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Porcentagem (é filosófico, excluam se não tiFrom: Savaris (savaris@orion.ufrgs.br)Thu, 27 Jan 2000 17:58:33 -0200
Caros colegas da lista, Gostaria de compartilhar alguns questionamentos que eu tenho. Comecei a questionar a questão de dar porcentagens para as pacientes ou de ficar usando os números para impressionar colegas médicos ou para humilhá-los na sua ignorância. Nós nos deparamos muitas vezes porcentagens que são totalmente inadequadas, por exemplo: O risco da NICIII evoluir para carcinoma invasor varia de 14% a 70%, ou então os números de provas: A incidência de malignização do leiomioma é de: a) 0,1% b) 0,5% c) 1% d) 5% e) nenhuma das anteriores Mas como são números, isso nos dá certa segurança e precisão científica Então eu fico a pensar: Devemos ter cuidado ao aplicar as estimativas de risco (que são originários de uma população) para um paciente individual. Se a morte, a doença ou a lesão ocorrer naquele indivíduo, para aquela pessoa, o risco é de 100%. A melhor maneira de abordar esse caso seria colocando o risco relacionado com tal situação num contexto de riscos em que ela enfrenta frequentemente, por exemplo longas viagens de carro, dirigir depois de ter tomado 2 cervejas, dirigir sem cinto de segurança numa autoestrada e assim por diante. Comentando isso com uma paciente, ela me disse que se houvesse, mesmo que <1% de eu ter câncer de colo uterino com a presença de HPV, eu não descansaria enquanto não me tirassem o útero! Portanto devemos ter cuidados com esses números ao dizer para a paciente, a solicitar exames de translucência nucal para pacientes que jamais fariam um aborto por causa de trissomias. A verdadeira questão é quanto estamos ( a paciente e o médico) dispostos a arriscar. Isso me leva a pensar em outras coisas, a nova moda da Medicina baseada em evidências, "somente trabalhos prospectivos, randomizados, multicêntricos ou meta-análises poderiam ser a base dos nossas condutas". Agora me digam, quantas pacientes que tomam TRH se queixam de aumento de peso, enquanto que os trabalhos randomizados demonstram que o aumento de peso nas pacientes com TRH é comparável com o uso de placebo. O uso de vitaminas para mastalgias, a verdadeira importância da episiotomia e o meu questionamento mais recente, a necessidade da ausculta dos BCF no pré-natal para as pacientes que informam boa movimentação fetal. Ainda acho que as meta-análises são importantes quando um governo deve tomar uma postura de saúde pública e deve dar orientações para os médicos nas suas condutas. PORÉM, tem a questão do erro médico, ou medicina defensiva (&*%$#@!), eu fico pedindo um monte de exame para a minha paciente para não ser processado depois por "por quê que o doutor não pediu a ecografia colorida para ver o meu corrimento?). Talvez o melhor exemplo que eu possa dar depois disso tudo é uma citação que li num livro de estatística: A estatística é comparável a um bêbado encostado num poste de luz, serve mais para apoiar do que para iluminar. Logo, deixo vocês nesse meu questionamento mais filosóficos do que real, afinal hoje é meu aniversário e me dei o luxo de escrever isso tudo para vocês. Ricardo Savaris, MD, MSc, TEGO, PhD Porto Alegre - RS
Administrador da lista: flavio.monteiro.desouza@obgyn.net Solicitações à lista: obstet-l-request@obgyn.net Última atualização: Wed Mar 26 19:47:37 2008 |
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