Erro médico é o novo filão das seguradoras

From: jose luis quelho (jquelho@terra.com.br)
Tue, 30 Jul 2002 10:28:44 -0500 (CDT)


Para refletir:

Erro médico é o novo filão das seguradoras Terça, 30 de Julho de 2002, 12h05 Fonte : Investnews - Gazeta Mercantil Público alvo é estimado em mais de 300 mil profissionais da saúde

As seguradoras começam a viabilizar produtos que até então não estavam disponíveis no mercado por falta de experiência local com o segmento. É o caso de apólices de responsabilidade civil, incluindo danos morais, para profissionais da área da saúde.

"Danos materiais são mais fáceis de se mensurar. Há mais objetividade e clareza. Já os morais ficam muito a critério da Justiça, podendo um bom advogado conseguir valores que podem levar uma seguradora à falência", de acordo com Adilson Neri Pereira, diretor de ramos elementares da Porto Seguro Seguros.

Pereira acredita que as apólices de responsabilidade civil serão cada vez mais comuns no mercado em razão, também, do Código de Defesa do Consumidor, que formou uma nova mentalidade. "O código criou relações de consumo até então inexistentes, especialmente no caso dos profissionais liberais e prestadores de serviços ", avaliou Pereira.

O advogado especializado em seguro, Ernesto Tzirulnik, presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro concorda. "O conceito de responsabilidade tenderá a crescer, pois de um lado a ciência médica é altamente sofisticada e solucionadora criando uma grande expectativa e, de outro, o resultado da prática concreta da medicina não converge com essa expectativa", disse durante uma palestra sobre esse tipo de seguro realizada na semana passada. De olho nesse mercado, com um público alvo estimado em mais de 300 mil clientes, incluindo os 80 mil médicos cadastrados e também dentistas, auxiliares de medicina, laboratórios de análise clínica, entre outros, a Porto está lançando o produto e a Real Seguros já o colocou na prateleira desde o mês passado. O objetivo do produto, desenhado para os profissionais da área de saúde, é ampara-los em casos de indenizações judiciais por danos morais e materiais causados a terceiros, devido a erros cometidos no exercício da profissão.

Até pouco tempo atrás, as seguradoras brasileiras tinham receio de operar com a carteira de danos morais, em razão da experiências das companhias dos Estados Unidos, obrigadas, pela justiça, a pagar indenizações estratosféricas, que chegaram a atingir US$ 100 milhões. "Várias companhias dos EUA foram à falência e muitas deixaram de operar com a carteira, o que ajudou a controlar os valores determinados pela justiça norte americana", lembrou o executivo. A experiência brasileira tem mostrado que os tribunais têm agido de forma mensurada, determinando indenizações médias em torno de R$ 40 mil, acrescentou.

Um outro empurraonzinho para estimular as companhias a entrar nesse segmento é a entrada em vigor do novo Código Cívil, em janeiro de 2003. O prazo prescricional do seguro, que hoje é de até 20 anos, passará para 3 anos. Com isso, o risco da seguradora fica limitado e há redução de custo com o armazenamento do processo.

Além disso, as seguradoras são obrigadas a constituir reserva por todo o período do contrato. Ficar com a reserva comprometida por 20 anos custava caro. Agora três anos é um prazo mais razoável. "Tudo isso gera, na prática, uma forte redução de preço, viabilizando o lançamento do produto a preços mais acessíveis", disse Neri.

O custo deste seguro sobe na mesma proporção do risco do profissional ser processado. Para médicos de ambulatórios, seja pediatra ou oftalmo, por exemplo, o preço é de R$ 600 por ano para uma importância segurada de R$ 100 mil. Já um cirurgião cardiologista, terá prêmios na faixa de R$ 2,5 mil por ano para o mesmo valor de capital segurado e um cirurgião plástico pagará pela apólice valores bem maiores, em torno de R$ 3,5 mil, disse Pereira.

Munich Re faz o resseguro

Em todo novo segmento, a política da Porto é testar o mercado. Nos dois primeiros anos, a venda será focada para pessoas fisicas, médicos e dentistas, ficando os hospitais de fora. Depois, com o passar do tempo e dependendo da experiência da carteira, a estratégia pode ser alterada.

A Porto também está contratando um resseguro para importâncias seguradas que ultrapassem R$ 250 mil, num contrato desenhado pelo IRB Brasil Re e pelo escritório brasileiro da resseguradora alemã Munich Re, a maior do mundo.


busca recomendada...
Google
OBGYN.net somente forums endozone.org Web
Entre as palavras-chaves para a busca:
Mensagens por tela: Mostrar apenas as mensagens que incluam todas as palavras-chave:

Voltar para  OBSTET-L World Wide Web page


Administrador da lista: flavio.monteiro.desouza@obgyn.net
Solicitações à lista: obstet-l-request@obgyn.net
Última atualização: Mon May 19 16:34:31 2008