Re: discussão de um caso de morte materna

From: Eduardo Caetani (caetani-e@datacontrol.com.br)
Wed, 08 Jul 1998 15:09:41 -0300


1- presumindo que a curetagem foi realizada por um médico habilitado para realizar este tipo de procedimento, provavelmente a perfuração foi decorrente do processo infeccioso secundário ao aborto séptico. 2- totalmente evitável, caso a paciente não tivesse provocado o aborto provavelmente ela estaria viva.

--
Eduardo Caetani
ginecologista

Betania Maria Fernandes wrote:

> Aos participantes da Lista de Discussão: > > Gostaria de discutir um caso de morte materna para saber a opinião de vocês. > Faço parte do Comitê Municipal de Prevenção à Morte Materna e este caso > tem gerado muita discussão. Na última reunião propus aos membros a > colocação do caso na rede como forma de nos auxiliar no esclarecimento do > referido caso. Como foi realizada investigação do óbito no prontuário médico > e visita domiciliar, farei o relato de ambos. > > C.S.L., 36 anos , casada, diarista, mãe de dois filhos, um de 19 anos e > outro de 9 anos. > > Causa da morte no atestado de óbito: choque séptico por aborto infectado > Investigação do Prontuário Médico: > C.S.L, 36 anos de idade, foi internada no Hospital X com diagnóstico de > aborto infectado há mais ou menos 05 dias, colo fechado, secreção fétida. > Permaneceu internada nesta instituição por 04 dias, sendo submetida a > curetagem uterina no primeiro dia de internação. Após a realização da > curetagem, segundo dados do prontuário médico a cliente apresentava > persistência de dor abdominal e sangramento discreto durante os dois dias > seguintes, sendo realizado clister algumas vezes. No quarto dia de > internação houve piora do quadro com febre de 38,2 graus e vômitos, sendo > transferida para outro Hospital por suspeita de lesão da alça intestinal > durante manobra de abortamento. > Neste Hospital foi encaminhada para laparotomia exploratória, ocorrendo > parada durante indução anestésica. > O USG detectou abcesso em fundo de saco uterino e coleção cística sobre o > útero. > > O óbito ocorreu no terceiro dia de internação neste hospital. > > Visita domiciliar: > A irmã de C.S.L., relatou que esta encontrava-se com vários problemas com o > marido e que ao descobrir que estava grávida, resolveu "tirar" o bebê. > Comprou uma sonda na farmácia e colocou em seu útero. Dois dias após o > procedimento, a mulher começou a queixar-se de dor abdominal e um pequeno > sangramento, procurando o Hospital onde foi medicada com buscopan composto > e orientado repouso. Dois a três dias após a consulta continuou sentindo > "dor na barriga", onde resolveu procurar o Hospital X, na qual foi > internada. A irmã comenta que a internação ocorreu mais ou menos 05 dias > após a realização do aborto. No Hospital X foi realizada a curetagem e ela > continuou sentindo dor na barriga. Ficou mais três dias com o mesmo sintoma > e não houve melhora, sendo transferida para outro Hospital para > esclarecimento de diagnóstico. Para a irmã "a demora para descobrir o que > ela tinha" é que foi o fator no qual levou-a a óbito. > > Aguardo avaliação do caso nos seguintes aspectos: > > 1- Em qual momento ocorreu a perfuração do reto? No aborto realizado pela > cliente ou no procedimento da curetagem uterina? > > 2- Este óbito era evitável? Como? Por quais medidas? > > Atrenciosamente, > > Profª Betânia Maria Fernandes- Enfermeira Obstetra (UFJF)


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