Re: violência sexual

From: Claudio Sitya (csitya@zaz.com.br)
Wed, 22 Sep 1999 20:44:26 -0300


Caro Dr Dorval

Além de ginecologista e obstetra eu sou perito médico legista na minha cidade e gostaria de emitir a minha opnião sobre o caso. A violência sexual pode acontecer no caso de estupro ( conjunção carnalrelação sexual penis vagina ),de ato libidinoso ou atentado violento ao pudor ( relação sexual diversa da conjunção carnal ). O primeiro quesito que o legista tem que responder a autoridade policial ou judiciaria é: a paciente é virgem? A paciente não é considerada legalmente virgem nas seguintes situações: Ruptura completa do hímen ( ruptura que atinge a parede vaginal ), gravidez, presença de esperma no canal vaginal ou presença de doença venérea no canal ou órgãos genitais internos. O segundo quesito é: há sinais de conjunção carnal recente? O que só é comprovado pela presença de espermatozóides, lesões recentes do hímen ou lacerações vaginais. No caso em questão existe nitidamente uma ruptura himenal, que pode ser completa ou não. Para definir deve-se examinar o himen tracionando os pequenos lábios vaginais e observando se a ruptura atinge a parede vaginal ou não. Existe com uma certa freqüência a presença de entalhes himenais congênitos, que em geral são pequenos e legalmente à macroscopia nós não afirmamos se são entalhes ou rupturas incompletas. Talves seja o caso? Bom, após estes detalhes técnicos aopinião sobre o que fazer: Acho que se após o exame físico houver a impressão de que não se trata de entalhe congênito e que houve mesmo uma ruptura, mesmo que incompleta, a mãe deve ser comunicada com a maior clareza, questionando-a sobre a ocorrência de alguma queda com trauma perineal. Se não houver histórico, ou se a lesão for mais extensa, acho muito provável que venha ocorrendo algum tipo de abuso sexual ou estupro, e neste caso a mãe deve ser informada e encorajada à tomar as medidas judiciais cabíveis, pois se não for assim o fato irá repetir-se por muitas vezes. Outra medida importante, devido ao fato de ser uma pessoa muito próxima, é que o caso seja avaliado por outro colega.

Desculpe pela extensão da mensagem

Um abraço

--
Claudio Sitya

-----Mensagem Original----- De: Dorval de Andrade Tessari <dorval@nutecnet.com.br> Para: Multiple recipients of list OBSTET-L <obstet-l@talk.obgyn.net> Enviada em: Quarta-feira, 22 de Setembro de 1999 16:24 Assunto: violência sexual

> Aos colegas do grupo! > > Examinei uma menina de 9 anos de idade e pelo exame vulvar percebi uma > ruptura profunda do hímem sem sinais recente de traumatismo. Como a menina é > conhecida de uma familia muito proxima a mim , estou em dúvida quanto a > algumas questões: > 1. Pode ser violência sexual? > 2. Quais são os casos de ruptura de himem sem penetração vaginal? > 3. Há dois anos atras, quando ela veio ao consultório negou-se a ser > examinada , isso poderia ser algum indício de violência sexual? > 4 Qaul a melhor conduta a ser tomada? > Obrigado pela atenção. > > Dorval de Andrade Tessari > Medico ginecologista e Obstetra > e-mail : dorvaltessari@bigfoot.com >


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