Re: En: vasectomia/ recanalizaçao natural pós vasectomia

From: JOSE LUIS QUELHO (quelho@auanet.com.br)
Mon, 8 Mar 1999 19:42:46 -0600 (CST)


At Sun, 7 Mar 1999, Sergio P. Ramos wrote: >
>Prezados colegas da lista:
>Estou ajudando o colega abaixo para sua defesa junto a justiça. A necessidade é de trabalhos que mostrem aos juizes e advogados que
>PODE haver recanalização e que isto INDEPENDE da vontade ou da perícia do médico assitente. Caso alguém tenha alguma referência
>favor encaminhar para mim para eu dar o destino.
>
>--
>____________________________
>Dr. Sergio Ramos
>____________________________
>Sao Jose dos Campos SP Brasil
>Visite a pagina de ginecologia:
>http://www.gineco.com.br
>
>-----Mensagem original-----
>Data: Domingo, 7 de Março de 1999 10:44
>Assunto: vasectomia/ recanalizaçao natural pós vasectomia
>
>Realizei vasectomia , após 1 ano e 3 meses o paciente apresentou espermograma positivo. Com isso estou sendo processado, solicito
>se possível material sobre:
>-recanalização natural pós vasectomia
>-estatíticas sobre recanalização natural
>-canais deferentes anomalos
>-outros assuntos referentes ao caso supra citado
>
> Agradeço desde já
>
> Cirurgião geral
>

A vasectomia é um dos métodos anticoncepcionais mais eficazes, apresentando taxas de gravidez semelhantes aquelas da esterilizaçõ feminina e inferiores aquelas dos metodos reversíveis. Estudos amplos revelaram taxas de falha que variavam de 0 a 2,2 por cento, e a maioria dos estudos reveelaram taxas inferiores a 1,0 por cento. Enquanto outros metodos anticoncepcionais são atualmente avaliados com base no número de gestações, por 100 mulheres, depois de um ano de uso, ou por 100 anos-mulher, a maioria dos estudos sobre a vasectomia registram apenas o número de gestações por 100 intervenções. Isto torna a comparação com outros metodos dificil, mas a vasectomia é claramente um metodo altamente eficaz. A falha da vasectomia deve-se em geral: - ao coito desprotegido antes de que o trato reprodutivo se encontre livre de espermatozóide, - à recanilização espontânea do deferente - à secção e oclusão de estruturas errônea, durante a cirurgia, - e, mais raramente, à duplicidade congênita do deferente, que não é percebida durante a intervenção.

O coito desprotegido, precocemente depois da vasectomia, é considerado como uma causa frequente da gravidez pós vasectomia. Todos os clientes de vasectomia devem ser claramente advertidos sobre o problema ae instruídos a utilizar condons ou outros anticoncepcionais. A recanalização espontânea, ou junção do deferente é, em geral, uma decorrência da formação de um granuloma espermatico, que é uma resposta inflamatória ao extravasamento de espermatozóid do coto deferencial. Formam-se pequenos canais no interior do granuloma. Esporadicamente, esses canalículos podem ligar as duas estremidades do deferentes, ou formar um duto entre os dois cotos, permitindo à passagem de espermatozóide pelo deferente, até o liquido seminal. A recanalização espontânea pode ocorrer de 3 a 4 meses depois da cirurgia e já foram registrados casos de recanalização espontânea tardia até 2 ou 3 anos após a operação. A recanalização nem sempre é permanente. O tecido cicatricial pode obstruir os canaliculos do granuloma e o homem torna-se novamente esteril. A tecnica da vasectomia empregada pode afetar as possibilidades de recanalização espontânea, mas não foram feitos ainda estudos comparativos controlados. A simples ligadura do deferente, mesmo se os cotos forem flexionados e imobilizados por sutura, resultará provavelmente em recanalização, pois é frequente o aparecimento de granuloma espermaticos. A interposição de fascia, derivada da bainha do canal, entre os dois cotos, pode reduzir o numero de falhas, mas não elimina completamente. Numa serie de mais de 4 200 vasectomias, Stanwood Schmidt registrou cinco falhas nos primeiros 150 casos, quando ser fazia simplesmente a ressecção e a ligadura do deferente. Por outro lado, não houve nenhum caso de falha registrado em mais de 4 000 casos subsequentes, onde ambas extremidades do canal foram ligados, ou coagulados, e o coto distal sepultado na bainha de fascia. Segundo certos autores, a operação de outra estrutura que não o canal deferente é tambem uma razão importante de falhas da vasectomia. A presença de cicatrizes no escroto, resultantes de cirurgias anteriores, pode tornar mais dificeis a detecção do deferente e a incisão do escroto. Além disso, dutos linfáticos enrijecidos ou veias trombosadas, consequentes de filariase, podem ser confundidos com o deferente. Com experiência, entretanto, o cirurgião não terá dificuldade em identificar o canal deferente e disntingui-lo das outras estruturas. Há maior probabilidade de erros quando o cirurgião está aprendento a tecnica, ou quando não opera frequentemente. A duplicidade congênita do conduto ocorre muito raramente. POr isso, ela é, provavelmente, responsavel por uma proporção extremamente pequena das falhas da vasectomia. (POPULATION REPORT, edição em portuquês, serie D, numero 4, dezembro/84, paginas D7, D8 e D9)


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