Re: INVESTIGAÇÃO PATERNIDADE DURANTE TRANSCURSO DA

From: Dr. Thomaz Rafael Gollop (trgollop@usp.br)
Mon, 18 May 1998 06:54:22 -0300


Meu caro Dr. Sergio:

O risco da amostra de vilo corial e, no maximo, 1%. A priori o risco do pai ser o "não desejado" e de 50%. Os exames entretanto tem mostrado que em 80% dos casos o pai que resulta ser o pai biologico e o pai desejado e portanto a gravidez e mantida com tranquilidade, fato bom para todos, feto, futuro filho(a), pais e medicos. Nos 20% restantes a mae vai decidir o que fara com a gravidez. Ledo engano nosso pensar que a vida desta crianca sera feliz caso ela vier a nascer de um pai nao desejado. As investigacoes de paternidade em casos de criancas grandes, sao sempre muito traumaticas. E uma crianca que nao tem pai conhecido e que repentinamente e posta diante de um pai suposto que nao quer vinculo afetivo com ela, se possivel tambem nao economico. E evidente que o ideal e pai conhecido, gravidez desejada, mae feliz etc. Temos de lidar entretanto com situacoes menos ideais. O diagnostico de paternidade intra-utero existe em todos os paises do mundo desenvolvido e permite responder uma pergunta que angustia muito a mulher com riscos relativamente baixos. Assim pensamos ser etico responder de maneira humana esta questao. Nao estamos fazendo julgamento moral da paciente, estamos respondendo uma questao muito importante para ela. Mais do que isto estamos mantendo um numero grande de gestacoes atraves da determinacao do pai desejado. Sem esta resposta talvez grande numero das gestacoes mantidas seriam interrompidas. Um abraco

Thomaz Gollop Dr. Sergio P. Ramos escreveu:

> Prof. Thomaz Gollop
>
> Sempre concordo com o colega que é um dos mais brilhantes e ativos
> defensores da ética na reprodução humana no Brasil
>
> No caso em questão me permita discordar.
>
> Há risco real na biopsia de vilo corial ou placenta.
>
> Para satisfazer um desejo da mãe, ou permitir nefastas intervenções da
> justiça sobre a gravidez, será ético submeter um embrião a risco
> absolutamente desnecessário ?
>
> O direito de saber quem é o pai, se é que existem dúvidas para a própria
> mulher que o recebeu, é superior ao direito da vida ?
>
> Dr. Sergio P. Ramos
> Sao Jose dos Campos - SP - Brasil
>
> >Consideramos um procedimento etico, partindo do principio de >direito a
> >informacao por parte da gestante. Nos medicos nada temos a >considerar
> sobre
> >a sexualidade da paciente ou com quem ela fez amor. A pergunta >e - quem e
> o
> >pai da crianca? Esta pode ser respondida em 15 dias apos a >coleta do
> >material.


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