Re: Porcentagem (é filosófico, excluam se nã
From: nevton (nevton@uol.com.br)
Thu, 27 Jan 2000 20:59:06 -0200
-----Mensagem original-----
De: Savaris <savaris@orion.ufrgs.br>
Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@forum.obgyn.net>
Data: Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2000 18:06
Assunto: Porcentagem (é filosófico, excluam se não tiverem empo para ler)
>Caros colegas da lista,
>
>Gostaria de compartilhar alguns questionamentos que eu tenho. Comecei a
>questionar a questão de dar porcentagens para as pacientes ou de ficar
>usando os números para impressionar colegas médicos ou para humilhá-los na
>sua ignorância. Nós nos deparamos muitas vezes porcentagens que são
>totalmente inadequadas, por exemplo:
>O risco da NICIII evoluir para carcinoma invasor varia de 14% a 70%, ou
>então os números de provas:
>
>A incidência de malignização do leiomioma é de:
>a) 0,1%
>b) 0,5%
>c) 1%
>d) 5%
>e) nenhuma das anteriores
>
>Mas como são números, isso nos dá certa segurança e precisão científica
>Então eu fico a pensar: Devemos ter cuidado ao aplicar as estimativas de
>risco (que são originários de uma população) para um paciente individual.
Se
>a morte, a doença ou a lesão ocorrer naquele indivíduo, para aquela pessoa,
>o risco é de 100%. A melhor maneira de abordar esse caso seria colocando o
>risco relacionado com tal situação num contexto de riscos em que ela
>enfrenta frequentemente, por exemplo longas viagens de carro, dirigir
depois
>de ter tomado 2 cervejas, dirigir sem cinto de segurança numa autoestrada e
>assim por diante. Comentando isso com uma paciente, ela me disse que se
>houvesse, mesmo que <1% de eu ter câncer de colo uterino com a presença de
>HPV, eu não descansaria enquanto não me tirassem o útero!
>Portanto devemos ter cuidados com esses números ao dizer para a paciente, a
>solicitar exames de translucência nucal para pacientes que jamais fariam um
>aborto por causa de trissomias. A verdadeira questão é quanto estamos ( a
>paciente e o médico) dispostos a arriscar. Isso me leva a pensar em outras
>coisas, a nova moda da Medicina baseada em evidências, "somente trabalhos
>prospectivos, randomizados, multicêntricos ou meta-análises poderiam ser a
>base dos nossas condutas".
>Agora me digam, quantas pacientes que tomam TRH se queixam de aumento de
>peso, enquanto que os trabalhos randomizados demonstram que o aumento de
>peso nas pacientes com TRH é comparável com o uso de placebo. O uso de
>vitaminas para mastalgias, a verdadeira importância da episiotomia e o meu
>questionamento mais recente, a necessidade da ausculta dos BCF no pré-natal
>para as pacientes que informam boa movimentação fetal.
>
>Ainda acho que as meta-análises são importantes quando um governo deve
tomar
>uma postura de saúde pública e deve dar orientações para os médicos nas
suas
>condutas. PORÉM, tem a questão do erro médico, ou medicina defensiva
>(&*%$#@!), eu fico pedindo um monte de exame para a minha paciente para não
>ser processado depois por "por quê que o doutor não pediu a ecografia
>colorida para ver o meu corrimento?).
>
>Talvez o melhor exemplo que eu possa dar depois disso tudo é uma citação
que
>li num livro de estatística:
>A estatística é comparável a um bêbado encostado num poste de luz, serve
>mais para apoiar do que para iluminar.
>
>Logo, deixo vocês nesse meu questionamento mais filosóficos do que real,
>afinal hoje é meu aniversário e me dei o luxo de escrever isso tudo para
>vocês.
>
>Ricardo Savaris, MD, MSc, TEGO, PhD
>Porto Alegre - RS
>
>Caro colega!
A sua "filosofada" tem qual objetivo??? Melhorar a qualidade da medicina no
Brasil?? Ou quer mostrar que vc é melhor do que os outros porque "filosofa"
e tem vários títulos "importantes"? Considero válida a sua preocupação,
porque realmente, no dia-a-dia não lidamos com números(se assim fosse
estaríamos fazendo Engenharia ou, como no exemplo citado do nobre colega,
Estatística). Estamos lidando com seres humanos e nós, MÉDICOS, somos tão
humanos quanto qualquer um de nossos pacientes e também passíveis de erro.
Mas, para não errar, não é o uso de números que vai nos ajudar e sim o
olho-no-olho, termos humildade e humanidade e não nos escondermos atrás de
nossos títulos. Uma pergunta:- Estatisticamente falando, qual a chance de um
colega com TEGO e outro sem TEGO de errar???
>
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