Re: erro medico
From: João Batista Marinho de Castro Lima (jbmclima@uol.com.br)
Sat, 13 May 2000 19:35:04 -0300
Somos vítimas de inúmeros processos absolutamente injustos. As evidências de
que os insultos cerebrais no feto têm muito pouco relacionamento com o parto
tem sido constantemente demonstrado por estudos atuais. Acho também que nós,
obstetras do mundo inteiro, contribuimos um pouco para a visão ingênua do
leigo de que com o advento da monitoração eletrônica fetal, outras
tecnologias sofisticadas e até mesmo a cesariana, a ocorrência de resultados
desfavoráveis estaria abolida e que todos poderiam antecipar um nascimento
perfeito. Demos um tiro no próprio pé e já está passando da hora de
remediarmos isto. O duro será convencer a nossa clientela e os juizes.
João Batista
Belo Horizonte - MG
>----- Original Message -----
From: "Dr. Olidio Vaz Primo" <olidio@net21.com.br>
To: "Multiple recipients of list OBSTET-L" <obstet-l@forum.obgyn.net>
Sent: Tuesday, May 09, 2000 1:52 PM
Subject: erro medico
> lendo clinicas medicas da norte america achei este artigo muito
> interessante já que nos obstetra somos vitimas de inumeros processos
> .olidio@net21.com.br
>
> Um insulto asfixico agudo suficientemente intenso para produzir lesão
> cerebral permanente deve necessariamente produzir uma lesão em outros
> orgãos. Na verdade, uma miocardiopatia hipoxica manifestada por
> monitorização eletronica dos batimentos cardiofetais é um componente
> essencial de lesão cerebral. Entre 30 e 60% das crianças com índices de
> Apgar de 5 minutos, inferiores a 5 apresentam lesão significativa nos
> pulmões, coração, tubo digestivo o rins.
>
> A maioria das crianças com paralisia cerebral ou retardo mental não
> apresenta sinais neonatais compativeis com insulto asfixico agudo.31'33
> Sessenta e oito por cento de crianças com peso ao nascimento superior a
> 2550grs. e paralisia cerebral, tem um indice de Apgar de 5 minutos de 6 ou
> mais e nenhum sinal de insulto asfixico
>
> Os indícios de lesões pré-natal podem ser apresentados pelo tecido
> cicatricial no cerebro, nos dentes e/ou nas cartilagens. 0 estudo
> histológico destes tecidos demonstra uma incidencia crescente de lesão
> pré-natal com o aumento da idade gestacional.33 Por exemplo, um estudo
> envolvendo lesão hipóxica à cartilagem em 570 natimortos e óbitos
neonatais
> ocorridos dentro de 48 horas do nascimento mostrou que 60% das crianças
> nascidas na 32ª semana de gestação ou antes mostraram lesão pré-natal. A
> proporção de crianças a termo com lesão pre-natal foi de 75% e em mais de
> 90% dos nascidos com 41 semanas ou mais.
>
> Múltiplos estudos retro e prospectivos demonstraram a falta de
> relacionamento entre o cuidado intraparto a termo e o disturbio
neurologico
> a longo prazo. Os dados mais fidedignos provém do National Collaborative
> Perinatal Project. Esse foi um projeto prospectivo multicentrico que
> registrou 54.000 gestantes entre 1959 e 1966 e acompanhadas, bem como seus
> filhos, até que as crianças tivessem 7 anos de idade. Cada mãe e filho
teve
> uma avaliação padronizada e provas de informação. Nas crianças nascidas
com
> peso igual ou superior a 2.500 g,, menos da 5% da variação na incidencia
de
> paralisia cerebral, convulsões não-febris, indices de QI e índices de
> desempenho motor podem ser e explicados pelas complicacões do trabalho de
> parto. O retardo mental materno, as apresentações de nadegas (mas não o
> parto), a proteinuria acentuada, as convulsões maternas durante a gravidez
> e a doença tiroidea materna foram os fatores de risco significativos para
a
> paralisia cerebral. A classe socio-economica, a raça, a idade materna e
> educação e o QI maternos explicaram 37% das variações do indice de QI.
>
> Os fatores pre-natais e antenatais, incluindo perda perinatal, fumo,
> hipertensão, anemia e alcoolismo, estiveram associados a apenas 2% das
> variações dos indices de QI. Fatores intraparto e sinais de anóxia
> perinatal explicam menos de 1% dos índices de QI.
>
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