Re: Planos de Saúde
From: Dr. Olidio Vaz Primo (olidio@net21.com.br)
Sat, 8 Jul 2000 20:48:20 -0300
os planos de saude estão acima de tudo, até o CADE de ganho de causa a
eles.Enquanto os medicos não tiverem representação politica, podemos esperar
coisa ainda pior. Quem viver verá. olidio@net 21.com.br, uma vozque clama no
deserto
>----- Original Message -----
From: "Paulo Barrozo, MD" <barrozo@mioma.com.br>
To: "Multiple recipients of list OBSTET-L" <obstet-l@forum.obgyn.net>
Sent: Saturday, July 08, 2000 8:04 PM
Subject: Planos de Saúde
>
> Para pensarmos....
>
> Ficção brasileira
> Data: 08/07/2000
> Fonte: Jornal da Tarde - SP
>
> Matéria: Em pé de guerra com os planos/seguros-saúde, as entidades
> médicas fazem grave denúncia: empresas querem redução de exames e
> procedimentos relativos à saúde e mantêm o ganho dos médicos na sarjeta,
> a saber: paciente sem plano paga R$ 500,00 pela cirurgia de amídala,
> enquanto o convênio paga cerca de R$ 80,00 pela mesma operação; médico
> recebe em média R$ 21,00 por consulta/convênio, enquanto o preço da
> praça é de R$ 130,00.
> Aos meus ouvidos é como se o sindicato dos pilotos de avião denunciasse
> a adoção - por ordem superior - de procedimentos comprometedores da
> segurança dos vôos. Quem viajaria?
>
> Ainda assim, a denúncia da classe médica não causa o necessário impacto.
> Por quê? Talvez o consumidor do "produto" ainda não tenha se antenado o
> suficiente para o fato de que quando o médico, professor-doutor, recebe
> do convênio por uma cirurgia o mesmo valor que o cabeleireiro da esquina
> cobra para dar uma geral no "look..." da cliente, algo de errado está
> ocorrendo - ou vai ocorrer com o tempo.
>
> Lembrando: o valor da cirurgia (R$ 80,00) inclui visitas e
> acompanhamento até a alta do paciente, mais complicações eventuais.
>
> Dirá-me o estimado Zé Garfado, nesses dias difíceis: "O que eu tenho com
> isso? Já não pago caro pelo plano?" Eis o detalhe: o comprador do
> serviço de saúde precisa ser mais do que um mero consumidor. Este - sem
> desdouro - vê saúde como produto de prateleira, e diz: "Desce um, desce
> tudo. Nenhum serve, desce mais, troca..., estou pagando, exijo!"
>
> Funciona quando a compra é no supermercado, onde produtos e funcionários
> constituem variáveis simples de se lidar - tudo pode ser trocado com uma
> frase curta, sem perdas. Mas o quadro é outro quando o que se compra é a
> saúde. Aqui se compra de "A", mas quem tem o poder soberano sobre o tudo
> e o nada, quando mais se precisa, é "B" - insubstituível na hora H como
> o piloto em vôo.
>
> E "B" hoje anda fazendo contas no canhoto do cheque entre uma consulta e
> outra. E para não levar o orçamento a óbito, há dias em que engata
> entra-e-sai em salas de cirurgias, com aulas/cursos, e ainda - sem
> almoço - retorna às consultas, sem pôr-do-sol.
>
> Para o médico, se à pressão alta das contas do mês ainda se somar a
> pressão das empresas por redução de custos/procedimentos, via a sua
> atuação, o estresse do piloto poderá causar turbulências - e com o
> tempo, quem sabe, algo pior.
>
> Perda da qualidade O consumidor já vem experimentando a perda da
> qualidade do serviço (consultas-relâmpagos, humor desfavorável, quem
> sabe intranqüilidade em certos momentos decisivos), e tudo que piorar
> ainda mais atingirá em cheio o usuário. Um erro (condições de trabalho
> do médico) não justifica o outro, claro. Devemos nos insurgir contra
> eventual insinuação - ou prática - dessa tese atentatória à dignidade do
> paciente. Mas a verdade é que estresse de piloto, no limite, interfere
> na qualidade do vôo - é fato. Sim, não deve excluir responsabilidade -,
> mas há danos para o consumidor que depois são irreparáveis.
>
> Ainda: se o estresse evolui e seu estado fica insustentável - o que pode
> não ser visível ao consumidor - poderá se argumentar a favor do estado
> de necessidade, o que tornaria o "erro" justificável. Seria o fim.
>
> Antes que isso ocorra - no reino da medicina privada como fato
> consumado, é bom que todos os passageiros a bordo -, consumidores,
> médicos, empresas, entidades representativas e governo - saibam que o
> "produto" saúde não deve ser negócio tão privado e desalmado assim - nem
> palco para bandeiras fora de hora. Ou se busca com grandeza a
> harmonização dos interesses ou poderá faltar pára-quedas para todos
> durante a longa viagem. Por falta de linhas, retomo o assunto na semana
> que vem.
> =========================== FIM ========================================
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