anestesia em videoendoscopia

From: JOSE LUIS QUELHO (quelho@aua.alanet.com.br)
Wed, 7 Oct 1998 22:27:38 -0500 (CDT)


Anestesia Para Videocirurgia Dr. Jorge Luiz Gonçalves Andrade

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Introdução --------------------------------------------------------------------------------

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Não há como não discutir , com o aumento cada vez maior de procedimentos
realizados por videocirurgia devemos estar familiarizados com as
alterações respiratórias, cardiocirculatórias e renais causadas pelo
pneumoperitônio e pelo gás carbônico (CO2) usado em sua obtenção, bem
como às posições utilizadas em alguns procedimentos, os quais exigem
adequada monotorização.

Os procedimentos realizados por videolaparoscopia estão associados com aumento na incidência de náuseas e vômitos no pós-operatóario imediato.

Avaliação Pré-Anestésica

A avaliação e os cuidados pré-anestésicos não são diferentes naqueles pacientes que serão submentido a cirugias por via laparoscópica ou conveniconal.Deve sempre ser obtida uma história clínica, e feita uma avaliação cuidadosa, mesmo naqueles pacientes que são admitidos instantes antes do início do procedimento.

Medicação Pré-Anestésica

Os medicamentos mais utilizados são os benzodiazepínicos, em função de sua ação ansiolítica, sedativa e amnéstica, associada a discreta depressão respiratória e pequenas alterações hermodinâmicas. Nossa rotina tem sido a de utilizar midazolam, em função de sua menor latência e duração serem menor que a do diazepam, além de seu efeito amnéstico ser maior.

Alterações Fisiológicas Induzidas pela laparoscopia

Alterações fisiológicas ocorrem como resultado do pneumoperitônio e das alterações de posição que são requeridas durante as cirurgias de videolaparoscopia. Tanto o Dióxido de Carbono quanto o Oxido Nitroso podem ser utilizados para produzir pneumoperitônio. Insuflação de gás na cavidade peritoneal eleva a pressão intra-abdominal o que dificulta o retorno venoso.

Com a pressão intra-abdominal elevando-se acima de 20mmhg, a pressão venosa central, pressão arterial, pressão de pulso e o débito cardíaco todos irão diminuir. Embora, de ocorrência rara, severa hipotensão e falência cardíaca tem sido relatados. O pneumoperitônio também sequestra sangue nos membros inferiores, o que leva ao decréscimo do volume de sangue circulante.

A capacidade vital está significantemente diminuída em função de que o diafragma está deslocado cefalicamente, o que predispõe o paciente a desenvolver hipóxia e atelectasias. Quando o gás intraperitoneal é retirado e a pressão intra-abdominal retorna ao normal, todos os parâmetros cardiovasculares e respiratórios retornam ao normal.

Alterações da Função Renal

A elevação da pressão capilar intraglomerular, causa pelo aumento da pressão venosa renal conseqüente ao aumento da pressão intra-abdominal, pode resultar em diminuição do fluxo plasmático renal efetivo, do ritmo de filtração glomerular e do débito urinário.

Monitorização

A monitorização essencial para a videolaparoscopia é o estetoscópio pré-cordial ou esofágico, estetoscópio para campos pulmonares, esfingmomanômetro para pressão endotraqueal, oximetro de pulso, capnógrafo, cardioscópio, pressão arterial, seria desejável ainda, ecocardiografia transesofágica e analisador de gases.

Anestesia

Os princípios os gerais para a escolha da técnica anestésica para procedimentos tradicionais são os mesmos aplicáveis a cirurgia videolaparoscópica. A anestesia geral tem sido a técnica recomendada, pois permite melhor controle dos parâmetros respiratórios e facilita a sua alteração, adequando-se às alterações induzidas pelo pneumoperitônio. O risco de broncoaspiração do conteúdo abdominal, pode ser prevenido pela intubação traqueal, factível apenas sob anestesia geral.

Como uma grande variedade de procedimentos laparoscópicos tem curta duração, a anestesia geral deve ser realizada com drogas que permitam rápido despertar. Na nossa rotina a indução com o propofol tem sido a preferida, pois sua meia-vida de redistribuição é curta e permite o despertar precoce, além de amnésia e atividade antiemética.

Os opióides devem ser indicados de acordo com a duração estimada da cirurgia, portanto o alfentanil,fentanil ou sufentanil podem ser utilizados. Na nossa rotina, o fentanil tem sido o opióide de escolha.

Os relaxantes musculares indicados são o vecurônio e o atracúrio, em função de sua média duração e ao relaxamento efetivo que produzem. Nossa escolha tem recaído sobre o atracúrio.

Dos anestésicos inalatórios tanto o Isoflurano quanto o Sevoflurano podem ser utilizados, pois induzem menos alterações cardiocirculatórias, especialmente quanto ao ritmo cardíaco. Nossa escolha tem recaído sobre o sevoflurano.

Apesar de seu uso permanecer controverso na literatura temos utilizado de maneira rotineira o óxido nitroso. A necessidade de reposição hídrica parece ser menor quando comparada a necessária para as cirurgias realizadas com técnica convencional. A reposição pode ser feita com solução isoônica de glicose e solução de c5ristalóides balanceada. O cateter urinário, além de evitar que a distensão da bexiga interfira com a técnica cirúrgica, reduz a possibilidade de perfuração vesical durante as punções além de permitir um melhor controle da infusão venosa de líquidos.

Complicações

A absorção do dióxido de carbono usado para a obtenção do pneumoperitônio pode produzir hipercarbia, resultando em hipertensão, hipotensão, liberação de catecolaminas, arritmias cardíacas e acidose. Arritmias também podem ser produzidas por reflexos vasovaguais. Hemorragias também são complicações passíveis de ocorrer em função de punção inadvertida de estruturas vasculares. O deslocamento cefálico do mediastino pode deslocar o tubo endotraqueal para um brônquio, especialmente, após posição de Trendelenburg. Outras complicações importantes são a embolia gasosa, pneumotórax hipertensivo, pneumomediastino, perfuração e queimaduras de órgãos, além da regurgitação e aspiração passiva, porém estes são minimizados com a passagem de sonda orogástrica e intubação traqueal.

Controle das náuseas e vômitos

O antiemético de escolha é o antagonista da serotonina, como o ondasetron. A metoclopramida, inibidor de receptor da dopamina pode ser utilizado em doses de 0.1 a 0.2 mg/Kg. O droperidol pode ser usado, porém induz sedação prolongada e sua eficácia é menor do que a dos antagonistas da serotonina.

Controle da dor pós-operatória

O controle da dor após a cirurgia laparoscópica pode ser feito com a infiltração das incisões com anestésico local, como a bupivacaína a 0,25% ou 0.50%, associada ou não a opióides como morfina ou fentanil. O uso de anestésico local, como lidocaína, na cavidade peritoneal ao fim do procedimento laparoscópico, apresenta resultados controversos. A dor pode ser controlada também com o uso de analgésicos não-opióides como o tenoxicam. O uso de opóides como a nalburfina deve ser reservado para ocasiões especiais.

Referências Bibliográficas

1 - Beebe DS et al. Evidence of venous stasis after abdominal insuflation for laparoscopic cholecystectomy. Surg Gynecol Obstet.176:443-447,1993. 2 - Bloner M et al. Carbon dioxide uptake from pneumoperitoneum during laparoscopic cholecystecotomy. Anesthesiology,77:A37,1992. 3 - Couture JG et al. Diapharagmatic na abdominal muscle activity after endoscopic cholecystectomy. Anesth Analg,78:733-739,1994. 4 - Goodale RL et al. Hemodynamic, respiratory and metabolic effects of laparoscopic cholecystectomy. 166:533-537,1993. 5 - Hanley ES. Anesthesia for laparoscopic surgery.Surg Clin North Am,72:1013,1992. 6 - Hashimoto S et al. Changes on the cardiovascular and respiratory systems during laparoscopic cholecystomy. J Laparoendoscop Surg, 3:535-539,1993. 7 - Iwase K et al. Serial changes in renal function during laparoscopic cholecystectomy.Eur Surg Res,25:203-212,1993. 8 - Joris J et al. Pain After laparoscopic chokecystectomy: characterisctics and effect of intraperitoneal bupivacaine Anesth Analg, 81:379-84,1995. 9 - Shantha TR, hardem J. Laparoscopic cholectectomy:anesthesia - related complications and guidelines. Surg Laparoscop Endosc, 1:173-178,1991. 10 - Shulmam Ms, Chuter T. Weissman C. Dynamic respiratory patterns after laparoscopic cholecystomy. Chest,103:1173-1177,1993.

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