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Re: Revista VejaFrom: João Batista Marinho de Castro Lima (jbmclima@uol.com.br)Wed, 28 Apr 1999 19:56:52 -0300
Eu concordo em parte com o que foi dito aqui. Considero o médico brasileiro, com algumas exceções, sim um herói, devido às condições de trabalho que tem de enfrentar. Mas daí a justificar o aberrante número de cesarianas no Brasil, é outro problema. Se o parto por cesariana fosse seguro em todos os momentos, quando comparado ao parto normal, o Brasil deveria estar em primeiro lugar no mundo em baixos índices de mortalidade materna e perinatal, pois é o primeiro em cesariana. A cesariana é uma cirurgia segura quando bem indicada, assim como qualquer outra cirurgia. Os riscos e complicações não são poucos. Basta consultar a literatura científica. Entretanto, quem acha que cesariana é mais segura que parto normal, deve publicar dados científicos que provam isso e a partir daí nós poderemos abolir o parto normal na espécie humana e todos deverão nascer por cesariana. O alto índice de cesarianas no Brasil não está ligado apenas às condições de trabalho dos médicos, mas também a questões econômico-financeiras, comodidade (médicos e pacientes) e ausência de uma revisão na maneira como são estruturados os serviços de assistência ao parto, onde a mulher na maioria das vezes é deixada sozinha e abandonada e sem a presença de alguém que a conforte e lhe dê segurança (familiar ou amiga), submetidas a uma série de procedimentos que carecem de eficácia científica (ex. episiotomia de rotina) entre outros. Que coisa mais absurda alguém ter que montar na barriga de uma mulher para uma criança nascer!!. São justamente as mulheres de nível sócio-econômico elevado que têm mais condições de ter um parto normal seguro que são submetidas a cesarianas pelas razões já relatadas acima. Se nós, obstetras, não tivermos condições de acompanhar e assistir a um parto normal por medo da família, do juiz, da polícia, da imprensa ou de qualquer quem seja, deveríamos abandonar a nossa prática e nos dedicar a outras coisas mais amenas. Este conceito de que todos os seres humanos devem nascer perfeitos e sem problemas tem influências eugênicas e é perigoso para a espécie humana. Com certeza o que nós todos queremos é que todas as crianças nasçam saudáveis e que suas mães também permaneçam saudáveis e felizes antes, durante e após o parto. Isto inclui também todo o núcleo familiar. Tal objetivo, provavelmente não pode ser alcançado na sua totalidade, mas podemos chegar perto. Eu tenho certeza que isto pode ser conseguido com o parto normal, reservando-se a cesariana para as indicações de praxe, balanceando aqui o risco para a criança com o risco para a mãe. Os países que possuem as mais baixas taxas de cesariana no mundo, são justamente aqueles que possuem sistemas de assistência ao nascimento mais humanizados, onde os direitos das mulheres são mais respeitados e onde as mesmas podem opinar de forma livre, consciente e bem informada como querem ter os seu filhos. São também os países com menores índices de mortalidade materna e perinatal. João Batista Marinho de Castro Lima Ginecologista e Obstetra Belo Horizonte - MG jbmclima@uol.com.br -----Mensagem original----- De: Dr. Olidio Vaz Primo <olidio@net21.com.br> Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net> Data: Quarta-feira, 28 de Abril de 1999 17:37 Assunto: Re: Revista Veja prezados colegas. Há vinte anos eu lutava na associação medica para que tivessemos representa- ção politica e juridica ativa, fui voto vencido pois aquela só poderia ser cientifica. A OAB não pensa assim e é forte. O medico fica abandonado aos abutres da imprensa, sendo condenado em praça publica antes do julgamento.Isto graças a nossa desunião.Cesarea demais há, não resiste a qual- quer discussão. O que não se pode instituir um indice para o Brasil inteiro.Comparar a Europa as cidades de nosso interior é um absurdo, onde o medico faz a anestesia, opera e cuida do RN A LEI HERODES dos 30% foi baixada porque nossa representação politica é zero. A febrasgo e os pediatras lutaram por ela Durante isso tudo calamos e concordamos a espera da degola. Poso falar pois fiquei sozinho todo este tempo. Posso falar pois fiz mais de quinze mil partos, e senti nas carne todo medo que nossa colega dra josiane aqui disse. Sei como é dificil ser julgado em questão medica por leigos. Colhemos o que plantamos. A Amelia está morta falta-nos enterra-la
> ----- Original Message ----- Já mandei. Falta saber se vão publicar. Jacyr -----Mensagem original----- De: Thomaz Rafael Gollop <trgollop@usp.br> Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net> Data: Quarta-feira, 28 de Abril de 1999 10:04 Assunto: Re: Revista Veja ALEM DE PARABENS, MANDE SUA CARTA P/ VEJA THOMAZ GOLLOP gineco@gineco.com.br escreveu: Parabéns José Jacyr Leal Júnior Pela sua opinião e coragem de torná-la pública. Dr. Sergio P. Ramos sergio.ramos@obgyn.net -----Mensagem original----- De: José Jacyr Leal Júnior <caf@jacyrleal.com.br> Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net> Data: Terça-feira, 27 de Abril de 1999 22:32 Assunto: Revista Veja Prezados colegas Não quero polemizar novamente com esse assunto mas a forma como somos tratados pela mídia merece algum comentário e gostaria da opinião dos colegas sobre a reportagem da revista Veja. Aqui não vem ao caso de quem é a favor disso ou daquilo mas sim de sermos nós médicos constantemente criticados. Segue minha resposta ao editor de Veja: O médico brasileiro é um herói. Erra algumas vezes, como o repórter da revista Veja que pré julga os médicos em "Sem cortes". A cesárea possível no Sus, com os meios atuais oferecidos, realmente torna o parto natural mais seguro. Mas no Brasil das diferenças, a medicina evoluiu muito e o alto índice de cesáreas existe, entre outros motivos, porque fora do Sus, o parto operatório hoje é mais seguro. Muito diferente de lugares considerados primeiro mundo, onde ainda é cirurgia de grande porte. Falar que parto normal tem mínimos riscos é cometer o mesmo erro dos norte americanos que ao afirmar isso, foram todos levados aos tribunais por "erros" que muiitas vezes eram complicações dos partos "normais". Afinal eles não eram tranqüílos? José Jacyr Leal Júnior Centro de Avaliação Fetal Batel SC Ltda Curitiba - Paraná - Brasil caf@jacyrleal.com.br http://www.jacyrleal.com.br
Administrador da lista: flavio.monteiro.desouza@obgyn.net Solicitações à lista: obstet-l-request@obgyn.net Última atualização: Mon May 19 16:37:22 2008 |
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