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Depósitos de cálcio
Mais informações
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7 de dezembro, 2002
Às 7:02 PM hora de Brasília (2102 GMT)
CHICAGO, EUA -- Uma nova pesquisa concluiu que a mamografia pode ser mais do
que um exame para auxiliar no diagnóstico de câncer de mama. A técnica pode
também revelar indícios de uma ameaça ainda pior para a saúde da mulher, a
doença coronariana.
As imagens da mamografia podem detectar calcificações nas artérias do peito
capazes de indicar um aumento no risco de desenvolver doença coronariana,
segundo um estudo feito pela Clínica Mayo com 1.803 mulheres.
As pacientes com calcificações nas artérias do peito mostraram-se 20 por
cento mais propensas a ter problemas cardíacos do que aquelas que não
apresentavam calcificações, segundo os pesquisadores.
As anormalidades surgem como distintas linhas brancas nas imagens da
mamografia e não devem ser confundidas com outros tipos de calcificações no
peito que podem ser insignificantes ou, em alguns casos, malignas, disseram
os médicos.
"Qualquer radiologista pode dizer a diferença, não é uma distinção difícil",
afirmou o Dr. Kirk Doerger, principal autor do estudo e residente de
radiologia da Clínica Mayo.
Mas os radiologistas geralmente pensam em câncer ao analisarem uma
mamografia, não em problemas como entupimentos das artérias.
"A razão da mamografia é a detecção do câncer de mama. Isso é só uma
informação extra que pode ajudar a descobrir mulheres que correm maior risco
de ter estreitamento das artérias que nutrem o coração", disse Doerger.
Depósitos de cálcio
Mais de 350 mil mulheres nos Estados Unidos morrem de doença coronariana por
ano, em comparação com cerca de 40 mil vítimas fatais do câncer de mama.
Mesmo assim, muitas mulheres ainda pensam que o tumor maligno nos seios é um
perigo maior e podem não saber que têm problemas no coração. Com isso,
desprezam a necessidade de procurar um diagnóstico, de acordo com os
especialistas.
Eles analisaram as mamografias de pacientes que também passaram por
angiogramas - exames por imagem para detectar doença coronariana - na
Clínica Mayo entre 1991 e 2001.
As mulheres tinham em média 65 anos e, só pela idade, já apresentavam maior
risco de sofrer de problemas nas artérias.
As calcificações detectadas são depósitos de cálcio que podem se formar em
artérias doentes estreitadas já por placas de gordura. As artérias do
coração e do peito têm tamanhos semelhantes e estima-se que reajam de
maneira similar a fatores como colesterol alto, segundo Doerger.
O risco das calcificações não é tão forte quanto os fatores tradicionais
ligados à doença coronariana, como hipertensão e colesterol alto, mas não
deve ser ignorado, advertem os especialistas.
Doerger disse que as calcificações devem ser observadas nos relatos feitos
pelos radiologistas na análise das mamografias. As mulheres que apresentam o
problema devem procurar seu médico para obter aconselhamento.
Mais informações
A Dra. Linda Warren Burhenne, especialista em mamografias de Vancouver, no
Canadá, disse que os radiologistas costumam ver as calcificações, mas nem
sempre dão atenção.
"Isso é dramático porque nunca foi determinado que tivesse qualquer
importância até agora", disse a médica.
Segundo o Dr. Gene Solmos, especialista em mamografias do Centro Médico
Rush-Presbyterian-St. Luke, em Chicago, disse que isso pode ser também um
indício de calcificações em outras artérias.
Já o Dr. Robert Bonow, presidente da American Heart Association (Associação
Americana do Coração), disse que os resultados da pesquisa são "intrigantes,
mas preliminares".
As mulheres estudadas já corriam grande risco, segundo ele, enquanto que
naquelas em situação de baixo risco ainda tem que ser provada a importância
da detecção das calcificações.
Mesmo assim, o Dr. Bonow disse que as descobertas podem ser potencialmente
significativas porque muitas mulheres morrem em conseqüência de problemas no
coração e porque a mamografia é um exame muito rotineiro.
"Este é um exame que muitas mulheres têm que fazer de qualquer forma para
diagnosticar câncer de mama", observou. "Se a pesquisa estiver certa, a
mamografia pode se tornar uma importante peça adicional de informação".