Disturbios do ritmo cardiaco fetal. Detecção e conduta pré natal
From: jose luis quelho (quelho@auanet.com.br)
Thu, 2 Nov 2000 07:21:27 -0600 (CST)
Atualização
Distúrbios do Ritmo Cardíaco Fetal. Detecção e Conduta Pré Natal
Paulo Zielinsky
Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul/Fundação Universitária de
Cardiologia, Porto Alegre, RS
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Arquivos Brasileiros de Cardiologia 66(2):83-86, 1996
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A possibilidade de detectar e tratar alterações do ritmo cardíaco
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durante a vida intra-uterina constituiu-se num dos grandes avanços da
cardiologia fetal. Embora a situação clínica mais freqüente seja a
observação de arritmias benignas, como as extra-sístoles
supraventriculares e mesmo ventriculares, que não exigem tratamento
específico além da simples monitorização ecocardiográfica periódica, os
distúrbios graves do ritmo cardíaco fetal, como a taquicardia atrial
paroxística, o flutter atrial, a taquicardia ventricular e o bloqueio
atrioventricular total (BAVT) são facilmente diagnosticados 1-3. Nestes
casos, a freqüente presença de hidropsia não imune, como manifestação de
insuficiência cardíaca fetal, indica a necessidade de terapêutica
urgente, devido à alta mortalidade que os caracteriza quando não
tratados.
O manejo dos distúrbios do ritmo fetal exige adequado ambiente
hospitalar, que possibilite monitorizar a mãe e o feto simultaneamente,
e que tenha condições de permitir a realização de procedimentos fetais
invasivos sob visão ecocardiográfica e de parto vaginal ou operatório,
além de dispor de unidade de terapia intensiva neonatal para os casos
mais graves.
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Momento e técnica do estudo ecocardiográfico fetal
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Embora tecnicamente seja possível a realização da ecocardiografia
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pré-natal a partir da 14ª semana, temos recomendado a realização do
exame a partir da 20ª semana de gestação até o termo. As melhores
imagens são obtidas entre 25 e 35 semanas. No período mais próximo ao
final da gravidez, a diminuição da movimentação fetal e da quantidade do
líquido amniótico prejudica a qualidade da imagem bidimensional.
O equipamento para o estudo ecocardiográfico fetal deve permitir a
obtenção de uma imagem bidimensional de alta resolução, acoplada a um
sistema para modo-M, além de ter capacidade para Doppler pulsado,
contínuo e mapeamento de fluxos a cores. Habitualmente, procuramos
realizar o exame com o transdutor de maior freqüência (5MHz), pela sua
melhor definição lateral. Em raras ocasiões, é necessária a troca por
transdutores de 3,5 ou 2,25MHz. Iniciamos o procedimento com a gestante
em decúbito supino, sem preparo prévio e sem necessidade de permanecer
com a bexiga cheia, explorando o coração fetal através da cicatriz
umbilical. Quando necessário, movimentos de deslizamento, rotação e
angulação do transdutor fornecem as imagens desejadas. Como marcos
referenciais, procuramos determinar a localização da coluna vertebral,
fígado, estômago e, na anatomia cardíaca, da membrana da fossa oval
(septum primum), que protrui para o interior da cavidade atrial
esquerda. As posições relativas da aorta, da veia cava inferior e das
veias hepáticas definem o situs atrial. São determinados a posição do
coração no tórax, o tipo e o modo da conexão atrioventricular, o tipo e
o modo da conexão ventrículo-arterial e os eventuais defeitos
associados. O cursor do ecocardiograma (ECO) unidimensional é dirigido
através das paredes ventriculares de forma a se obter a medida de suas
espessuras, assim como a do septo interventricular 4,5. O tamanho das
cavidades é avaliado e, num corte transversal do tórax, é determinado o
índice cardiotorácico. O ritmo cardíaco e a seqüência atrioventricular
são analisados a partir do modo-M, do Doppler e do mapeamento de fluxo a
cores.
O ECO unidimensional permite a análise da seqüência atrioventricular ao
avaliar simultaneamente o movimento de contração da parede posterior do
átrio esquerdo (equivalente à onda "P" do eletrocardiograma (ECG)) e a
abertura da valva aórtica em cada sístole ventricular (equivalente ao
complexo QRS do ECG) 9. Uma alternativa, ainda utilizando o modo-M, é o
registro da contração da parede anterior do ventrículo direito ou de
septo interventricular como expressão da sístole ventricular. O
mapeamento de fluxos a cores superimposto ao ECO unidimensional facilita
muito a análise temporal dos eventos avaliados e é rotineiramente
utilizado 3. O Doppler pulsado pode também contribuir para a definição
da seqüência atrioventricular, ao ser colocada a amostra-volume na via
de saída do ventrículo esquerdo, entre as valvas mitral e aórtica, de
modo que o registro do fluxo diastólico transmitral corresponde à
contração atrial e o do fluxo sistólico subaórtico à contração
ventricular 6. A identificação adequada dos eventos elétricos a partir
dos métodos citados permite o reconhecimento do mecanismo
fisiopatológico das arritmias fetais, cuja importância para o
planejamento terapêutico é absolutamente fundamental 2.
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Tipos de arritmias fetais significantes passíveis de detecção "in utero"
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Extras-sístoles - As extra-sístoles atriais constituem no achado
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anormal, mais freqüente durante o estudo ecocardiográfico fetal. É,
também, extremamente comum o encaminhamento de gestantes para avaliação
cardiológica fetal devido à detecção, pelo obstetra, de um ritmo
irregular à presença de extra-sistolia supraventricular. A chave para
uma correta identificação ecocardiográfica é a demonstração de atividade
atrial relacionada ao batimento ectópico, o que é extremamente fácil com
a técnica antes descrita, tanto através do modo-M ou como do Doppler.
Sua gênese tem origem discutida, mas estudos realizados pelo nosso grupo
sugerem existir uma associação significativa das extra-sístoles atriais
com um aumento da redundância do septum primum, possivelmente devido à
distensão atrial ocasionada pela maior excursão da membrana da fossa
oval. O desencadeamento de taquiarritmia atrial a partir de uma
extra-sístole é raro, mas possível. Na grande maioria das vezes não é
necessária a terapêutica pré-natal, sendo suficiente o acompanhamento
ecocardiográfico freqüente. Além disso, costuma ocorrer normalização do
ritmo nas primeiras semanas de vida pós-natal, possivelmente pelo
desaparecimento dos fatores desencadeantes, como o acolamento da
membrana da fossa oval do septo atrial.
As extra-sístoles ventriculares fetais são muito mais raras e comumente
acompanham cardiopatias estruturais. Seu diagnóstico ecocardiográfico
baseia-se na identificação de batimento ectópico ventricular sem
atividade atrial a ele relacionada. Isoladamente é também um achado
benigno, raramente necessitando pré-natal.
Taquiarritmia supraventricular - É uma arritmia geralmente mal tolerada,
com freqüente evolução para hidropsia fetal secundária a insuficiência
cardíaca diastólica. Quando a seqüência atrioventricular é mantida, as
manifestações de sofrimento são geralmente mais tardias e menos
intensas. É importante a lembrança de que a presença de hidropsia
prejudica a terapêutica transplacentária, pela inadequada absorção
medicamentosa. O tratamento desses distúrbios do ritmo deve ser sempre
baseado no mecanismo eletrofisiológico subjacente, inferido pelo ECO
fetal, levando-se em consideração a presença de insuficiência cardíaca e
a idade gestacional, como indicador da maturidade pulmonar.
Os três mecanismos eletrofisiológicos responsáveis pelo aparecimento de
taquiarritmias fetais são a reentrada, o foco automático e o movimento
circular. Felizmente, 95% dos casos de taquicardia atrial paroxística
pré-natal são causados por reentrada, freqüentemente pela presença de um
feixe anômalo que leva à pré-excitação ventricular. Neste caso, a
condução atrioventricular é 1:1, o ritmo é regular e a freqüência
ventricular situa-se sistematicamente em torno de 240bpm 2. Já na
presença de um foco automático, que ocorre em aproximadamente 5% dos
casos de taquicardia atrial, a condução atrioventricular mostra graus
variáveis de bloqueio ao nível da junção, com ritmo irregular. Quando o
mecanismo elétrico subjacente é um movimento circular nos átrios, a
expressão é de um flutter atrial ou, mais raramente, de uma fibrilação
atrial. Nestes casos, a condução atrioventricular é também variável,
com freqüência atrial entre 400 ou 500bpm e freqüência ventricular
dependente do grau de bloqueio, geralmente 2:1.
O tratamento medicamentoso da taquicardia paroxística atrial é feito
pela administração materna de digital, em doses maiores que as que
seriam utilizadas para digitalização da mãe, considerando que a passagem
placentária varia de 50 a 70%. Se não houver resposta em 24h e o feto
estiver hidrópico, é recomendado: se existir viabilidade fetal, avaliada
pelos testes de maturidade pulmonar ou quando a idade gestacional for
maior que 36 semanas, a gestação deve ser interrompida para tratamento
pós-natal de arritmia, com drogas ou com cardioversão elétrica; se o
concepto for imaturo, está indicada a terapêutica fetal direta. A
administração intra-uterina de medicamentos ao feto é realizada através
de cordocentese, em ambiente asséptico e sob controle ecocardiográfico,
com ou sem curarização fetal. A primeira droga a ser injetada deve ser
o digital ou, alternativamente, a adenosina, pela sua capacidade de
promover cardioversão rápida, embora freqüentemente não duradoura, com
meia-vida muito curta e sem parefeitos significantes 2,3. Se o
resultado obtido não for o esperado, as opções a seguir são a
procaínamida ou a amiodarona, ressaltando-se que esta última tem
potencial para o desenvolvimento de hipotireoidismo neonatal.
No flutter atrial, novamente o caminho inicial passa pelo digital
materno, sendo também válida a digitalização fetal direta por
cordocentese 2. Na ausência de retorno ao ritmo sinusal, a quinidina
por via materna pode ser tentada, com concomitante diminuição das doses
de digital. Se o quadro persistir, a administração de amiodarona
diretamente ao feto está justificada, apesar do já comentado risco de
hipotireoidismo. O flutter atrial no feto é uma arritmia rebelde ao
tratamento, com manifestações de insuficiência cardíaca precoces e
duradouras. Obviamente, se a resposta à terapêutica não for
satisfatória e houver viabilidade fetal, a cardioversão elétrica
pós-natal imediata será a solução, estando indicada a interrupção da
gestação 3.
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Taquicardia ventricular - Trata-se de arritmia rara no feto, sendo
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diagnosticada pela presença de uma freqüência ventricular variável entre
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100 a 400bpm, acompanhada de dissociação atrioventricular, com
freqüência atrial menor que a ventricular. Quando a freqüência
ventricular é menor que 200bpm, é bem tolerada e não necessita
tratamento. A terapêutica está indicada quando a freqüência for alta e
o feto manifestar insuficiência cardíaca e não for viável. Neste caso,
a digoxina deve ser evitada, sendo a droga de escolha a lidocaína por
cordocentese, seguida de mexiletine materno ou, alternativamente, de
quinidina ou procaínamida 2.
Bloqueio atrioventricular total - A grande maioria dos casos de BAVT no
feto correspondente a uma manifestação de colagenose materna, mesmo que
clinicamente silenciosa 4,7-11. A presença de anticorpos anti-SSA ou
anti-Ro no soro da m_e é, assim, muito freqüente, podendo ser o bloqueio
atrioventricular (BAV) fetal o primeiro sinal de lúpus, artrite
reumatóide, esclerose múltipla ou síndrome de Sjögren 11. A mortalidade
nestes casos situa-se ao redor de 40%, diferentemente do BAV que
acompanha cardiopatias congênitas fetais complexas, especialmente
associadas a isomerismo atrial, quando atinge 85%. Nos casos mais
graves, a presença de hidropisia é uma constante, como marcador de mau
prognóstico 8.
O reconhecimento ecocardiográfico pré-natal do BAV completo é fácil, ao
ser demonstrada a completa dissociação entre os batimentos atriais e
ventriculares, pelos métodos já discutidos 2,3,6. O encaminhamento
desses fetos para estudo ecocardiográfico geralmente é feito pela
observação de bradicardia ao exame obstétrico de rotina.
A conduta para os fetos viáveis com hidropisia por BAV completo é de
interromper a gestação, para providenciar tratamento pós-natal com
marcapasso artificial 10. Entretanto, como a maioria dos casos não
apresenta maturidade pulmonar, há a necessidade de se buscar
alternativas terapêuticas durante a vida intra-uterina. No tratamento
medicamentoso do BAV fetal, existe um papel definido para a
administração de corticóide por via materna. As razões para sua
utilização são a provável ação imunossupressora e antiinflamatória sobre
o tecido de condução atingido pela colagenose, quando for o caso, e sua
ação direta sobre o miocárdio, melhorando a contratilidade. Além disso,
é verificada a aceleração da maturidade pulmonar, para o caso de parto
prematuro espontâneo ou induzido por razões terapêuticas 3,10. Para
esta última finalidade, os derivados mais ativos são a dexametasona e a
betametasona, razão pela qual se constituem na escolha natural. Os
simpaticomiméticos, como o salbutamol ou o fenoterol, podem também ser
administrados por via materna, mas sua ação na elevação da freqüência
cardíaca é transitória e pouco eficaz no que se refere à diminuição da
mortalidade. Em casos extremos, em que o feto esteja agônico, a injeção
direta de isoproterenol no cordão umbilical pode ser salvadora. A
questão da estimulação elétrica artificial de fetos com BAVT, com
bradicardia severa e insuficiência cardíaca, ainda não está resolvida.
Apenas um relato da literatura refere a tentativa de implantar um
marcapasso "in utero", que não teve condições de ser mantido em
funcionamento por mais de 4h e que resultou em óbito fetal 12. Embora
tecnicamente seja possível o implante de um sistema de estimulação
através do abdome materno, evidências experimentais demonstram que há
necessidade de ser obtido restabelecimento da seqüência
atrioventricular, já que o simples incremento da freqüência ventricular
não é suficiente para melhorar a função e combater a hidropisia 2,13.
Assim, os fetos com BAV completo com repercussão funcional significante
ainda devem ser considerados como de mau prognóstico. Os avanços na
cirurgia fetal a céu aberto de anormalidades tóraco-abdominais, como a
hérnia diafragmática, fazem antever a eventual possibilidade de implante
direto de marcapasso no epicárdio do concepto, com retorno do feto ao
útero até ser atingida a viabilidade 13-17.
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Conduta diante de um ecocardiograma fetal alterado
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A posição frente à detecção de uma anormalidade cardíaca fetal
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dependente primeira e principalmente da acurácia do diagnóstico.
Qualquer definição quanto ao prognóstico e, conseqüentemente, quanto à
conduta, deve, obrigatoriamente, passar pela certeza do que se está
vendo. Obviamente, a cardiologia fetal não é mais exata do que os
outros campos da medicina e, também, depende de uma longa curva de
aprendizado daqueles que a ela se dedicam 18,19. _ medida que a
experiência aumenta, o grau de segurança diagnóstica acompanha seus
passos.
Uma vez detectada uma cardiopatia no feto, é vital que sejam verificados
outros defeitos congênitos associados. Desta forma, a gestante deve ser
encaminhada para estudo ultra-sonográfico obstétrico dirigido,
especialmente, à pesquisa de anomalias extra-cardíacas, especialmente
procurando estabelecer a presença de alterações potencialmente
tratáveis. Paralelamente, deve ser realizada avaliação genética,
através de amniocentese ou biopsia de vilo, no sentido de demonstrar ou
excluir anormalidades cromossômicas. Momento, em que é fundamental o
estabelecimento de uma equipe de trabalho multidisciplinar, que envolva
o obstetra, o neonatologista e o cardiologista fetal, cuja função será a
de interagir de forma a atender o feto e sua família, nos aspectos
clínicos, psicológicos e sociais. O aconselhamento e suporte aos pais é
o único caminho aceitável para que o concepto em formação possa ser
beneficiado pela conduta médica. A decisão de tratar um feto com
medicamentos, de induzir o nascimento para terapêutica pós-natal, de
transferir a mãe para um centro especializado ou de praticar atos
terapêuticos invasivos só poderá ser realizada se as opções forem
claras, o prognóstico definido, as conseqüências para o feto e para mãe
antecipadas e os riscos adequadamente calculados, com anuência da equipe
e dos pais 20,21.
A cardiologia fetal, como se depreende dos tópicos abordados, é uma
especialidade em expansão. Os progressos, desde a compreensão dos
princípios anátomo-fisiológicos da circulação fetal, passando pela
farmacologia feto-materno-placentária, até a terapêutica invasiva e
cirúrgica das alterações cardíacas detectadas durante a vida
intra-uterina, pelo preciosismo da ecocardiografia pré-natal, são cada
vez mais relevantes. No que se refere às arritmias fetais, a
ecocardiografia pré-natal permite a correta identificação do ritmo e dos
mecanismos eletrofisiológicos subjacentes, sendo fundamental para o
planejamento e a monitorização da terapêutica. O grande potencial para
a investigação neste campo da ciência tem atraído pesquisadores de
inúmeras áreas conexas para a busca do avanço do conhecimento nos seus
diversos aspectos 3,19,22-25. O que se espera, ao final de tudo, nada
mais é do que melhorar a qualidade e a perspectiva de vida dos fetos
acometidos de distúrbios cardiocirculatórios. Para tanto, é fundamental
a aceitação do fato de que a medicina fetal, como afirmou Huhta, em
1990, só tem sentido se o feto for reconhecido como portador de
atributos humanos e pessoais. Assim, todos os princípios que norteiam
uma adequada relação médico-paciente, obrigatoriamente, necessitam estar
presentes na relação do cardiologista fetal com o concepto cardiopata em
formação, especialmente considerando que a resolução da maioria das
arritmias fetais é a regra.
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Sumário -
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