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Re: maternidadeFrom: Betania Maria Fernandes (betania@enfermagem.ufjf.br)Fri, 12 Jun 1998 13:44:09 -0300
Cabe à enfermeira obstetra atender os casos classificados como gravidez e parto de baixo-risco (CLAPS/OMS/OPAS). Só como exemplo a Holanda é um país desenvolvido com uma população correspondente a 10% da população brasileira, em uma extensão geográfica a do estado de Alagoas. O índice de fertilidade é de 1,6, suas taxas de mortalidade infantil, perinatal e materna estão entre as menores do mundo, sendo as duas primeiras inferiores a 10 por 100.000 nascidos vivos e a mortalidade materna inferior a 10 por 100.000 nascidos vivos. O modelo de atenção ao parto é organizado em 03 níveis. No primeiro nível a assistência é prestada por parteira ou médico de família, podendo o parto ser realizado no domicílio da parturiente ou em uma policlínica. Em mais de 80% dos casos quem escolhe o local do parto é a própria gestante e sua família. No segundo nível de assistência o parto é realizado sob a responsabilidade do médico obstetra e no terceiro nível o parto ocorre em hospital especializado, composta por uma equipe de especialistas na área neonatal. A assistência à gestação, parto e nascimento é baseada principalmente na parteira. Existem no país cerca de 1200 parteiras. Mais de 75% destas profissionais assistem a 100 ou mais partos por ano, sendo a sua atuação muito respeitada no país. Nos últimos 10 anos, as parteiras tem sido responsáveis pela assistência de aproximadamente 46% dos partos ocorridos no país. A taxa de cesariana em toda a Holanda é de apenas 8%. Como podemos verificar o paradigma de assistência ao parto é muito diferenciado do Brasil. Os indicadores de saúde demonstram que a assistência é de qualidade. Como na Holanda, na Alemanha e Inglaterra o parto também é assistido na maioria por parteiras com excelentes indicadores de saúde. Em Juiz de Fora no ano de 1997 tivemos um percentual de cesáreas de 60,5. Após levantamento de todos os médicos cadastrados pelo SUS encontramos um percentual de cesáreas por profissional de 28% a 100% (?) Ao verificarmos as Instituições privadas temos: Instituição Índice A 67,8% B 91% C 90,4% D 74% Nas instituições conveniadas: A 63,3% B 55,5% C 51% Temos um índice de mortalidade materna alto no município. No ano de 1996 foi de 124 por 100.000 nascidos vivos. Será que a introdução da Enfermeira Obstetra na assistência irá "piorar" estes indicadores? Como exemplo de uma maternidade na qual há Enfermeira Obstetra atuando juntamente com o médico Obstetra no Brasil, em nosso estado é a de Belo Horizonte (Sofia Feldman) que apresenta os seguintes indicadores: Ano de 1997: Total de ocorrências obstétricas (partos + abortos) = 2847 Total de partos = 2533 Terminação do Parto Espontâneo = 83,6% Cesárea (OMS = 15%) = 15,8% Fórceps = 0,6% Partos em adolescentes = 29,5% Principais indicações de cesáreas iteratividade = 41% DCP = 12,0% DHEG = 9,0% SFA = 7,6% Falha de indução + bolsa rota = 9,6% Outros = 20,8% Os indicadores neonatais foram os seguintes: icterícias neonatais: 28,5% prematuridade: 18,7% septicemias: 19,5% anoxias perinatais graves: 0,6% infecções perinatais: 1,9% outras afecções do RN: 11,0% Diagnóstico e/ou 1º atendimento: 19,8%. Cabe destacar que esta instituição é uma maternidade conveniada ao SUS, é considerada Hospital Amigo da Criança e trabalha na Humanização do Nascimento, com uma equipe de enfermeiras obstetras competentes e com médicos obstetras que apoiam o trabalho, por acreditar nele e pelos indicadores obtidos desde a construção do hospital. [ ]s, Betânia M. Fernandes UFJF/JF Vale a pena refletirmos sobre a mudança do modelo e trabalharmos na concepção da gestação e parto como um evento fisiológico.
Administrador da lista: flavio.monteiro.desouza@obgyn.net Solicitações à lista: obstet-l-request@obgyn.net Última atualização: Mon May 19 16:36:10 2008 |
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