Re: De novo

From: Adailton Salvatore Meira (asmeira@zaz.com.br)
Fri, 30 Apr 1999 19:41:02 -0300


Esta é uma mensagem de várias partes no formato MIME.

Parabens Dr Jacyr, mais uma vez com uma manifestacao ponderada!

Realmente a discussao mudou de vetor, passando a um coloquio sobre cesaria x parto normal. Esta comparacao por si soh ja eh dificil, visto o parto ser um FENOMENO FISIOLOGICO, que em mais de 80% dos casos , caso nao atrapalhemos, chega a bom termo. A CESARIA eh uma cirurgia, uma outra classe de procedimento, uma intervencao, uma variante, com um risco conhecido (cirurgico) menor do que o risco presumido do fenomeno fisiologico, quando este se torna patologico.

Para as pacientes, ou melhor, para os casais (e por que nao familias...) muitas vezes nao importa o como termina.... mas que acima de tudo seja uma experiencia POSITIVA, participativa na medida do possivel e que deixe boas lembranças. Boas cicatrizes.....

Agora, se enfocarmos a SITUACAO DA ASSISTENCIA OBSTETRICA NO BRASIL com todos os seus itens e sub-itens, mesclada com o que foi dito acima, fica dificil se chegar a um lugar comum. Sao muitos fatores envonvidos: sociais, economicos, politicos, cientificos, antropologicos, conveniencias, regionalismos, etc

O que esta sendo colocado, eh que o ideal de se eliminar cesarianas DESNECESSARIAS, e isto a maioria dos obstetras sabem avaliar, sabem o que significa, vai implicar em uma diminuicao do numero total de intervencoes. Para o Pais eh interessante (menos gastos), para a populacao tambem, para as cooperativas de medicos, tambem, pois implicaria em maior sobra para os medicos no final do mes....

Ninguem pode dizer que eh normal se ter 80 % ou mais de cesaria em um servico, que isto eh natural... como se tem em muitos hospitais (hospital Sta Joana - Sao Paulo= cesaria 85%).. A OMS em dezembro de 97 sugere que estes indices nao ultrapassem 15% (acho que sera muito dificl, se nao impossivel alcancarmos isto no Brasil)

Isto nao quer dizer que se deva deixar de fazer a cesaria nas suas INDICACOES, pois aih justamente eh que esta na mao do obstetra, levar a um bom resultado o que poderia ser perigoso. Isto eh o bom senso! Ninguem melhor do que o proprio assitente do parto para saber o que acontece no processo, e intervir adequadamente, sempre que indicado. => Que nao alcancamos ainda o situacao que gostariamos.... nao! Que todos nos gostariamos de trabalhar fazendo medicina de primeiro mundo.... sim! Que ainda ha muito que melhorar, requisitar, questionar, solicitar, sugerir, e batalhar.... sim!

Mas, que, acima de tudo, tenhamos a visao maior que o horizonte que nos mostra o momento, nao caiamos em reducionismos ou simplificacoes do que eh complexo.... e nunca esquecamos que sempre que damos o melhor de nos mesmos, alem de ter a consciencia tranquila, nossos pacientes percebem isto, e mesmo face a um resultado diferente do esperado, eles vao continuar do nosso lado.

abracos normais e cesaricos!

--
Adailton Salvatore Meira
Campinas - SP

José Jacyr Leal Júnior escreveu:

> Prezados Colegas > > Minha crítica a reportagem da revista Veja foi com relação a forma > leviana com que somos mensionados insistentemente pela mídia. Não quis > em momento algum reiniciar a discussão sobre parto x cesárea, > inclusive comuniquei isso. Nem um nem outro lado está totalmente certo > porque são muitas as variáveis de atendimento ao parto: Normal via > baixa ou Normal via alta. > > Porém com o teor das respostas não me contenho e quero citar dois > fatos: > > 1. Realizei um parto cesáreo sem cobrar, numa mulher muito simples a > pedido de um amigo, num hospital no litoral do estado há 4 anos. > GV PIV já com colpoperineo realizada e laqueada (engravidou c/ a > laq) Além disso o motivo da cesarea era também refazer a laq e > corrigir a imensa cicatriz obliqua e irregular que a Laq anterior > deixou. Fui até aquela cidade com um amigo pediatra. Já de inicio > perguntei ao médico clinico, anestesista, diretor do hospital, > vereador etc etc etc, se não ia instalar o soro antes da > peridural já que iniciava o ato anestésico. Ele prontamente > perguntou porque e com a resposta demonstrou alegria em descobrir > "porque as pacientes sempre desmaiavam nessa parte". Na seqüência > se protificou a me auxiliar. Para minha surpresa o campo > cirúrgico não alcançava o joelho da gestante. Paciente bloqueada, > campinhos colocados, só me restou iniciar o procedimento evitando > que compressas que tocavam o joelho peludo da paciente voltassem > ao campo cirurgico apesar da insistenia nisso por parte do meu > auxiliar. Só para terminar ele me contou durante o ato o porque > da laq. frustra: " - Fiz um quetalar após o parto e depois de > laquear uma trompa a bicha estribuchou na mesa e eu fechei. Não > disse que só liguei uma trompa porque ela já me havia pago..." > Obs. Das regionais de maior índice de mortalidade materna está o > litoral. > 2. As cesáreas realizadas em muitas cidades européias e norte > americanas AINDA HOJE, são cirurgias de grande porte com > anestesia geral, entubação, sonda vesical, incisão mediana pontos > separados em todos os planos cirúrgicos com duração média de duas > horas e internamento por 10 dias. Alias verifiquei isso em 1988 e > ao retornar em outubro passado para uma visita me dei conta que > não evoluiram nada, apenas o internamento em 1988 era 15 dias pós > cesárea e 7 dias pós parto. Assim na Espanha, Alemanha e segundo > informações França etc. Na alemanha os médicos sequer realizam > períneo e dizem às pacientes que a vagina é para isso mesmo. > Respondi a ele que aqui no Brasil temos outras funções para ela. > > Faço cesáreas há 15 anos trocando novas piadas com a paciente enquanto > operamos numa duração média de 30 minutos, incisão pfanestiel, sem > lesão muscular como é praxe numa episiotomia, fetos com "certificado > de maturidade" hospital equipado com o que há de melhor em suporte a > anestesia e berçario. Na minha estatística tive até hoje dois > hematomas em subcutâneo que necessitaram drenagem e uma infecção > superficial nos pontos quando iniciei sutura intradermica e ainda > mantinha sem curativo. > > Desculpem a auto menção mas só quero mostrar que opinar sobre > estastíticas de complicações de cesáreas, temos que saber em quais > cesáreas, quais condições, onde, após quantas horas de trabalho de > parto ? quais condições de complicabilidade. Etc etc etc... e com > todas as dificuldades existentes em nosso País temos que parar de > discutir coisas pequenas (ou bem pequenas como o sexo dos anjos) e > procurar dar o melhor de cada um de nós a nossas pacientes. > > Um abraço > > José Jacyr Leal Júnior > > Centro de Avaliação Fetal Batel SC Ltda > > Curitiba – Paraná – Brasil > > Caf@jacyrleal.com.br > > http://www.jacyrleal.com.br >


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