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Re: Coração do dinossauro é semelhante ao do homemFrom: Jaime Nonato (jaimen@zaz.com.br)Fri, 21 Apr 2000 17:59:42 -0300
Vamos conseguir clonar um dinossauro? Se for usado o DNA de seus descendentes alados, a idéia não é tão absurda quanto a princípio parece Matt Ridley Uma resposta curta seria não. uma resposta um pouco mais longa seria certamente não. A idéia do filme Parque dos Dinossauros -- âmbar, insetos e fragmentos de DNA de rã -- não se tornará realidade nem em um milhão de anos. Essa foi, sem dúvida, a sugestão mais original, até o momento, para encontrar genes de dinossauro. Clonar um mamute, congelado rapidamente há milhares de anos, pode chegar a ser viável algum dia. Mas dinossauros com 65 milhões de anos? De jeito nenhum. Só quando a pergunta é repetida pela terceira vez é que se pode vislumbrar uma resposta afirmativa. Comecemos com três premissas. A primeira é que os dinossauros não foram extintos. As espécies que descendem deles equivalem a aproximadamente o dobro de espécies evoluídas dos mamíferos originais. São aquilo que nós chamamos pássaros. A segunda é que o DNA está bem mais "arquivado" do que se imaginava. Nos seres humanos e nas moscas-das-frutas, os genes Hox, responsáveis pelo desenvolvimento das células do embrião, são tão parecidos que podem ser substituídos uns pelos outros, embora o último ancestral comum ao homem e à mosca tenha vivido há 600 milhões de anos. A terceira e mais empolgante premissa: os geneticistas estão descobrindo muitos "pseudo-genes", cópias de genes antigos e inativos, no DNA do homem e de animais. É como encontrar instruções de uma máquina de escrever grampeadas na contracapa do manual de seu programa mais moderno de edição de textos. Pode haver uma infinidade de dicas interessantes e obsoletas escondidas em nossos genes. Juntas, essas três premissas levam a uma conclusão clara: existem ainda genes de dinossauro circulando por aí. Vamos fazer um exercício de imaginação e nos projetar algumas décadas à frente. Imaginemos o seguinte roteiro: no Vale do Silício, uma turma de sabichões especialistas em bioinformática está atrás de um projeto atraente para apresentar na abertura do capital de sua empresa e resolve tentar recriar o genoma de um dinossauro. Os pesquisadores juntam alguns genomas informações completas do DNA das células de cada animal) de aves e começam a mapear as características comuns. O resultado é uma espécie de genoma protótipo de uma ave básica. Depois passam a fazer alguns experimentos: ativam antigos pseudo-genes, desativam os genes das penas e reintroduzem os da pele escamosa, alteram os genes do crânio para que apareçam dentes em vez de um bico, encurtam as asas, a circunferência do peito e o osso esterno (aqui os genes de avestruz seriam úteis), aumentam o tamanho e o vigor do corpo e assim por diante. Pouco depois eles têm em mãos a receita de um monstro grande, sem penas nem asas e com mandíbulas dentadas, que parece um cruzamento de pavão com tigre. Pode ser que eles nem precisem modificar tantos genes, apenas algumas centenas, especialmente os relacionados ao desenvolvimento. Os genes do sistema imunológico e dos mecanismos da memória seriam o padrão encontrado nos vertebrados. Para aprimorar a criatura, eles poderiam estudar material genético de outras aves ou talvez importar idéias de lagartos e tartarugas. Lembre-se, até agora nada saiu do computador e essa não passa de uma receita de DNA. Mas por volta do fim deste século, se não antes, a biotecnologia terá alcançado um estágio em que será capaz de, a partir de uma receita qualquer de DNA, fornecer uma imagem tridimensional aceitável do animal que esse código genético criaria. Depois de muita tentativa e erro digitais, os sabichões concluem que têm a receita de uma criatura bastante parecida a um pequeno dinossauro corredor gênero Struthiomimus (semelhante ao avestruz). Daí em diante é tão fácil como criar a ovelha Dolly: basta contratar uma empresa que sintetize o genoma, introduzi-lo num óvulo de avestruz desnucleado, implantá-lo no animal para que se transforme em ovo, seja posto e chocado. Depois disso, é só aguardar o espetáculo. Claro que existem as dificuldades. Alguém pode ter esquecido de suprimir os genes da voz das aves canoras, fazendo com que o primeiro animal gorjeie como um pardal. Ou talvez o desenvolvimento cerebral não tenha sido adequado e a criatura nasça sem condições de se movimentar normalmente. É quase certo que o primeiro experimento desse tipo produza um monstrengo tipo Frankenstein e que a idéia seja considerada cruel e antiética. Nesse caso, tomara que nunca seja posta em prática. Mas daí a dizer que isso é impossível há uma grande distância. Pode até ser que o projeto seja mais fácil. Quem sabe? Pode ser que existam resquícios de pseudo-genes dos grandes dinossauros ainda intatos, embora um pouco enferrujados, ocultos entre os genes de um beija-flor. Mat Ridley é o autor de "The Red Queen" (A rainha vermelha), "The Origins of Virtue" (As origens da virtude) e "Genome: The Autobiography of a Species in 23 Chapters" (Genoma: a autobiografia de uma espécie em 23 capítulos) -----Mensagem Original----- De: Dr. Sergio P. Ramos <Sergio.Ramos@obgyn.net> Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@forum.obgyn.net> Enviada em: Sexta-feira, 21 de Abril de 2000 10:02 Assunto: Coração do dinossauro é semelhante ao do homem
> Coração do dinossauro é semelhante ao do homem
Administrador da lista: flavio.monteiro.desouza@obgyn.net Solicitações à lista: obstet-l-request@obgyn.net Última atualização: Wed Mar 26 19:47:45 2008 |
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