Re: toxoplasmose

From: Flavio Monteiro de Souza (flavioms@uerj.br)
Tue, 10 Jul 2001 00:31:07 -0300


Rodney,

A toxoplasmose adquirida no 1o trimestre tem menor chance de infectar o feto em relação à adquirida no 3o trimestre (10% contra 60%). Apenas a toxoplasmose aguda em primeira infecção adquirida durante a gravidez afeta o feto, já que na toxoplasmose ativa mas antiga a imunidade materna parece proteger o feto contra a infecção.

A IgM positiva e titulagens crescentes são sugestivos de toxo ativa, mas a IgM pode persistir positiva por vários anos. A IgG costuma aparecer depois da IgM em infecções recentes. O CDC recomenda que todas as dosagens de IgM positivas sejam confirmadas por um laboratório de referência. A confirmação mais precisa de infecção ativa é o aumento dos títulos de IgG em sorologias seriadas espaçadas mas processadas no mesmo dia e no mesmo laboratório. Títulos muito altos de IgG também indicam, provavelmente, doença recente ou ativa. O que é título alto irá depender do método de exame e do padrão do laboratório, com um título superior a 1:512 geralmente sendo considerado alto. Pode-se comprovar a infecção fetal por PCR (reação de cadeia de polimerase) no líquido amniótico ou por dosagem da IgM fetal por cordocentese, quando possíveis esses procedimentos.

O tratamento pode ser feito com espiramicina (Rovamicina) na dose de 3g por dia (dividida em 4 doses) durante todo o resto da gravidez ou por 6 semanas (controverso). Se persistirem dosagens de de IgM positivas no sangue do cordão umbilical (cordocentese), deve-se adicionar a associação de sulfadiazina (3g/dia - 6 comprimidos) com pirimetamina (150mg/dia - 6 comprimidos), reduzindo-se para dois comprimidos de cada antibiótico por dia após a 1a semana, mantendo por 21 dias, interrompendo por 7 dias e repetindo o esquema após. Deve-se fazer também suplementação dietética com ácido fólico (2 a 10mg/dia). As pacientes em uso da associação sulfadiazina/pirimetamina devem fazer hemogramas seriados duas vezes por semana e ultra-sonografias seriadas.

Após o nascimento, o tratamento do RN precocemente pode reduzir a incidência de seqüelas a longo prazo. A eficácia do tratamento antenatal na redução da toxoplasmose congênita pode não ser muito clara. A pirimetamina pode ser teratogênica no início da gestação e as sulfas se associam com icterícia neonatal quando usadas perto do momento do parto, quando o RN nasce com níveis séricos deste antibiótico. A espiramicina pode não atingir níveis terapêuticos fetais (isso é controverso).

Bom, existem muitas dúvidas em relação ao tratamento e diagnóstico da toxoplasmose na gestação, mas espero que essas observações tenham sido úteis.

Um abraço, Flavio. _____________________________________________ Flavio Monteiro de Souza _____________________________________________ Professor Assistente - Obstetrícia - UERJ flavioms@uerj.br flavioms@uninet.com.br

> ----- Original Message -----
From: Rodney Borges Magalhães To: flavioms@uerj.br Sent: Monday, July 09, 2001 9:46 PM Subject: toxoplasmose

Caro Flavio ,

será que voce poderia me enviar o tratamento da toxoplasmose na gestante.

Estou com uma paciente de 1 º trimestre com IGM e IGG positivas . Será toxo aguda ou infecção passada ( apesar de IGM positiva )


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