Re: miomectomia laparoscópica

From: Paulo R. M. Barrozo, MD (barrozo@alohanet.com.br)
Wed, 23 Sep 1998 21:45:05 -0300


Octacilio wrote: >
> Prezado colega Paulo Barrozo e demais colegas,
> Muito pertinentes suas colocações a respeito da miomectomia laparoscopica,
> sendo indiscutível a proficência dos colegas citados em sutura endoscopica.
> No entanto, minha preocupacao reside nas pacientes com desejo de gestar e
> levar a gravidez a termo, visto que cada vez mais aparecem na literatura
> relatos de ruptura uterina no ultimo trimestre de gestacao, publicados por
> colegas com igual proficiencia (Harris, 1992; Dubuisson, 1995, Pelosi,
> 1997;entre outos). Vossos resultados obstétricos têm sido satisfatorios ?

Realmente Otacílio, a miomectomia é um dos procedimentos que mais suscita controvérsias na laparoscopia e confesso que volta e meia sou assaltado por muitas dúvidas dependendo do caso. Procuro sempre me conduzir naquele caso particular no que eu achar melhor para a paciente não importando a via da cirurgia e da sutura.

Acho que venho tendo sorte nos meus casos e nas pacientes que já gestaram ainda não tive nenhuma rutura de útero. Atribuo porém tal resultado mais à criteriosa seleção da técnica a ser empregada do que a minha capacidade de fazer uma boa endossutura.

Este é um assunto que me preocupa muito pois nós que de alguma forma somos formadores de opinião, e sei que você está incluído neste grupo, temos que ter muito cuidado quendo fazemos nossas apresentações nos congressos.

Sou muito convidado pra falar sobre miomectomia laparoscópica e histeroscópica e faço sempre questão de enfatizar que considero a miomectomia de grandes miomas intra murais uma cirurgia de nível de complexidade IV, estando acima da histerectomia e que sua principal dificuldade está na sutura adequada.

Aliás este é um tema que dá uma excelente mesa redonda. Quem sabe não poderíamos debatê-lo no congresso da SOBRACIL em Florianópolis ano que vem? Te encarrego de me lembrar do assunto, viu?

> Gostaria de lembrar também que a colpotomia posterior representa uma outra
> alternativa (alem da laparotomia, minilaparotomia e laparoscopia) para a
> sutura do defeito miometrial, com as mesmas vantagens de uma cirurgia
> minimamente invasiva (vide Magos, 1997; ). A técnica é semelhante à da
> histerectomia vaginal subtotal (Pelosi, 1997), onde o útero pode ser
> basculado através do fundo de saco anterior (Doederlein, 19??) ou posterior
> (Massi 1996).

Tens toda a razão, apenas gosto de evitar abordar o fundo de saco de Douglas em pacientes que ainda desejam filhos, neeses casos em sendo necessária a via aberta prefiro a minilap.

A cirurgia vaginal, que foi esquecida durante muitos anos, > recentemente tem experimentado um renascimento, basta observar o declinio
> da histerectomia laparoscopica nos EUA em favor da histerctomia vaginal
> (Kovac, 1998; Lipscomb, 1997; Tadir, 1992; Stovall, 1996; Han, 1996, Magos,
> 1995; Meeks, 1997; Summit, 1992, Cosson 1996; Flystra, 1996; etc, etc, etc,
> etc ...) O proprio Harry Reich, em editorial recente (o Paulinho Ayrosa não
> me deixa mentir !) é da opiniao que 75 % dos casos podem ser resolvidos por
> via vaginal simples, sendo o auxilio laparoscopio necessario em aprox. 12,5
> % dos casos (LAVH). Entre os outros 12,5 % o eminente laparoscopista
> profetiza que a LH será realizada em apenas 1 % dos casos, sendo que o
> restante necessitará abordagem abdominal (Posso lhes enviar o artigo caso
> haja interesse).

Não precisa enviar, já tive oportunidade de discutir este assunto pessoalmente com o Harry Reich, momentos antes de levá-lo para a Academia da Cachaça no Rio de Janeiro e presenciar um dos mais monumentais pileques da história da endoscopia mundial. 8-)

Já pude também conversar sobre o assunto com o atual presidente da FIGO que é um colega indiano que o nome me foge no momento. Ele me disse achando um pouco de graça que esta discussão de histerectomia laparoscópica ou abdominal é uma coisa muito estranha, pois para eles a histerectomia "é uma cirurgia vaginal", sendo a via abdominal ou vídeo assistida uma extrema excessão.

Mundinho grande essse que a gente vive não é? Nós aqui discutindo uma coisa e a turma lá do outro lado da nossa espaçonave achando graça.

>Nossa experiencia confirma estes dados (Figueiredo et al.,
> Does vaginal hysterectomy for the non-prolapsed uterus require routine
> laparoscopic assistance ? Analysis of 300 cases - submetido para
> publicação, J Am Assoc Gynec Laparosc)

Aguardo ansiosamente a publicação (aliás no texto aí encima já está toda a bibliografia do artigo, não é?). ROTFL 8-)

BTW, vais ao congresso do AAGL em Atlanta? Se fores gostaria de te encontrar.

Entre colegas do Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande vão uns 12 ou 15 e pretendemos nos encontrar para fazer umas endoscopias de algumas garrafas de whisky (perhaps whiskey or bourbon, as you wish)... 8-)))))

> Um Abraço

U.G.A!

--
 ======================================================
 Dr. Paulo R. M. Barrozo, M.D., TEGO, TCBC
 Secretary of Brazilian Society of Laparoscopic Surgery
 Clinica Santa Helena - Head of Ob-Gyn Dept.
 Cabo Frio - Rio de Janeiro - Brazil
 Fax:+55 24 6435103 Tel:+55 24 6471200 Ext 207
 barrozo@bigfoot.com    barrozo@alohanet.com.br
 http://www.geocities.com/~pbarrozo
 ======================================================

busca recomendada...
Google
OBGYN.net somente forums endozone.org Web
Entre as palavras-chaves para a busca:
Mensagens por tela: Mostrar apenas as mensagens que incluam todas as palavras-chave:

Voltar para  OBSTET-L World Wide Web page


Administrador da lista: flavio.monteiro.desouza@obgyn.net
Solicitações à lista: obstet-l-request@obgyn.net
Última atualização: Mon May 19 16:36:35 2008