Re: Acidente da prática médica.

From: IRACEMA TEIXEIRA (cemara@rio.nutecnet.com.br)
Thu, 1 Apr 1999 12:14:25 -0300


Apesar de ser psicóloga, mantenho parceria com vários médicos em virtude de minha prática clínica, portanto reitero, em termos absolutos, o que o caro colega ressalta. A discussão não passa pela questão o dito erro médico, mas sim pela política de saúde empregada nesse país. Atenciosamente, IRACEMA TEIXEIRA CRP/RJ -----Mensagem original----- De: Sergio P. Ramos <sergioramos@gineco.com.br> Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net> Data: Quinta-feira, 1 de Abril de 1999 10:22 Assunto: Acidente da prática médica.

>O profissional médico deve ser o único responsável por erros médicos ?
Pergunta do Jornal do Médico, Associação Paulista de >Medicina, Regional São José dos Campos )
>
>Em primeiro lugar eu quero enfatizar que, pelo menos na comunidade médica,
a palavra erro médico deveria ser erradicada. Criada pela >mídia e usada em profusão pelos clientes e juristas, esta palavra é uma
aberração pois significa que HOUVE erro antes mesmo de sua >avaliação e julgamento, direito constitucional de cidadania. Prefiro a
palavra acidente da prática médica. Tal como acidente de >trânsito, acidente de aviação, acidente de trabalho. Nestas áreas de
atuação é claro que o acidente, mesmo causando mortes ou lesões >graves, tem um índice de acidentalidade, e pode ou não ter sido causado
pelo agente. >No caso do acidente da prática médica, também existem índices de
acidentalidade que devem ser investigados exaustivamente até a >conclusão de suas causas. Muitas vezes são provocados, agora sim, por erro
do médico, erro da instituição, erro do paciente - ao não >obedecer à prescrição do tratamento, ou simplesmente por falta de recursos
na comunidade. Responsabilizar somente o médico é ato de >pura covardia pois ele é o lado mais fraco da corda. Por outro lado existe
uma preocupação muito grande em CULPAR os agentes, no >caso os médicos, sem a investigação detalhada das causas, única maneira
científica de diminuir o índice de acidentalidade médica. >Esta deveria ser a preocupação primordial da sociedade médica e da
sociedade como um todo. Fatores acessórios como má formação >médica, proliferação de escolas médicas, carga de trabalho exagerada por má
remuneração, ausência de especialistas, falta de >equipamentos nos hospitais e pronto-socorros, e tantos outros deveriam ser
estudados pela sociedade médica e colocados para a >sociedade em geral como a realidade que temos. Saúde é responsabilidade da
sociedade sendo o médico um de seus agentes e não o >inverso como, maldosamente, tem se procurado nos imputar.
>Dr. Sérgio dos Passos Ramos
>CRM.SP 17178
>


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