Re: maternidade

From: Betania Maria Fernandes (betania@enfermagem.ufjf.br)
Sat, 13 Jun 1998 10:04:20 -0300


Há uma estória interessante de Theodore Rozak, de uma sociedade de "rãs" que vivia no fundo de um poço. Como nunca haviam saído de lá para todos os efeitos práticos "OS LIMITES DO SEU POÇO DENOTAVAM OS LIMITES DE SEU MUNDO". É sempre assim. É difícil pensar para além da experiência... Acontece que um pintassilgo descobriu o poço, descobriu as Rãs, morreu de dó, e resolveu contar o que havia do lado de fora. E falou de campos verdes, vacas plácidas, águas limpas, flores, frutos, florestas, e tudo o mais que se pode ver neste mundo que enche os olhos... A princípio gostaram das fantasias do pintassilgo. Um bom contador de casos. Depois um grupo de filósofos parou para analisar o seu discurso, e concluiu que se tratava de ideologia, das perigosas, cheia de engodos alienantes. Da próxima vez que a avezinha lhes fez uma visita, antes que abrisse o bico lhe torceram o pescoço. "BOCA QUE CONTA MENTIRA NÃO MERECE FALAR". Morto o bicho, empalharam-no e o colocaram no museu das conquistas da crítica da ideologia O fato é que é difícil ver a ideologia dos outros, do jeitinho das rãs... Até hoje não vi ninguém que confessasse, sem pedir desculpas, ser um habitante das ideologias. ao contrário, todo cientísta que se preze faz a crítica das ideologias, vê com clareza percebe o equívoco dos outros, do jeitinho das rãs... Assim ao invés de falar sobre os equívocos sem fim que os outros, ainda não iluminados pela crítica sociológica e filosófica, espalham e aceitam, queria começar a confissão: somos rãs, no fundo do poço. Ao invés de fazer a crítica da ideologia do pintassilgo é hora de para para apalpar a nossa própria ideologia. Respirar fundo, sentir que a coisa cheira mal. É bem verdade que todo mundo se acostuma com o mau cheiro e chega mesmo a se sentir quando vai para as montanhas. Passar a mão, sentir as coisas visguentas, nossas companheiras. Perguntar ao nosso corpo, esta vítima silenciosa, como ele se sente. Olhar para as coisas e para a cara das pessoas. Ouvir o que eles dizem. Um pensador dá um conselho para quem quer casar que deveria se dado a todo mundo. Diz ele que, no ardor do fogo do amor, cada um deveria perguntar: "Será que vaou agüentar conversar com este(a), aí até o fim da minha vida?". E isto é o que deveríamos perguntar ao ouvir i que os outros dizem. Porque a conversação, este tênue fio que sustenta o mundo, é como água em que nadamos. Na verdade, molha muito mais, porque entra eplos ouvidos e afoga frequüetemente a razão e não raro a compaixão... TUDO ISSO CONSTITUI O NOSSO POÇO. É DOLOROSO RECONHECER QUE OS LIMITES DO NOSSO POÇO DENOTAM OS LIMITES DO NOSSO MUNDO. Há ainda tempo de revelar-lhes o pensamento de Kolakoswski. "A filosofia do befão é a filosofia que em cada época, denuncia como duvidoso auilo que parece ser inabalável, Declaramo-nos a favor da filosofia do bufào - aquela atitude de vigilância negativa frente a qualquer absoluto. Declaramo-nos a favor dos valores antiintelectuais inerentes numa atitude cujos perigos e absurdos conhecemos muito bem. É uma opção por uma visão de mundo que oferece possibilidades para uma reorganização vagarosa e difícil daqueles elementos que em nossa ação, são os mais difíceis de serem organizados: bondade semque isto signifique tolerar tudo, coragem sem fanatismo, inteligência se apatia, e esperança sem cegueira. Todos os outros frutos da filosofia são de importância secundária". Um pouco de filosofia de vida não faz mal e nào necessita prescrição. ()s Betania Maria Fernandes Enf. MS. UFJF - MINAS GERAIS -----Mensagem original----- De: Claudio Sitya <csitya@smnet.com.br> Para: Multiple recipients of list <obstet-l@talk.obgyn.net> Data: Sexta-feira, 12 de Junho de 1998 21:52 Assunto: Re: maternidade

Tudo bem que há algum tempo atras fosse normal nascer com parteiras, eu tambem devo ter nascido com uma, tenho 35 anos hoje e naquela epoca so tinhamos 3 ou 4 medicos "obstetras"na minha cidade. Mas, com certeza os indices de mortalidade perinatais eram muito maiores....... Se nao fossem a medicina teria involuido e nao evoluido, isto é obvio!!!!!! Alem disto nao basta termos fetos vivos, o que a obstetricia "MEDICA" procura é melhorar a qualidade dos fetos, principalmente a nivel intelectual... pois se nao fosse assim de que adiantariamos discutir sobre CTG, PBF ou doppler... para termos fetos vivos na grande maioria das vezes bastaria ate mesmo um Pinard, agora quanto ao futuro neuro-intelectual ninguem sabe... "Parto é um procedimento MÉDICO e por MÉDICOS deve ser realizado" PS: na Europa os índices de cesaria sao influenciados em muito devido a baixa capacidade cirurgica dos medicos... tenho um colega que ficou 1 ano na Espanha, no servico do Bonilla e eles ficaram espantados que ele realizava a incisao de cesariana 2 dedos acima da sinfise pubica, pois lá fazem muito mais acima...isto é somente um exemplo da diferença.

Claudio Sitya Santa Maria


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