Re: Diastole zero no doppler

From: José Jacyr Leal Júnior (caf@jacyrleal.com.br)
Tue, 27 Apr 1999 22:00:00 -0300


Prezados colegas

Ausência de fluxo durante a diástole cardíaca significa que o território irrigado por aquele vaso (qualquer)possúi uma resistência elevada o suficiente para não permitir fluxo sanguíneo naquela fase. Quando reversa, a resistência é tão importante que o fluxo retorna no vaso quando cessa a pressão da sístole, provocando uma onda negativa no sonograma.

A cerebral média durante o primeiro trimestre comumente apresenta fluxo diastólico zero (ié, ausência de fluxo no vaso durante a diástole) devido a maior resistência oferecida ao fluxo pelo parênquima cerebral fetal ainda pouco desenvolvido. Com crescimento do cérebro fetal, a CM tende a apresentar algum fluxo durante o período diastólico porém em situação normal, não inferior a IR 0.70

As umbilicais apresentam diástole zero naturalmente no inicio da gestação devido a uma alta resistência ao fluxo sanguíneo proporcionado por um sistema vilositário pouco desenvolvido. Com o evoluir da gestação as vilosidades placentarias aumentam em número e em superfície placentaria de trocas diminuindo muito a resistência, fazendo com que o fluxo de sangue "lançado" pelo coração fetal em direção a placenta percorra seu caminho durante o pulso sistólico fetal e ainda mantenha fluxo importante em direção a placenta mesmo durante a fase diastólica, num processo de suficiente aporte de nutrientes e oxigênio a um feto cada vez maior e mais exigente.

É fácil então entender que por algum motivo haja, com o avançar da gestação, uma destruição acelerada das vilosidades placentárias aumentando a resistência ao fluxo do sangue interviloso, diminua o fluxo durante a diástole até atingir um ponto de elevada resistência ao fluxo zerando o mesmo durante essa fase = Diástole zero.

Quando as trocas estiverem comprometidas o suficiente para o feto, ele se defende de várias maneiras e uma delas é o aumento do fluxo na cerebral média baixando de 0.70 o IR

Um abraço

José Jacyr Leal Júnior Centro de Avaliação Fetal Batel SC Ltda Curitiba - Paraná - Brasil caf@jacyrleal.com.br http://www.jacyrleal.com.br

-----Mensagem original----- De: KARLA SEABRA <jeduardo@nlink.com.br> Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net> Data: Segunda-feira, 26 de Abril de 1999 23:19 Assunto: Re: Diastole zero no doppler

>At Wed, 11 Mar 1998, Christian Sgarbi wrote:
>>
>>Diástole Zero na artéria cerebral média (ACM) não significa nada, e é
comum >>até a 25a semana do feto. Diástole zero na Artéria Umbilical significa
>>insuficiência feto-placentária (DIP II tardio) e está relacionada com
>>hipoxemia com sofrimento fetal crônico, CIUR tipo simétrico e morte fetal.
>>Esta última é muito comum em fetos com anomalias cromossomiais sem
>>"comprometimento" devido a sua formação placentária primitiva.
>>
>>[]'
>>Christian
>>
>>At 19:36 11/03/98 -0600, you wrote:
>>>Caros colegas da lista.
>>>
>>> Gostaria de saber sobre a analise de diatole zero em arteria
>>>cerebral e umbilical no doppler, com o significado de comprometimento
>>>fetal.
>>>
>>>Obrigado.
>>>
>>>Antonio Gadelha
>>>Campina Grande - PB.
>>>e-mail: gadelha@paqtc.rpp.br
>>>
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Última atualização: Mon May 19 16:37:22 2008