Re: Só faltava essa
From: Paulo Barrozo (prbarrozo@uol.com.br)
Sun, 8 Oct 2000 11:00:30 -0300
Oi Jacyr,
Realmente só faltava esta. Qual é o nome do banco que está fazendo isto?
Saudações.
--
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Dr. Paulo R. M. Barrozo, M.D., TEGO, TCBC
Centro de Tratamento de Miomas
Cabo Frio - Rio de Janeiro - São Paulo
Tel: 0800-236030
barrozo@mioma.com.br http://www.mioma.com.br
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>----- Original Message -----
From: Jacyr Leal <caf@jacyrleal.com.br>
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Sent: Thursday, October 05, 2000 6:14 PM
Subject: Só faltava essa
> Curitiba, 05 de outubro de 2000
>
> Prezados Colegas
>
> Parabéns para todos nós... Era só o que faltava,... Acabamos de nos tornar
> pontuação no fértil imaginário de bancos e seguradoras. Junto com canetas,
> charutos, viagens e uma infinidade de baboseiras, seremos em breve
> gloriosamente oferecidos a outros otários, mais conhecidos como clientes,
de
> acordo com a "participação" deles na utilização dos serviços bancários. O
> absurdo não para por aí. Fomos catalogados de acordo com a nossa
capacidade
> profissional. Segundo o banco, podemos ser diferenciados de acordo com:
> tempo de formatura, residência médica, professor universitário, mestrado,
> doutorado. Por esses parâmetros receberemos por consulta de R$25,00 a
> R$75,00 dependendo da pontuação alcançada por cada um de nós.
> É interessante como para algumas pessoas é importante obter títulos. Claro
> que para qualquer atividade é necessário comprovada capacitação. Para
tanto
> somos todos diplomados e mesmo sem obtermos título de especialista, nos é
> permitido exercer nossa profissão de forma responsável, desde que
> devidamente registrados nos Conselhos Regionais de Medicina. Buscamos
> titulação nas respectivas Sociedades de Especialidades para melhor nos
> desenvolvermos dentro de nossas áreas de atuação, porém a imensa maioria
dos
> médicos cresce realmente como "doutores" e como seres humanos na longa e
> complicada luta do dia-à-dia.
> Erro primário. Não podemos ser hipócritas a ponto de não aceitarmos
> diferenças entre nós. Em todos os níveis e profissões existem pessoas de
boa
> e má qualidade técnica, profissional e ética. Mas dentro dos parâmetros
> encontrados pelo banco, apenas poderia ser aceitável o tempo de
experiência,
> e mesmo assim com muita chance de conter muitos erros de avaliação.
> Residência médica em nosso País? Pouquíssimos médicos tentam. Poucas vagas
e
> qualidade geralmente questionável. Ser professor universitário muitas
vezes
> significa apenas vinculação a área de forma empregatícia, sem
> necessariamente ter real conhecimento do que tenta repassar aos alunos.
> Lembram-se da qualidade de alguns de nossos "mestres"? Por falar nisso,
> mestrado e doutorado só persegue quem tem interesse em seguir carreira
> universitária e de forma nenhuma denota maior conhecimento ou experiência.
> Mas para o "banco", esses são os fatores importantes. A revista Veja dessa
> semana, 04 de outubro de 2000, coincidentemente traz no seu "Ponto de
Vista"
> , página 22, um artigo onde Cláudio de Moura Castro desnuda alguns
aspectos
> interessantes dessa questão: "A quem interessaria dizer que só diploma é
> importante? Seria uma forma de reserva de mercado para os mais diplomados,
> muitas vezes profissionalmente inexperientes?" Sua frase textual: "Quando
a
> experiência é preterida em favor do diploma, os interesses das corporações
> podem estar prevalecendo sobre a vontade coletiva". O médico e a filha do
> médico, título do texto, conta a história de "um titular de obstetrícia de
> uma excelente escola médica, que encaminhou sua filha gestante ao
assistente
> mais sênior, também abarrotado de títulos acadêmicos e publicações. Lá
pelo
> meio da gravidez configurou-se o perigo de uma eclampsia. O pai chamou o
> assistente e comunicou-lhe que estava passando o caso para outro médico.
> Pergunta então o assistente: por que trocá-lo por outro de clinica
popular,
> com mero diploma de medicina, sem outros títulos e publicações? A resposta
é
> incisiva: - Porque ele já tratou mais de 500 casos de eclampsia e você
não!"
> Esse meu desabafo é uma forma de criticar o poder que estamos a tanto
tempo
> enfrentando, e ao mesmo tempo homenagear a todos os médicos com ou sem
> títulos, mas que batalham todos os dias de forma cada vez mais sofrida e
não
> por isso menos honrosa. Afinal, como ainda diz o texto, "bagagem
> profissional é muito mais importante do que qualquer titulação
> principalmente se desconectada com o real desempenho".
> Com certeza a direção desse banco deve requalificar e relocar o autor
dessa
> triste idéia a nós apresentada, já que pela sua limitação, baixa lucidez e
> inteligência, deve com certeza possuir diversos títulos, mestrado e
> doutorado provavelmente em Harvard, e ainda para manter-se de bem com a
> teoria, faz ainda "um bico na faculdade". Parabéns novamente, pois hoje
> somos todos pontos de bonificação bancária e em breve estaremos valendo
> milhagem
>
> José Jacyr Leal Júnior
> Diretor do Departamento de Convênios da Associação Médica do Paraná
> Curitiba - Paraná - Brasil
> caf@jacyrleal.com.br
> http://www.jacyrleal.com.br
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