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Re: OBSTET-L digest 609From: Denise Alves Baptista (dabmed@uol.com.br)Sun, 9 Jul 2000 21:39:30 -0300
Reenvio o texto já emitido anteriormente, com o último parágrafo atualizado para esta nova questão: De: Denise Alves Baptista <dabmed@uol.com.br> Para: <obstet-l@obgyn.net> Assunto: Re: Toxoplasmose congênita Data: Terça-feira, 6 de Junho de 2000 21:08 A toxoplasmose congênita tem uma taxa de transmissão vertical progressivamente crescente à medida em que avança a idade gestacional do feto, e quanto mais próximo do termo ocorre a infecção, mais provavelmente assintomática no período neonatal estará a criança. Inversamente, quanto mais precoce a transmissão, maior a gravidade do quadro, podendo chegar a ser gravíssimo, com calcificações intracranianas e suas complicações (30%), coriorretinite(70 a 80%), microcefalia ou hidrocefalia (20%), retardo do crescimento intra-uterino e hepatoesplenomegalia. Porém, pelo menos 80 a 90% das crianças são assintomáticas ao nascer, apesar de que 80 a 90% destas vão desenvolver doença ocular ou neurológica até a idade adulta. A incidência de transmissão vertical é maior se a infecção ocorre no 3o. trimestre(59%) e a gravidade é maior quando esta é adquirida no 1o. trimestre, apesar de a incidência ser menor (14%). O risco de infecção fetal e gravidade são intermediários no 2o. trimestre (29%). O objetivo da triagem sorológica das gestantes é justamente prever aquelas que têm chance de serem infectadas durante a gravidez, por nunca terem tido contato com o protozoário antes, e isto pode ser concluído toda vez que a sorologia revelar IGg negativo (sem memória). O fato de ela apresentar IGM negativa no início do pré-natal apenas revela que ela não estava sendo vítima de uma infecção aguda no momento do exame - que também seria representada por títulos extremamente altos de IGg (>1:4000) - não descartando a chance de ela se infectar no decorrer da gravidez. Sendo assim, idealmente, a sorologia deve ser repetida rotineiramente durante todo o pré-natal, se a mãe for IGg negativa, a fim de surpreender uma infecção primária, já que no adulto ela passa praticamente sem qualquer clínica. O mesmo raciocínio deve ser aplicado para a citomegalovirose, a sífilis, rubéola, hepatite B e infecção pelo vírus da AIDS. A mãe não tem riscos, e o tratamento dela é indicado NA GRAVIDEZ, para diminuir a transmissão vertical, embora tenha tido casos no hospital de mães que, mesmo tratadas, infectaram - gravemente - seus bebês ao mesmo tempo em que conheço casos de mães que não trataram e nada foi identificado na criança até o momento (mas ainda poderão vir a adoecer) O tratamento da mãe deve ser feito com Espiramicina (reduz em 60% as taxas de transmissão) se o feto não está infectado ou não foi investigado ou Sulfadiazina e Pirimetamina (se a idade gestacional for superior a 16-21 semanas, se o feto tem infecção confirmada ou muito provável) O tratamento da criança infectada (sintomática ou não) deve ser iniciado prontamente e continuado até 1 ano de idade, para minimizar as repercussões oculares, auditivas e visuais e melhorar o prognóstico. São vários os esquemas, sendo o mais aceito aquele de Couvreur, 1984, que combina sulfadiazina com pirimetamina (+ ácido folínico) alternado com espiramicina durante 1 ano, com ou sem prednisona, de acordo com o estado clínico da criança (congênita assintomática, sintomática com evidência de processo inflamatório, assintomática, sorologia inconclusiva cuja mãe foi comprovadamente infectada na gravidez ou RN assintomático de mãe com sorologia sugestiva de infecção recente) . Estudos mais recentes (Chicago, 1994) têm um protocolo para tratamento de toxoplasmose congênita sintomática indicando que o ideal seria fazer um esquema combinando apenas a sulfadiazina e a pirimetamina. Antes de mais nada é necessário confirmar o diagnóstico e avaliar se foi feito o tratamento proposto neste 1o. ano de vida, para que se faça a rotina de acompanhamento, contando com a avaliação regular da função oftalmológica, auditiva e neurológica do paciente. Entendo que, dependendo do caso, você deva encaminhar o paciente para o acompanhamento de especialista na Capital, pois é um risco muito grande assumir o follow-up de pequenos pacientes que podem ter seu prognóstico de vida muito alterado na dependência dos recursos médicos locais disponíveis. Transfira essa decisão para os pais. Espero ter sido útil. Coloco-me à disposição para esclarecer dúvidas. Um abraço Denise Baptista R1 de Pediatria do HUPE/ UERJ
Administrador da lista: flavio.monteiro.desouza@obgyn.net Solicitações à lista: obstet-l-request@obgyn.net Última atualização: Mon May 19 16:33:42 2008 |
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