![]() |
||||
|
||||
|
|
||||
Re: Porcentagem (é filosófico, excluam se não tiFrom: jose luis quelho (quelho@auanet.com.br)Fri, 28 Jan 2000 04:36:37 -0600 (CST)
At Thu, 27 Jan 2000, Savaris wrote: > >Caros colegas da lista, > >Gostaria de compartilhar alguns questionamentos que eu tenho. Comecei a >questionar a questão de dar porcentagens para as pacientes ou de ficar >usando os números para impressionar colegas médicos ou para humilhá-los na >sua ignorância. Nós nos deparamos muitas vezes porcentagens que são >totalmente inadequadas, por exemplo: >O risco da NICIII evoluir para carcinoma invasor varia de 14% a 70%, ou >então os números de provas: > >A incidência de malignização do leiomioma é de: >a) 0,1% >b) 0,5% >c) 1% >d) 5% >e) nenhuma das anteriores > >Mas como são números, isso nos dá certa segurança e precisão científica >Então eu fico a pensar: Devemos ter cuidado ao aplicar as estimativas de >risco (que são originários de uma população) para um paciente individual. Se >a morte, a doença ou a lesão ocorrer naquele indivíduo, para aquela pessoa, >o risco é de 100%. A melhor maneira de abordar esse caso seria colocando o >risco relacionado com tal situação num contexto de riscos em que ela >enfrenta frequentemente, por exemplo longas viagens de carro, dirigir depois >de ter tomado 2 cervejas, dirigir sem cinto de segurança numa autoestrada e >assim por diante. Comentando isso com uma paciente, ela me disse que se >houvesse, mesmo que <1% de eu ter câncer de colo uterino com a presença de >HPV, eu não descansaria enquanto não me tirassem o útero! >Portanto devemos ter cuidados com esses números ao dizer para a paciente, a >solicitar exames de translucência nucal para pacientes que jamais fariam um >aborto por causa de trissomias. A verdadeira questão é quanto estamos ( a >paciente e o médico) dispostos a arriscar. Isso me leva a pensar em outras >coisas, a nova moda da Medicina baseada em evidências, "somente trabalhos >prospectivos, randomizados, multicêntricos ou meta-análises poderiam ser a >base dos nossas condutas". >Agora me digam, quantas pacientes que tomam TRH se queixam de aumento de >peso, enquanto que os trabalhos randomizados demonstram que o aumento de >peso nas pacientes com TRH é comparável com o uso de placebo. O uso de >vitaminas para mastalgias, a verdadeira importância da episiotomia e o meu >questionamento mais recente, a necessidade da ausculta dos BCF no pré-natal >para as pacientes que informam boa movimentação fetal. > >Ainda acho que as meta-análises são importantes quando um governo deve tomar >uma postura de saúde pública e deve dar orientações para os médicos nas suas >condutas. PORÉM, tem a questão do erro médico, ou medicina defensiva >(&*%$#@!), eu fico pedindo um monte de exame para a minha paciente para não >ser processado depois por "por quê que o doutor não pediu a ecografia >colorida para ver o meu corrimento?). > >Talvez o melhor exemplo que eu possa dar depois disso tudo é uma citação que >li num livro de estatística: >A estatística é comparável a um bêbado encostado num poste de luz, serve >mais para apoiar do que para iluminar. > >Logo, deixo vocês nesse meu questionamento mais filosóficos do que real, >afinal hoje é meu aniversário e me dei o luxo de escrever isso tudo para >vocês. > >Ricardo Savaris, MD, MSc, TEGO, PhD >Porto Alegre - RS Prezado colega Ricardo Savaris Meu fraternal abraço pela passagem de seu aniversário. Agradeço pela sua colaboração em nossa lista.
-- Jose Luis Quelho CRMMS - TEGO - TEUS Aquidauana - MS
Administrador da lista: flavio.monteiro.desouza@obgyn.net Solicitações à lista: obstet-l-request@obgyn.net Última atualização: Wed Mar 26 19:47:37 2008 |
|