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Re: Rubeola no primeiro trimestreFrom: Flavio Monteiro de Souza (flavioms@uninet.com.br)Fri, 10 Oct 1997 00:16:36 -0300
Caro Joao Deda: Entre 6 e 25% das mulheres em idade fertil sao susceptiveis de contrair rubeola. Esta a importancia da vacinacao profilatica das pacientes soronegativas ANTES de engravidarem. Mas, no seu caso, infelizmente a paciente parece haver contraido a enfermidade. Houve clinica? O primeiro anticorpo a aparecer e' a IgM. Posteriormente aparecem a IgG e a IgA, que permanecem por toda a vida. Anticorpos sao detectados no 3o. dia da erupcao e os niveis maximos sao atingidos 1 mes depois. A IgM positiva costuma, pelos metodos usuais, permanecer por 4 semanas apos a clinica da Rubeola. No entanto, por metodos de radio-imuno-ensaio ultrasensiveis, pode permanecer positiva por ate' um ano apos a infeccao. Caberia estabelecer melhor a historia clinica da paciente, embora saibamos que esta enfermidade pode cursar de forma sub-clinica e, mesmo assim, infectar o concepto. O uso de imunoglobulina nao e' indicado apos a exposicao. A frequencia de sindrome de rubeola congenita quando ocorre a infeccao materna antes de 12 semanas de gestacao e' controversa. Alguns referem acometimento fetal grave de 80-90% em pacientes que apresentaram rash cutaneo. Outros estudos demonstram dano fetal de 35% no primeiro mes, 25% no segundo 10% no terceiro e 4% no quato mes. Uma terceira analise demonstrou risco de malformacoes fetais em 75 a 80% na primeira semana de gestacao, 61% entre 1 e 4 semanas, 27% entre 5 e 8 semanas e 8% entre 9 e 12 semanas. `A medida que a idade gestacional aumenta, esta frequencia diminui, pois a infeccao fetal causa menos malformacao congenita por haver terminado o periodo da organogenese. Acima de 17 semanas de gestacao, a incidencia de malformacoes congenitas e' nula, embora exista a sindrome da rubeola congenita "extendida", com panencefalite progressiva e diabete tipo I, que pode nao se tornar evidente ate' a terceira ou quarta decada de vida.Possivelmente ate' um terco dos recem-nascidos assintomaticos ao nascimento podem apresentar esta sindrome. Lembrar que o RN infectado, mesmo que nao apresente sindrome, pode eliminar virus por ate' 6-12 meses, tornando-se importante fonte de infeccao para pessoas nao imunes. A biopsia do vilo corionico nao e' um exame adequado para avaliacao da infeccao do embriao ou averiguacao de seu comprometimento. E' um bom exame para avaliacao do cariotipo do concepto e, como a rubeola congenita nao altera o cariotipo, nao serviria para sua avaliacao. Da mesma maneira a amniocentese nao seria de grande valia, embora a cordocentese pudesse estabelecer a infeccao fetal, porem nao esta' ainda na epoca apropriada para sua realizacao e, acho, eu nao a indicaria para isso. Um abraco, Flavio. ____________________________________________ Flavio Monteiro de Souza ____________________________________________ Professor Assistente - Obstetricia - UERJ flavioms@uerj.br http://www.lampada.uerj.br/obst/ ---- From: Joao Oliveira Deda <joaodeda@eribeiro.com.br> To: OBSTET-L@uerj.br Date: Quarta-feira, 8 de Outubro de 1997 23:37 Prezado Prof. Flavio Monteiro Gostaria de tirar a seguinte dúvida: Paciente com aproximadamente 9-10 semanas de gestação realizou como exame de rotina IgG e IgM para Rubeola com alto título para IgG e IgM. Paciente não relata sintomatologia apenas contacto com pessoas com Rubeola. Solicitado exame 15 após. Ao Solicitar a Biópsia de vilosidade corial quais os dados que o exame vai me revelar no seguimento desta gravidez? Devo solicitar Amniocentese? Qual a incidência de abortamento desta gravidez? Grato, desde já, pelas informações joaodeda@mal.eribeiro.com.br
Administrador da lista: flavio.monteiro.desouza@obgyn.net Solicitações à lista: obstet-l-request@obgyn.net Última atualização: Wed Mar 26 19:48:39 2008 |
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