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Planos de SaúdeFrom: Paulo Barrozo, MD (barrozo@mioma.com.br)Sat, 08 Jul 2000 17:54:13 -0300
Para pensarmos.... Ficção brasileira Data: 08/07/2000 Fonte: Jornal da Tarde - SP Matéria: Em pé de guerra com os planos/seguros-saúde, as entidades médicas fazem grave denúncia: empresas querem redução de exames e procedimentos relativos à saúde e mantêm o ganho dos médicos na sarjeta, a saber: paciente sem plano paga R$ 500,00 pela cirurgia de amídala, enquanto o convênio paga cerca de R$ 80,00 pela mesma operação; médico recebe em média R$ 21,00 por consulta/convênio, enquanto o preço da praça é de R$ 130,00. Aos meus ouvidos é como se o sindicato dos pilotos de avião denunciasse a adoção - por ordem superior - de procedimentos comprometedores da segurança dos vôos. Quem viajaria? Ainda assim, a denúncia da classe médica não causa o necessário impacto. Por quê? Talvez o consumidor do "produto" ainda não tenha se antenado o suficiente para o fato de que quando o médico, professor-doutor, recebe do convênio por uma cirurgia o mesmo valor que o cabeleireiro da esquina cobra para dar uma geral no "look..." da cliente, algo de errado está ocorrendo - ou vai ocorrer com o tempo. Lembrando: o valor da cirurgia (R$ 80,00) inclui visitas e acompanhamento até a alta do paciente, mais complicações eventuais. Dirá-me o estimado Zé Garfado, nesses dias difíceis: "O que eu tenho com isso? Já não pago caro pelo plano?" Eis o detalhe: o comprador do serviço de saúde precisa ser mais do que um mero consumidor. Este - sem desdouro - vê saúde como produto de prateleira, e diz: "Desce um, desce tudo. Nenhum serve, desce mais, troca..., estou pagando, exijo!" Funciona quando a compra é no supermercado, onde produtos e funcionários constituem variáveis simples de se lidar - tudo pode ser trocado com uma frase curta, sem perdas. Mas o quadro é outro quando o que se compra é a saúde. Aqui se compra de "A", mas quem tem o poder soberano sobre o tudo e o nada, quando mais se precisa, é "B" - insubstituível na hora H como o piloto em vôo. E "B" hoje anda fazendo contas no canhoto do cheque entre uma consulta e outra. E para não levar o orçamento a óbito, há dias em que engata entra-e-sai em salas de cirurgias, com aulas/cursos, e ainda - sem almoço - retorna às consultas, sem pôr-do-sol. Para o médico, se à pressão alta das contas do mês ainda se somar a pressão das empresas por redução de custos/procedimentos, via a sua atuação, o estresse do piloto poderá causar turbulências - e com o tempo, quem sabe, algo pior. Perda da qualidade O consumidor já vem experimentando a perda da qualidade do serviço (consultas-relâmpagos, humor desfavorável, quem sabe intranqüilidade em certos momentos decisivos), e tudo que piorar ainda mais atingirá em cheio o usuário. Um erro (condições de trabalho do médico) não justifica o outro, claro. Devemos nos insurgir contra eventual insinuação - ou prática - dessa tese atentatória à dignidade do paciente. Mas a verdade é que estresse de piloto, no limite, interfere na qualidade do vôo - é fato. Sim, não deve excluir responsabilidade -, mas há danos para o consumidor que depois são irreparáveis. Ainda: se o estresse evolui e seu estado fica insustentável - o que pode não ser visível ao consumidor - poderá se argumentar a favor do estado de necessidade, o que tornaria o "erro" justificável. Seria o fim. Antes que isso ocorra - no reino da medicina privada como fato consumado, é bom que todos os passageiros a bordo -, consumidores, médicos, empresas, entidades representativas e governo - saibam que o "produto" saúde não deve ser negócio tão privado e desalmado assim - nem palco para bandeiras fora de hora. Ou se busca com grandeza a harmonização dos interesses ou poderá faltar pára-quedas para todos durante a longa viagem. Por falta de linhas, retomo o assunto na semana que vem. =========================== FIM ========================================
-- ====================================================== Dr. Paulo R. M. Barrozo, M.D., TEGO, TCBC Centro de Tratamento de Miomas Cabo Frio - Rio de Janeiro - São Paulo Tel: 0800-236030 barrozo@mioma.com.br http://www.mioma.com.br ======================================================
Administrador da lista: flavio.monteiro.desouza@obgyn.net Solicitações à lista: obstet-l-request@obgyn.net Última atualização: Mon May 19 16:33:42 2008 |
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