Re: disturbios comportamental (p. ex. depressão) no

From: IRACEMA TEIXEIRA (cemara@rio.nutecnet.com.br)
Tue, 30 Mar 1999 07:45:27 -0300


Caro colega, Conforme breve histórico, podemos supor que sua pc esteja revivendo, de forma inconsciente, conflitos associados à perda de sua "matriz relacional" (orfandade). Apesar da família substituta ter-lhe amparado, é provável que estejam emergindo temores quanto às circeunstâncias da morte de sua genitora. Além disso, tal pc vive uma dupla transição: a passagem de um corpo adolescente para um corpo adulto (no sentido somático-emocional), acompanhada da gravidez, que implica em alterações profundas em ambos aspectos. Quanto à indicação do parto, sugiro que seja discutido com a pc, a fim de que a escolha seja a menos ansiogênica. O suporte psicológico é fundamental e contribuiria para essa escolha, visto que o parto poderá suscitar fantasias de morte em virtude de sua história. Como sou psicóloga, o uso de um antidepressivo fica a critério médico, que em parceria com um psicoterapeuta podem discutir o mais apropriado; talvez seja necessário, dependendo da intensidade da crise vivida pela pc. O uso de fitoterápico ou medicação homeopática poderá ajudar. Considero que o acompanhamento psicoterápico fundamental, até como medida preventiva quanto ao puerpério. Espero ter contribuido, desejo que tudo corra bem. Encontro-me à disposição para qualquer ajuda. Um abraço IRACEMA TEIXEIRA CRP/RJ -----Mensagem original----- De: JOSE LUIS QUELHO <quelho@auanet.com.br> Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net> Data: Domingo, 28 de Março de 1999 16:15 Assunto: Re: disturbios comportamental (p. ex. depressão) no

>Cara colega Iracema
>
>Tenho observado que com uma certa frequência apresenta-se gestante com
>maiores ou menores dist. psicologico na perido gestacional que apesar
>de tudo não interferem diretamente no transcurso da gestação e/ou parto,
>entretanto, estou atualmente acompanhando uma gestante que tem me
>trazido uma preocupação maior. A mesma apresenta a sequinte historia:
>encontra-se no 31a. semana gestacional, idade: 18 anos, orfã de pai e
>mãe, segundo consta a mãe faleceu durante o parto da mesma, tendo sido
>adotada, tinha uma excelente relacionamento com a mãe adotiva e
>familiares até a gestação, relaciona-se bem com o marido, estão casados
>há 9 meses, um mês antes de engravidar, engravidou voluntariamente,
>gosta de criança. Com a gravidez seu comportamento alterou com
>irritabilidade, nervosismo, choro facil, frequentemente é hospitalizada
>em virtude de dor abdominal pelvica - sem causa aparente, trocou varias
>vezes de médico, incompatibilizou-se com sua mãe e parentes mais
>proximos. Será que um suporte psicologico seria o suficiente para
>atender as necessidade desta gestante. Qual o melhor parto nesta
>situação ??? Se tivesse que prescrever alguma medicação antidepressiva o
>que vc. faria ? Alquma vezes vc. fez uso de fitoterapico (p. ex.:
>Kava - Kava)para gestantes ansiosas os resultados foram bons ?
>Gostaria que os colegas que tivessem experiência nesta area pudessem se
>manisfestar. Mais uma vez agradeço-lhes a cooperação.
>
>Jose Luis Quelho
>CRMMS - TEGO
>Aquidauana - MS
>
>tendo emna At Sun, 28 Mar 1999, IRACEMA TEIXEIRA wrote:
>>
>>-----Mensagem original-----
>>De: JOSE LUIS QUELHO <quelho@auanet.com.br>
>>Para: Multiple recipients of list <obstet-l@talk.obgyn.net>
>>Data: Sexta-feira, 26 de Março de 1999 23:49
>>Assunto: disturbios comportamental (p. ex. depressão) no transcurso
>>gestacional
>>
>>>Qual sua conduta ?
>>>Agradeço sua colaboração. Sem mais, atenciosamente
>>>
>>>Jose Luis Quelho
>>>CRMMS - TEGO
>>>Aquidauana - MS
>>>Caro colega,
>>No período de gestação, as profundas transformações biológicas vêm
>>acompanhadas de intensas alterações psicológicas. Em uma perspectiva
>>somático-emocional, a gravidez significa uma fase de reorganização de
vida, >>em um sentido mais amplo. Remete, tanto a gestante quanto o parceiro às
>>questões afetivas vividas ao longo de toda a vida. E, as vezes, gestar
pode >>significar uma transição na qual a mulher não está madura o suficiente
para >>suportar, daí se estabelecer uma crise, que pode ser traduzida por uma
>>depressão ou qualquer outro sintoma, já que está denunciando,
provavelmente, >>algum aspecto da relação que esta mulher estabeleceu com sua própria mãe
>>quando criança.
>>A minha sugestão é de um acompanhamento psicoterápico, em parceria com o
>>médico responsável, a fim de serem trabalhadas as questões relacionadas à
>>depressão, que por sua vez, pode estar camuflando um grande medo de
assumir >>a responsabilidade de cuidar de alguém (por não ter aprendido), abrir mão
de >>vários elementos que compõem o momento atual de vida ou mesmo significar
>>"entrar" na adultez. Enfim, engravidar, em geral, remete a mulher à
relação >>vivida com sua própria mãe(ou equivalente): como foi recebida,
reconhecida, >>amparada, desejada ao nascer e durante todo o seu desenvolvimento?
>>A depressão é uma resposta a uma transformação somático-emocional profunda
>>que essa mulher esta vivendo, e que não esta sabendo lidar. Quais são seus
>>temores? suas angústias? suas fantasias? O que ela acha que pode
acontecer? >>Eu, pessoalmente, trabalharia com os sentimentos que estão presentes,
>>aprofundando gradativamente, até tocar no provável núcleo.
>>Caso nessecite de mais alguma informação, ajudaria maiores informações
>>sobre a paciente: idade, breve histórico familiar, se a gravidez foi
>>planejada ou não, como está a relação com o parceiro (caso tenha),
fantasias >>e expectativas a respeito de como será o futuro, etc.
>>Geralmente, um bom trabalho psicoterápico atenderia sobremaneira a demanda
>>da paciente, bem como de seu médico.
>>Um grande abraço e espero ter colaborado de alguma forma.
>>IRACEMA TEIXEIRA
>


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