Re: Revista Veja
From: Josiane de Castro (josiane@westodissey.com.br)
Wed, 28 Apr 1999 22:12:48 -0300
Caro colega Joao Batista
Nem por um instante tentei passar a ideia de que a cesariana é um
procedimento melhor ou mais facil,com menores risco ,muito pelo
contrario,tenho tentado de todas as formas orientar as
pacientes,principalmente as da clinica particular a optarem pelo parto
normal,e tenho conseguido remove-las da ideia que cesarea é melhor.Acredito
que com uma boa orientaçao,possamos com certeza aumentar o nosso numero de
partos.Eu fico é muito indignada com pessoas,reporteres e as vezes ate
colegas que nunca trabalharam num interior e que colocam nós medicos como
verdadeiros bandidos .
-----Mensagem original-----
De: João Batista Marinho de Castro Lima <jbmclima@uol.com.br>
Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net>
Data: Quarta-feira, 28 de Abril de 1999 20:10
Assunto: Re: Revista Veja
>Eu concordo em parte com o que foi dito aqui. Considero o médico
brasileiro,
>com algumas exceções, sim um herói, devido às condições de trabalho que tem
>de enfrentar. Mas daí a justificar o aberrante número de cesarianas no
>Brasil, é outro problema.
>
>Se o parto por cesariana fosse seguro em todos os momentos, quando
comparado
>ao parto normal, o Brasil deveria estar em primeiro lugar no mundo em
baixos
>índices de mortalidade materna e perinatal, pois é o primeiro em cesariana.
>A cesariana é uma cirurgia segura quando bem indicada, assim como qualquer
>outra cirurgia. Os riscos e complicações não são poucos. Basta consultar a
>literatura científica. Entretanto, quem acha que cesariana é mais segura
que
>parto normal, deve publicar dados científicos que provam isso e a partir
daí
>nós poderemos abolir o parto normal na espécie humana e todos deverão
nascer
>por cesariana.
>
>O alto índice de cesarianas no Brasil não está ligado apenas às condições
de
>trabalho dos médicos, mas também a questões econômico-financeiras,
>comodidade (médicos e pacientes) e ausência de uma revisão na maneira como
>são estruturados os serviços de assistência ao parto, onde a mulher na
>maioria das vezes é deixada sozinha e abandonada e sem a presença de alguém
>que a conforte e lhe dê segurança (familiar ou amiga), submetidas a uma
>série de procedimentos que carecem de eficácia científica (ex. episiotomia
>de rotina) entre outros. Que coisa mais absurda alguém ter que montar na
>barriga de uma mulher para uma criança nascer!!.
>
>São justamente as mulheres de nível sócio-econômico elevado que têm mais
>condições de ter um parto normal seguro que são submetidas a cesarianas
>pelas razões já relatadas acima. Se nós, obstetras, não tivermos condições
>de acompanhar e assistir a um parto normal por medo da família, do juiz,
da
>polícia, da imprensa ou de qualquer quem seja, deveríamos abandonar a nossa
>prática e nos dedicar a outras coisas mais amenas.
>
>Este conceito de que todos os seres humanos devem nascer perfeitos e sem
>problemas tem influências eugênicas e é perigoso para a espécie humana. Com
>certeza o que nós todos queremos é que todas as crianças nasçam saudáveis e
>que suas mães também permaneçam saudáveis e felizes antes, durante e após o
>parto. Isto inclui também todo o núcleo familiar. Tal objetivo,
>provavelmente não pode ser alcançado na sua totalidade, mas podemos chegar
>perto. Eu tenho certeza que isto pode ser conseguido com o parto normal,
>reservando-se a cesariana para as indicações de praxe, balanceando aqui o
>risco para a criança com o risco para a mãe.
>
>Os países que possuem as mais baixas taxas de cesariana no mundo, são
>justamente aqueles que possuem sistemas de assistência ao nascimento mais
>humanizados, onde os direitos das mulheres são mais respeitados e onde as
>mesmas podem opinar de forma livre, consciente e bem informada como querem
>ter os seu filhos. São também os países com menores índices de mortalidade
>materna e perinatal.
>
>João Batista Marinho de Castro Lima
>Ginecologista e Obstetra
>Belo Horizonte - MG
>jbmclima@uol.com.br
>
>-----Mensagem original-----
>De: Dr. Olidio Vaz Primo <olidio@net21.com.br>
>Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net>
>Data: Quarta-feira, 28 de Abril de 1999 17:37
>Assunto: Re: Revista Veja
>
>prezados colegas. Há vinte anos eu lutava na associação medica para que
>tivessemos representa-
>ção politica e juridica ativa, fui voto vencido pois aquela só poderia ser
>cientifica. A OAB não pensa
>assim e é forte. O medico fica abandonado aos abutres da imprensa, sendo
>condenado em praça
>publica antes do julgamento.Isto graças a nossa desunião.Cesarea demais há,
>não resiste a qual-
>quer discussão. O que não se pode instituir um indice para o Brasil
>inteiro.Comparar a Europa
>as cidades de nosso interior é um absurdo, onde o medico faz a anestesia,
>opera e cuida do RN
>A LEI HERODES dos 30% foi baixada porque nossa representação politica é
>zero. A febrasgo e
>os pediatras lutaram por ela Durante isso tudo calamos e concordamos a
>espera da degola.
>Poso falar pois fiquei sozinho todo este tempo. Posso falar pois fiz mais
de
>quinze mil partos,
>e senti nas carne todo medo que nossa colega dra josiane aqui disse. Sei
>como é dificil ser julgado em questão medica por leigos. Colhemos o que
>plantamos. A Amelia está morta falta-nos enterra-la
>
>> ----- Original Message -----
> From: José Jacyr Leal Júnior
> To: Multiple recipients of list OBSTET-L
> Sent: Wednesday, April 28, 1999 12:57 PM
> Subject: Re: Revista Veja
>
> Já mandei. Falta saber se vão publicar.
>
> Jacyr
>
> -----Mensagem original-----
> De: Thomaz Rafael Gollop <trgollop@usp.br>
> Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net>
> Data: Quarta-feira, 28 de Abril de 1999 10:04
> Assunto: Re: Revista Veja
>
> ALEM DE PARABENS, MANDE SUA CARTA P/ VEJA
> THOMAZ GOLLOP
>
> gineco@gineco.com.br escreveu:
>
> Parabéns José Jacyr Leal Júnior
> Pela sua opinião e coragem de torná-la pública.
>
> Dr. Sergio P. Ramos
> sergio.ramos@obgyn.net
>
> http://latina.obgyn.net
>
> -----Mensagem original-----
> De: José Jacyr Leal Júnior <caf@jacyrleal.com.br>
> Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net>
> Data: Terça-feira, 27 de Abril de 1999 22:32
> Assunto: Revista Veja
>
> Prezados colegas
>
> Não quero polemizar novamente com esse assunto mas a forma como somos
> tratados pela mídia merece algum comentário e gostaria da opinião dos
> colegas sobre a reportagem da revista Veja. Aqui não vem ao caso de
>quem é a
> favor disso ou daquilo mas sim de sermos nós médicos constantemente
> criticados. Segue minha resposta ao editor de Veja:
>
> O médico brasileiro é um herói. Erra algumas vezes, como o repórter
da
> revista Veja que pré julga os médicos em "Sem cortes". A cesárea
>possível no
> Sus, com os meios atuais oferecidos, realmente torna o parto natural
>mais
> seguro. Mas no Brasil das diferenças, a medicina evoluiu muito e o
>alto
> índice de cesáreas existe, entre outros motivos, porque fora do Sus,
o
>parto
> operatório hoje é mais seguro. Muito diferente de lugares
considerados
> primeiro mundo, onde ainda é cirurgia de grande porte. Falar que
parto
> normal tem mínimos riscos é cometer o mesmo erro dos norte americanos
>que ao
> afirmar isso, foram todos levados aos tribunais por "erros" que
>muiitas
> vezes eram complicações dos partos "normais". Afinal eles não eram
> tranqüílos?
>
> José Jacyr Leal Júnior
> Centro de Avaliação Fetal Batel SC Ltda
> Curitiba - Paraná - Brasil
> caf@jacyrleal.com.br
> http://www.jacyrleal.com.br
>
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Última atualização: Mon May 19 16:37:23 2008