualquer padrão Brasileiro em diversas areas, se dá em relação aos Estados Unidos ou a outros paises de "primeiro mundo" , numa demonstração clara da pobreza da nossa auto-estima levando-nos até a ocultarmos as nossas potencialidades. >> Assisto a parto há 26 anos e na grande maioria das vezes são
normais (mãe e concepto saudáveis ), a via indicada é sempre a que traz os melhores benefícios ao binomio feto-materno: Via baixa, fórceps de alívio, manobras, cesáreas, não importa. O objetivo é a vida com qualidade. Cesariana para nós Brasileiros, é uma cirurgia tão simples, de fácil execução, recuperação rápida e com o advento da morfina na anestesia peridural ou raquidiana ( 36 horas de analgesia) nos permite dar alta ãs nossas pacientes com 24 horas , desde que suas funções vitais estejam preservadas tal qual no parto por via baixa. >>Na Índia , é raríssimo por exemplo, a realização de histerectomias por via
abdominal. Fazem-nas preferencialmente por via vaginal e nós brasileiros dominamos muito pouco esta técnica. Cesáreas em paises de primeiro mundo, são cirurgias de grande porte , com incisão longitudinal(aquela que vai da cicatriz umbilical ao pube), os pontos de sutura, são separados em todos os planos cirurgicos, deixam cicatrizes esteticamente feias e o tempo cirúrgico gira em torno de 2 horas. Em tempos de globalização, que venham os primeiro-mundistas ganhar experiencias conosco em cesarianas bonitas e que nós vamos à Índia dominar a técnica da histerectomia vaginal sem prolapso esta , nós dominamos bem). >> 70% das parturientes que vão serviço público em nosso meio , não
passaram por nenhum serviço de assistencia pré-natal. Muitas, já chegam manipuladas e também por não terem tido a generosidade da natureza em fazê-las mães no ambiente dos seus lares. >> Falemos sobre vícios pélvicos(bacias que apresentam acentuada redução
de um ou mais de seus diãmetros ou modificações apreciáveis de forma ). : Um dos grandes fatores responsaveis pelo entrave da passagem do feto pela pelve materna. Esses vícios pélvicos , também variam com a raça . Lazary., averiguou no Rio de Janeiro os seguintes índices : mulheres brancas- 13,24%, mulheres pardas- 18,02% , mulheres pretas - 23,03 % de vícios pélvicos. Existe uma variedade enorme de deformidades de bacia. Autores estrangeiros, apontam o raquitismo como o maior fator responsavel por vícios pélvicos. Pelo que me consta, a fome, é um dos maiores flagelos do nosso país. O acesso às condições mínimas ao exercício da cidadania que é antes de tudo um direito humano , em nosso país , ainda é cerceado às barbas de um governo de formação sociológica. >> Deixemos de hipocrisias . Exerçam senhores governantes os deveres
pátrios que lhes outorgamos através do voto e que tanto ansiamos e a partir daí , cobrem a quem de direito o seu devido papel. >>
>> Antonio Alberto Muniz Coêlho.
>> Medico, TOCO-GINECOGISTA , especialista pela FEBRASGO.
>>
>> Garanhuns PE , 02/05/99.
>>
>


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