Re: Gravidez aos 40

From: trgollop@usp.br
Tue, 8 Jul 1997 05:17:34 -0300


Prezado Dr. Christian: Discordo, com base em ampla literatura disponmvel, de varias de suas orientacoes. Em primeiro lugar o teste hormonal triplo, e excelente em paises de primeiro mundo. La os estudos sao populacionais e ha curvas para gestantes normais. Em nosso meio os exames sao realizados por alguns laboratorios, sem curvas de gestantes brasileiras normais e muitas vezes o sangue e colhido no Brasil e enviado para os EUA. Em maio de 1996 houve um Simposio de Marcadores Sericos em Amsterdam,Holanda. Uma das conclusoes e que o transporte do soro pode alterar as dosagens. Outra e que os resultados podem diferir em primigestas e multiparas. No Instituto de Medicina Fetal e Genetica Humana de Sao Paulo fizemos um projeto piloto com 150 gestantes em conjunto com o Laboratorio Fleury e obtivemos 21% de falsos positivos. Em recente jornada de GO da Santa Casa de Sao Paulo discutimos o assunto em mesa redonda com outros especialistas em Medicina Fetal e todos concordam que no Brasil deve ser dada uma moratoria para esses exames. Concordo que PARA POPULACAO DE BAIXO RISCO GENETICO, incluindo nela gravidas com menos de 35 anos, a translucencia nucal e um excelente metodo com sensibilidade de 86%. Ha diversas tabelas de risco genetico para cada idade materna. Com 40 anos o risco para Sindrome de Down e 1% que deve ser somado ao risco para as demais trissomias mais raras perfazendo um risco global p/ anomalias cromossomicas de 2% nesta idade materna. Ha diversos trabalhos mostrando que os riscos de metodos invasivos como amniocentese e amostra de vilo corial dependem da experiencia do operador e do numero de operadores em cada unidade. Em servicos com excelente padrao de qualidade o risco de amniocentese nao supera 0,5% e segundo alguns o da amostra de vilo corial esta entre 0,5 e 1%. Estamos investigando os nossos dados com muito cuidado. Mais do que isto estamos acompanhando as perdas totais ou seja a soma de interrupcoes terapeuticas, expontaneas e obitos fetais ate depois da data do parto. Nosso risco tem sido 0,4% p/ amnio e 0,6% p/ vilo o que nao e estatisticamente significante. Alem disso em paises com outro tipo de cultura e legislacao e dever do medico indicar o exame invasivo quando ha risco genetico aumentado. Caso o paciente decidir nao realiza-lo, devera assinar um termo de responsabilidade. Finalmente nao e valido somar o risco de perda gestacional expontanea, de 15% apos o diagnostico bioquimico da gravidez, em qualquer gestacao com menos de 35 anos com riscos geneticos ou de procedimentos invasivos. Sao riscos diferentes! Alem disso sabemos (Jahoda e col,1994) que a medida que aumenta a idade materna aumentam os riscos de perdas fetais, exatamente em funcao das nao disjuncoes cromossomicas. Um abraco Thomaz Gollop

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