Re: Toxoplasmose congênita

From: João Batista Marinho de Castro Lima (jblima@horizontes.net)
Wed, 3 Mar 1999 03:44:25 -0300


Prezado Dr. Thomas Gollop

Agradeço muito a sua resposta e gostaria sim de receber as conclusões da tese da Dra. Daniela Gradia. Sobre a rubéola, aqui em Belo Horizonte é rotina, no serviço público, a vacinação universal de todas as mulheres em idade reprodutiva, independente do estado sorológico (é mais barato do que fazer exame em todas). Inclusive na nossa maternidade, todas as puérperas são vacinadas antes da alta. Obviamente com exceção daquelas que por acaso tenham exame sorológico com IgG positivo.

Ultimamente temos observado um número razoável de mulheres com IgM positivo ou indeterminado para toxoplasmose, o que acredito deve se tratar de muitos diagnósticos falso-positivos. Existe apenas um serviço de medicina fetal que atende ao SUS (HOSPITAL DAS CLÍNICAS - UFMG, Prof. Antônio Carlos Vieira Cabral) onde está sendo conduzida uma tese de mestrado sobre PCR no líquido amniótico (não conheço mais detalhes do estudo). Todas as mulheres da cidade com IgM positivo, na minha opinião, deveriam ser referidas para este serviço para complementação propedêutica, mas não é o que está sendo feito. Muitos estão sendo tratadas com espiramicina durante toda a gravidez sem confirmação de infecção fetal. Há também o agravante de não existir a droga nos Centros de Saúde e a maioria das pacientes não poderem comprar. Outro problema também é que não há um protocolo estabelecido para a rede pública no que concerne a seguimento das pacientes susceptíveis, tratamento e referenciamento. Numa situação dessas, para que o rastreamento universal?

Mais uma coisa. Dê uma abraço no Marcos. Fizemos um curso juntos na UNICAMP. Foi o 5o. Programa de Estudos Sobre Saúde Reprodutiva e Sexualidade onde o mesmo expôs o projeto do seu trabalho sobre mal-formações fetais incompatíveis com a vida. Muito interessante.

Por hoje é só.

João Batista jblima@horizontes.net -----Mensagem original----- De: Thomaz Rafael Gollop <trgollop@usp.br> Para: Multiple recipients of list <obstet-l@talk.obgyn.net> Data: Terça-feira, 2 de Março de 1999 08:50 Assunto: Re: Toxoplasmose congênita

>PREZADO COLEGA JOAO BATISTA:
>EM COLABORACAO COM DANIELA GRADIA, PUBLICAMOS NA RBGO EM 98 UM ARTIGO SOBRE
SUSCETIBILIDADE A TOXOPLASMOSE. VEJA TAMBEM NOSSA HOME-PAGE - http://www. MEDICINAFETAL.COM.BR. CASO HOUVER INTERESSE ENVIO-LHE AS CONCLUSOES DA TESE DE DANIELA SOBRE INFECCOES CONGENITAS.BREVEMENTE ELA PUBLICARA UMA SINTESE EM RBGO. >NOSSA ROTINA:
>SOROLOGIA P/ RUBEOLA EM MULHERES NAO GRAVIDAS EM IDADE REPRODUTIVA - IGG
NEGATIVO > VACINAR >SOROLOGIA P/ CITOMEGALO E TOXO EM CADA TRIMESTRE NAS GRAVIDAS COM IGG
NEGATIVO. REPETICAO EM EPISODIOS QUE SIMULEM INFECCAO VIRAL. >UM ABRACO
>
>PROF. THOMAZ GOLLOP
>
>João Batista Marinho de Castro Lima escreveu:
>
> Tenho procurado na literatura trabalhos sobre o impacto do rastreamento
de > rotina de infecções congênitas, principalmente a toxoplosmase, no que
se > refere a custo/benefício, considerando-se várias variáveis tais como
índice > de exames falsos positivos, riscos e benefícios dos exames diagnósticos
> adicionais (ex. amniocentese para realização de PCR), eficácia das
drogas > utilizadas no tratamento, etc. Infelizmente não encontrei nenhum estudo
> randomizado controlado comparando o rastreamento universal com apenas
> medidas educativas durante o pré-natal, na redução dos casos de
toxoplasmose > congênita, assim como as possíveis perdas fetais decorrentes dos
> procedimentos diagnósticos e terapêuticos empregados. Nos EE.UU há
ainda uma > controvérsia muito grande sobre o tema, talvez devido a uma menor
> incidência de toxoplasmose congênita na quele país. O estudos
retrospectivos > realizados na Europa, principalmente França, Finlândia e Suécia parecem
> demonstrar um impacto positivo.
> Como é que fica o caso do Brasil? Qual a incidência de toxoplasmose
> congênita no nosso meio? Será que todos estão realizando dosagens
> sorológicas mensais ou mesmo bimensais nas pacientes susceptíveis, como
é > feito na França? E sobre os procedimentos diagnósticos e terapêuticos
> subsequentes? Qual o acesso que as nossas pacientes teriam a eles?
> (pacientes do SUS). Não seria o caso do Ministério da Saúde patrocinar
um > estudo randomizado, multicêntrico, a nível nacional, comparando o
> rastreamento universal com medidas educativas?
>
> Gostaria de discutir melhor estas questões, pois me preocupa o fato de
que > medidas elementares não são realizadas durante o pré-natal e muitas
vezes > outros procedimentos diagnósticos são introduzidos na rotina, sem
muitas > vezes terem sido avaliados de forma rigorosamente científica.
>
> João Batista
> Ginecologista/Obstetra
> CRMMG - 18.274
> Belo Horizonte - MG
> jblima@horizontes.net
>
> -----Mensagem original-----
> De: Thomaz Rafael Gollop <trgollop@usp.br>
> Para: Multiple recipients of list <obstet-l@talk.obgyn.net>
> Data: Segunda-feira, 1 de Março de 1999 14:59
> Assunto: Re: Caso DUVIDOSO: TOXO?
>
> >TENDE A CURA NO ADULTO. TOXOPLASMOSE CONGENITA E UMA CONVERSA BEM
DIFERENTE > E COM RISCO ALTO DE LESOES FETAIS GRAVES E IRREVERSIVEIS.
> >UM ABRACO
> >
> >PROF. THOMAZ GOLLOP
> >
> >soeiro@sm.conex.com.br escreveu:
> >
> > Professor
> > Eu não quiz escrever auto limitante e sim auto limitada.
> > É uma patologia que mesmo sem medicação tende à cura.
> > Um fraterno abraço.
> >
> > Gutenberg
> > Que idade tens para ser justo e perfeito?
> > Um abração
> > Floriano
> >
> > Quelho.
> > Um tríplice fraterno abraço
> > Floriano
> >
> > Thomaz Rafael Gollop escreveu:
> >
> > PARA MINHA INFORMACAO GOSTARIA DE SABER:
> > 1) O QUE SIGNIFICA TOXOPLASMOSE AUTOLIMITANTE?
> > 2) SERIA AUSENCIA DE TOXOPLASMOSE CONGENITA?
> > PROF. THOMAZ GOLLOP
> >
> > Floriano Soeiro de Souza Neto escreveu:
> >
> > Toxo e uma doença auto limitada
> > acho que nào deves fazer nada
> > FLORIANO
> > Adailton Salvatore Meira escreveu:
> >
> > Ola amigos...
> > Ca estamos de novo para abusar de voces...
> >
> > compartilho um caso , para mim, limitrofe, e gostaria
da > opiniao dos colegas:
> >
> > GESTANTE , 32 semanas, 34 anos, primigesta, me
procurou ha > 5 dias.
> >
> > exame TOXO 02/09/98 (DUM = 06/07/98)
> > IG = 8 semanas e 2 dias Ig G 232 (+>6
UI/ml) >
> Ig M = 1,394 (cut off > 443) -Repetido e confirmado
> > O colega que a atendia nao valorizou...
> >
> > OBS:
> > 1 - teve uma gripe super forte em julho (cama de 2/3
dias > com febre).
> >
> > 2 - "durante os 25 anos que morei na casa da minha mãe
> nunca ficamos mais
> > de 24 horas sem a presença de um felino. Eu adooooro
gatos > mas não troco
> > aquelas intimidades do tipo pegar no colo ou dormir
com. > Mas é claro que a
> > casa toda é infestada de pelos. Detalhe: quando
engravidei > ainda morava lá
> > (até novembro passado)."
> >
> > Segundo exame 05-02-99 (30 sem.)
> > TOXO Ig G = 240 (+>6)
> > Ig M = NAO REAGENTE.
> >
> > Ecografia sem anomalias, tem dores frequentes no
abdomem. > >
> > - O que acham?
> > - Sera que ela teve infeção no inicio e o IgM+ seria o
fim > da queda dos titulos?
> > - Ha algo mais que deva ser feito agora ou eh melhor
> esperar e investigar o bebe depois do parto?
> > - Que proveito traria uma confirmação agora em termos
de um > tratamento (valeria a pena?)
> >
> > Obrigado
> >
> > Adailton Salvatore Meira
> > Campians/ SP
> >
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