Re: Um caso. (mensagem longa)

From: Paulo Barrozo,MD (barrozo@ibm.net)
Wed, 19 Feb 1997 21:18:58 -0300


Guta wrote:

> Paciente MEFM, 54 anos, viuva, sem atividade sexual ha 5 anos, em bom estado
geral. > Citologia vaginal classe 01 com hipoestrogenismo leve/moderado.
> No comeco de Dezembro de 96 apresentou sangramento vaginal apos 2 anos de
amenorreia e 18 meses de hormoniotrapia transdermica.

Qual foi o progestageno empregado na TRH e em que dose? A paciente realmente usou o progestageno ou o omitiu?

> Ultra-sonografia pelvica demonstrou endometrio proliferado, o UTS vaginal
exibindo endometrio de 2 cm. >Hiperrefringente. Feita curetagem de prova que evidenciou Hiperplasia glandular cistica ativa. > Permanece com sangramento vaginal, nco importante, porem constante, ate a
presente data. > Pergunto aos amigos:
> Qual a melhor conduta ? Podemos pensar numa histerectomia, para solucao
definitiva do problema ?

Acredito ser imperativo fazer uma histeroscopia para melhor avaliacao. Se a paciene estiver disposta, poderia ser tentada uma serie de 6 meses de Depo-provera 50mg IM de 15/15 dias ou medoxiprogesterona 10 a 20mg/dia e posterior reavaliacao histeroscopica com biopsia. O problema sao os efeitos colaterais (principalmente ganho ponderal), com consequente abandono do tratamento.

Caso a opcao seja por cirurgia, provavelmente uma endometrectomia por video histeroscopia seja a solucao menos agressiva para a paciente. Faco este procedimento desde 1993 e tenho obtido sucesso nesses casos.

Evidentemente uma histerectomia tambem resolverah o problema, mas acho que equivale a amputar um dedo para tratar uma unha encravada.

Aproveitando a oportunidade gostaria de fazer algumas breves consideracoes:

Como faco histeroscopia diagnostica e cirurgica, recebo muitas pacientes menopausadas tanto para investigacao de sangramento vaginal como para avaliacao de espessamento endometrial como mero achado ultrassonografico, sem metrorragia.

O que tenho podido observar eh que nas pacientes sem TRH, a grande maioria das imagens ultrassonograficas de espessamento endometrial, mesmo com vascularizacao aumentada vista no Doppler, consistia na presenca de polipos endometriais, que sao facilmente retirados por histeroscopia.

Nas com sangramento tipo "spot", sem uso de TRH e sem imagem de espessamento, encontro endometrio atrofico como achado mais frequente.

Jah nas pacientes em uso de TRH, encontro com frequencia, endometrios proliferativos, hiperplasicos nas suas mais variadas apresentacoes e CA de endometrio. Frequentemente as pacientes juram que estavam fazendo a TRH como havia sido prescrito. Com uma investigacao mais detalhada, percebemos que o progestageno estava sendo omitido ou tomado em dosagem inadequada, ora por que a paciente nao se sentia bem com o progestageno ora por orientacao e/ou dosagem inadequada por parte do colega.

Recebo tambem pacientes que fizeram curetagem uterina sem adequado esclarecimento da patologia, onde encontrei uma pequena area proxima ao ostio tubareo alterada e ao receber o esultado do histopatologico, revelou ser CA de endometrio.

Com isso nao estou querendo dizer que a curetagem semiotica deva ser abandonada, pois a mesma pode ser muito util aonde nao exista histeroscopia (o que infelizmente eh a realidade na maioria do Brasil).

Apenas gostaria de lembrar que onde existe histeroscopia ela deve ser sempre a primeira opcao na investigacao das patologias de cavidade uterina.

Saudacoes,

--
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Dr. Paulo R. M. Barrozo, MD, TEGO, TCBC.
Clinica Santa Helena - Head of Ob-Gyn Dept.
Secretary of Brazilian Society of Laparoscopic Surgery
Cabo Frio - Rio de Janeiro - Brazil
Phone: +55 246 451200 Ext 207  Fax: +55 246 435103
http://www.geocities.com/~pbarrozo
barrozo@usa.net - barrozo@ibm.net - barrozo@bigfoot.com
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