Re: Projeto APCC

From: José Jacyr Leal Júnior (caf@jacyrleal.com.br)
Mon, 7 Feb 2000 12:59:54 -0200


Prezado Antonio Coelho

É de sua experiência e conhecimento de que precisamos. Obrigado por suas colocações. Boas Idéias existem para serem postas em prática. Não vamos a frente muitas vezes pelos mais variados motivos, mas é um erro de nossa parte. Você confirma o que intuitivamente eu percebi com relação ao tamanho da maquina e no montante que deve ser mal gasto com a saúde no Brasil. Falei anteriormente de que meu projeto pode evoluir para uma infinidade de idéias novas, com conceitos novos, mas devo apresentá-lo e tentar sua implantação da forma mais simples possível e assim sendo, mais facilmente "deglutível" pelas autoridades. Sua idéia é uma das possibilidades futuras, que após estudos e já com dados fidedignos podem ser acrescentados. Se o governo perceber vantagens no processo, poderemos com o tempo realmente voltarmos a ser remunerados nos consultórios por tal prestação de serviço. Mas acho que você concorda comigo que devemos primeiro batalhar em cima de um projeto pronto onde não haja necessidade de verbas para nada e onde tudo já exista. Remuneração requer verbas e aí complica. Em segundo lugar, descontos do IR (que já existe) não vincula o projeto à AMB. = Podem impedir um projeto apenas pela alegação política de ser um projeto de uma classe, e a alguns não interessa dar força política a instituições outras etc, etc, etc... você sabe o que quero dizer. Este é um projeto da Sociedade para a Sociedade, apresentado através das Sociedades Organizadas. Está sendo posto em discussão para tentar ajudar uma população que sofre todos os dias e o que atrasa ainda mais o desenvolvimento do País. Qualquer um poderá ser contra mas no final e após muito estudo, quem negar vai ter que explicar muito bem por que ? Com relação a quem acha difícil ou até impossível, no final a gente comemora juntos porque se não conseguimos, ao menos tentamos e estamos felizes, afinal fizemos nossa parte.

Abraços

José Jacyr Leal Júnior Centro de Avaliação Fetal Batel SC Ltda. Curitiba - Paraná - Brasil caf@jacyrleal.com.br http://www.jacyrleal.com.br

>----- Original Message -----
From: Antonio Coelho. <acoelho@bluenet.com.br> To: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@forum.obgyn.net> Sent: Sunday, February 06, 2000 10:15 PM Subject: Re: Projeto APCC

> > Prezado Jose Jacyr.
> É muito importante entrarmos como co-partícipes dos destinos da
nossa naçao através de sugestoes. Somos, a classe médica, uma das melhores ou talvez a melhor formadora de opiniao, por estarmos em constante contato direto, cara a cara, com os problemas principais responsáveis pelo atrazo de um povo: Educaçao e saude. Acho a sua ideia dígna de aplausos pelo fim social a que se propõe e é exatamente nessa área (capital social), que o Brasil perde de dez a zero desde sempre para os países desenvolvidos. Sem delongas, é preciso que invistamos em ONGS, cooperativas e nos organizemos como sociedade, para conquistarmos o que tanto queremos. Concordo plenamente que a assistencia ambulatorial é extremamente economica e que ja temos toda estrutura pronta através dos nossos consultórios. Intrigado com tanto descaso às atençoes primarias á nossa saude, também à época do entao ministro Jatene, cheguei a formular ideias que ficaram comigo, talvez levado pelo pré-julgamento de que s! > !
> eria apenas mais um a pregar no deserto.
> Como médico concursado do extinto INAMPS, passei a fazer cálculos
em cima dos nossos atendimentos ambulatoriais: Temos salario fixo, férias, décimo terceiro, direito a greve (naquela época, durante 8 anos , fizemos 2 meses de greve remunerada por ano),salário maternidade( 4 meses de remuneração), enfim, todos os direitos trabalhistas. Temos toda estrutura para-médica de atendimento: Atendentes, telefonistas, assistentes sociais, pessoal de serviços gerais,todos com seus respectivos direitos trabalhistas acima citados; material indispensável ao atendimento médico, energia, telefone, água, manutençao dos prédios públicos com seus superfaturamentos etc.Como é praticamente impossível segurar o médico por 4 horas no local de trabalho, estabeleceu-se 16 atendimentos diarios como tarefa compatível com as 4 horas de atendimento. Saliente-se que a maioria dos atendimentos ocorrem por retorno de consulta e que a maioria dos profissionais, nao preenchem as suas obrigaçoes quer p! > !
> or nao atenderem às exigencias de suas chefias imediatas que também nao
querem enxergar as suas faltas, ou por nao serem simpaticos à sua comunidade. > Transformando esses custos em valores de consulta, conclui-se que
é mais economico para o estado, arcar com os valores adotados pela AMB como remuneraçao aos profissionais em seus consultórios, extinguindo-se ou diminuindo drasticamente os ambulatórios públicos. > Cada profissional , poderia atender 16 consultas por dia, cada
consultorio só teria direito a cadastrar 2 profissionais ( um por turno), a populaçao seria munida de um cartao magnetico para atendimento "ON LINE " cuidando-se na proteção contra fraudes ( detalhes técnicos a serem discutidos ); os fraudadores seriam sumariamente desligados do programa e obviamente responderiam na justiça conforme a legislaçao; Como estimulo à melhoria na qualidade de atençao, estabelecia-se percentuais de remuneraçao sobre a tabela da AMB: Profissionais com títulos de especializaçao perceberiam a tabela cheia, os demais, um percentual a ser discutido. > Acredito que a classe médica passaria a ser mais respeitada pelos
mercantilistas da saude, a populaçao carente teria livre arbitrio na escolha dos seus medicos e os profissionais seriam julgados como ja somos pela nossa clientela. > Em linhas gerais é o que penso. A partir daí acrescentaria-se o
aperfeiçoamento. Se a lista tiver interesse na discussão e se quizer levar à frente, a proposta é nossa. >
> Abraços.
> Antonio Coelho - Garanhuns -PE

>> >----- Original Message -----
> >From: Dr. Sergio P. Ramos, MD <Sergio.Ramos@obgyn.net>
> >To: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@forum.obgyn.net>
> >Sent: Wednesday, February 02, 2000 8:29 AM
> >Subject: Projeto APCC
> >
> >> >>> E por falar em estar preocupado com a população, fique
atento > >ao
> >> meu projeto APPC que está sendo gestado na AMB a partir da Associação
> >Médica
> >> do Paraná. Conheça e colabore pois talvez seja (eu disse talvez) uma
forma > >> de escolhermos outro "prato de comida".
> >>
> >> Gostariamos de saber mais sobre este projeto, Jacyr
> >>
> >> Dr. Sergio P. Ramos
> >> Sergio.Ramos@obgyn.net
> >
> >Aos Colegas da Lista, segue a apresentação do Projeto APPC - Atendimento
> >Privado a População Carente, conforme encaminhado a Associação Médica do
> >Paraná, que a abraçou e pleiteia junto a AMB suas possibilidades de
> >aplicação.
> >Solicito a todos os colegas suas valiosas opiniões.
> >
> >Abraços
> >
> >Curitiba, 08 de julho de 1999.
> >
> >À
> >Associação Médica do Paraná
> >Att. Dr. Ronaldo Rocha Loures Bueno
> >Presidente da AMP
> >Nesta
> >
> > Devido a grande preocupação que os médicos do Paraná tem com a saúde
em > >nosso Estado, e por ser de nosso conhecimento a grande dificuldade que o
> >Governo Federal tem em manter operante o Sistema Único de Saúde - SUS,
que > >hoje encontra-se deficitário inclusive no atendimento básico.
> > É com grande satisfação que encaminhamos para debate, um projeto de
> >atendimento a população carente. Tal proposta foi formulada partindo do
> >princípio de que é do médico a obrigação de zelar pela saúde, amenizando
ao > >máximo o sofrimento humano quer seja ele físico ou emocional,
independente > >das condições financeiras do paciente.
> > A Associação Médica do Paraná através de seus associados, pode dar
essa > >parcela de contribuição a sociedade, na tentativa de solucionar parte das
> >dificuldades encontradas pelas pessoas que procuram o SUS, com o objetivo
de > >realizar consultas médicas. As pessoas que não possuem condições
> >financeiras de ingressar nos planos particulares de saúde, que surgem
para > >suprir as progressivas deficiências do Sistema, ficam desamparadas a
mercê > >de um sistema cada vez mais caótico.
> > Sabedores de que uma consulta, mais ágil e de melhor qualidade, impede
> >a evolução de problemas que acabam exigindo tratamentos prolongados,
> >internamentos e demais procedimentos que elevam o custo operacional do
> >sistema de saúde, os médicos vinculados a AMP, podem se tornar, parceiros
do > >governo federal, para prestar atendimento a população de baixa renda em
seus > >próprios consultórios, criando assim milhares de "postos de atendimento a
> >saúde" em todo o País.
> >
> >OBJETIVO
> >
> >Este projeto tem como principal objetivo, criar "vagas de atendimento",
> >colocando a disposição da população carente, milhares de consultas/dia,
> >diminuindo significativamente as filas e a demora desses atendimentos,
sem > >que se gaste um único centavo na construção de ambulatórios, centros de
> >atendimento ou sistemas complexos. Com isto o Governo Federal poderá
> >direcionar recursos, para compra de medicamentos, aparelhagem,
capacitação > >dos hospitais conveniados do SUS, projetos de saúde, educação e medicina
> >preventiva.
> >Sugerimos o Estado do Paraná como "balão de ensaio", estendendo este
sistema > >se aprovado, para todo o País.
> >
> >MODELO
> >
> >Este modelo consiste, no credenciamento de médicos que destinarão parte
de > >seu tempo, para prestar atendimento as pessoas que utilizam o SUS em seus
> >próprios consultórios. Sendo que cabe ao profissional determinar quais os
> >dias da semana, destinados a este tipo de atendimento e qual a quantidade
de > >consultas disponibilizadas, que podem ser no mínimo 4 e no máximo 20
> >consultas semanais, obedecendo os seguintes critérios:
> >
> >a) O paciente será triado nos postos de saúde e dirigido a especialidade
que > >for necessária;
> >b) A marcação de consultas será feita através do sistema de computação do
> >SUS em uma central de atendimento;
> >c) O paciente não escolhe o médico, é encaminhado ao consultório mais
> >próximo de sua residência de acordo com a especialidade necessária;
> >d) O profissional realizará o atendimento ao paciente e demais
> >procedimentos, desde que autorizado, encaminhando este aos hospitais do
SUS > >quando necessário;
> >e) O profissional pode "adotar" um paciente crônico ou por exemplo uma
> >gestante por um período pré estabelecido;
> >f) Nunca poderá ser cobrado nada do paciente referenciado pelo sistema;
> >g) O paciente é atendido como particular e fornece recibo de atendimento
> >fornecido pelo SUS no ato do encaminhamento, para posterior comprovação.
> >
> >REMUNERAÇÃO
> >
> >Os profissionais participantes serão remunerados com benefício na sua
> >Declaração de Imposto de Renda. Para cada consulta realizada ele terá o
> >direito de lançar R$ 10,00 (dez reais) como despesa, a ser deduzida do
> >montante da renda tributável.
> >
> > Temos a certeza que assim estaremos dando uma grande contribuição
social > >e também estaremos ajudando a resgatar a dignidade de um povo, que tem
> >direitos assegurados na Constituição, e que hoje sente-se abandonado a
> >própria sorte.
> >
> >Dr. José Jacyr Leal Júnior
> >
> >Secretário do Departamento de Convênios da Associação Médica do Paraná
> >Vice Presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Paraná
> >Diretor do Centro de Avaliação Fetal Batel SC Ltda
> >
> >Attachment Converted: C:\KITINTER\EUDORA\ProjetoS.doc
> >
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